Lista de Poemas
APAIXONAR-SE
Namorar é uma arte, mas apaixonar-se é algo subconsciente, é uma
psico-dependência de alguém baseada em critérios imaginários criados
pela carência oculta em cada um de nós.
Em todos nós há sempre um vazio intangível e desconhecido à razão, oculto nas recâmaras de dos nossos desejos, pronto a explodir em carência quando menos se espera. É algo assustador e insano como um grande vulcão adormecido.
Não dá para entender; Como alguém que se achava completo e seguro de si,
desaba de repente diante de outro ser, como se tudo o que seja ou fosse se
torne agora apenas um imenso vazio?
Apaixonar-se é o abandonar do concreto e consciente por algo utópico, imaginário
e inexistente. Na verdade, os amantes são todos alienados. Entorpecidos
por desejos ocultos capazes de fazerem do ser venerado o símbolo da
perfeição e beleza, baseados em parâmetros indescritíveis e fantasiosos,
mas ai de quem ousar censurá-los.
São loucos os apaixonados, mas são de fato felizes e jamais buscam a cura para si.
Todavia, quando por algum motivo a febre passa, se enchem de ódio e
amargura por perceberem o quanto foram iludidos por seus próprios
sentimentos. Entretanto, todos eles carregarão para sempre na alma uma
saudade imensa dos seus tempos de insanidade.
psico-dependência de alguém baseada em critérios imaginários criados
pela carência oculta em cada um de nós.
Em todos nós há sempre um vazio intangível e desconhecido à razão, oculto nas recâmaras de dos nossos desejos, pronto a explodir em carência quando menos se espera. É algo assustador e insano como um grande vulcão adormecido.
Não dá para entender; Como alguém que se achava completo e seguro de si,
desaba de repente diante de outro ser, como se tudo o que seja ou fosse se
torne agora apenas um imenso vazio?
Apaixonar-se é o abandonar do concreto e consciente por algo utópico, imaginário
e inexistente. Na verdade, os amantes são todos alienados. Entorpecidos
por desejos ocultos capazes de fazerem do ser venerado o símbolo da
perfeição e beleza, baseados em parâmetros indescritíveis e fantasiosos,
mas ai de quem ousar censurá-los.
São loucos os apaixonados, mas são de fato felizes e jamais buscam a cura para si.
Todavia, quando por algum motivo a febre passa, se enchem de ódio e
amargura por perceberem o quanto foram iludidos por seus próprios
sentimentos. Entretanto, todos eles carregarão para sempre na alma uma
saudade imensa dos seus tempos de insanidade.
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A VIGÍLIA
Buscam-te em vão os meus braços no tatear sonâmbulo da minha solidão
Minh' alma se perde em descompasso, sem o marcar de ritmo de seu coração
A noite passa vazia contando suspiros e os grilos zombando da minha tristeza
Vigília de pensamentos insanos maldizendo a alvorada que cruelmente não chega
Quando por fim aparecem de longe pequenos raios de sol por mensageiros
São ríspidos, sem sentimentos e indiferentes à minha dor, me apressam:
- Levanta-te, sai deste ermo, esta paixão foi loucura foi um conto ligeiro
Vai-te em busca de alento em outros olhos que também pela aurora esperam
Minh' alma se perde em descompasso, sem o marcar de ritmo de seu coração
A noite passa vazia contando suspiros e os grilos zombando da minha tristeza
Vigília de pensamentos insanos maldizendo a alvorada que cruelmente não chega
Quando por fim aparecem de longe pequenos raios de sol por mensageiros
São ríspidos, sem sentimentos e indiferentes à minha dor, me apressam:
- Levanta-te, sai deste ermo, esta paixão foi loucura foi um conto ligeiro
Vai-te em busca de alento em outros olhos que também pela aurora esperam
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ALVORECER
O sol se desponta no morro
E o véu da terra é retirado
Pesares se tornam em gozo
Como se fossem apagados
Seca o orvalho de amarguras
Fazendo despontar flores
Afugenta a noite escura
Enxuga lágrimas de dores
Tristezas mal resolvidas
Apagam-se com o amanhecer
Folhas murchas e adormecidas
Ressurgem e quererem viver
O Sol transforma as cores
Com o surgir da alvorada
O perdão faz dos rancores
Carinhos na madrugada
E o véu da terra é retirado
Pesares se tornam em gozo
Como se fossem apagados
Seca o orvalho de amarguras
Fazendo despontar flores
Afugenta a noite escura
Enxuga lágrimas de dores
Tristezas mal resolvidas
Apagam-se com o amanhecer
Folhas murchas e adormecidas
Ressurgem e quererem viver
O Sol transforma as cores
Com o surgir da alvorada
O perdão faz dos rancores
Carinhos na madrugada
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PROCRASTINAÇÃO
A história humana é um eterno padecer dos erros que cometemos mas não conseguimos evitar que se repitam nas gerações que nos seguem. Na nossa juventude cremos que realizaremos a tarefa de fazer um mundo melhor; na média idade postergamos esta tarefa a nossos filhos e na velhice nos cobrimos de tristeza ao percebermos que ela não será alcançada.
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DESENCONTROS
às vezes a gente encontra a pessoa que achamos ser a certa, mas ela disso não está tão certa
às vezes a gente se acha alguém interessante, mas ela já se encantou por outro antes
às vezes a gente acha alguém legal no mundo afora, mas seu mundo é outro, a gente está fora
às vezes a gente acha alguém que nos dá carinho e sombra, mas sua obsessão é tanta, que nos assombra
às vezes a gente encontra alguém linda, inteligente, mas vive só pra si, a nós é indiferente
Mas às vezes achamos alguém que nos trata com tal cuidado, que já não mais concebemos sair de seu lado
às vezes a gente se acha alguém interessante, mas ela já se encantou por outro antes
às vezes a gente acha alguém legal no mundo afora, mas seu mundo é outro, a gente está fora
às vezes a gente acha alguém que nos dá carinho e sombra, mas sua obsessão é tanta, que nos assombra
às vezes a gente encontra alguém linda, inteligente, mas vive só pra si, a nós é indiferente
Mas às vezes achamos alguém que nos trata com tal cuidado, que já não mais concebemos sair de seu lado
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VISITA AO SOL
Partirei resoluto ao encontro do Sol
Arrancar-lhe-ei a razão deste intento
De tirar de mim toda alegria e alento
E fazer-me sucumbir com o arrebol
Ele vai ter que responder-me cara a cara
Não sob nuvens de mentiras e hipocrisia
Por que sobre mim só a tristeza irradia
Quando brisa de amor a outros ampara?
Por que razão cruel minh'alma arde
E raios de dor assim minha sorte invade
Ressecando-me em angústia e solidão?
Quem deu a mim por escravo à tristeza
E faz o amor tratar-me com estranheza
E a amargura condenou meu coração?
Arrancar-lhe-ei a razão deste intento
De tirar de mim toda alegria e alento
E fazer-me sucumbir com o arrebol
Ele vai ter que responder-me cara a cara
Não sob nuvens de mentiras e hipocrisia
Por que sobre mim só a tristeza irradia
Quando brisa de amor a outros ampara?
Por que razão cruel minh'alma arde
E raios de dor assim minha sorte invade
Ressecando-me em angústia e solidão?
Quem deu a mim por escravo à tristeza
E faz o amor tratar-me com estranheza
E a amargura condenou meu coração?
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PESADELO
Em loucos sonhos e soturnos pesadelos
Tua imagem assombrosa perambula
Mas nada mais do que já foi vai sê-lo
Sombra apenas desmascarada e nua
Não mais tuas vestes de cetim encantam
Nem mais teus olhos resplandecem a luz
És um eterno monumento ao desencanto
Atalho certo entre o jardim e a via-crúcis
Terás por companhia os teus remorsos
Em rotas tristes e caminhos escabrosos
Jamais há de dar-te as mãos a confiança
Suas tramas maquinadas em desatino
Retorno só te dará por certo o destino
Sentimentos de dor, desesperança
Tua imagem assombrosa perambula
Mas nada mais do que já foi vai sê-lo
Sombra apenas desmascarada e nua
Não mais tuas vestes de cetim encantam
Nem mais teus olhos resplandecem a luz
És um eterno monumento ao desencanto
Atalho certo entre o jardim e a via-crúcis
Terás por companhia os teus remorsos
Em rotas tristes e caminhos escabrosos
Jamais há de dar-te as mãos a confiança
Suas tramas maquinadas em desatino
Retorno só te dará por certo o destino
Sentimentos de dor, desesperança
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TEU POEMA
Se queres um poema, esboça-me um sorriso
As emoções no teu rosto é que mexem comigo
Se teus olhos cintilam eu vejo a luz das estrelas
Mas se lágrimas escorrem, é só da dor a centelha
Chorarei eu contigo, do seu amor o reverso
Se amargura te envolve, me derreto em versos
Ma se tua alma é fria, um poema eu não faço
Pois com lenha molhada não há fogo no tacho
Não importa se rima ou se quebra um refrão
Versos têm que ter alma e força de expressão
Do contrário eu me calo e deixo a dor fermentar
E mais tarde quem sabe, possa eu rir ou chorar
As emoções no teu rosto é que mexem comigo
Se teus olhos cintilam eu vejo a luz das estrelas
Mas se lágrimas escorrem, é só da dor a centelha
Chorarei eu contigo, do seu amor o reverso
Se amargura te envolve, me derreto em versos
Ma se tua alma é fria, um poema eu não faço
Pois com lenha molhada não há fogo no tacho
Não importa se rima ou se quebra um refrão
Versos têm que ter alma e força de expressão
Do contrário eu me calo e deixo a dor fermentar
E mais tarde quem sabe, possa eu rir ou chorar
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SINAIS DE FUMAÇA
Com o tempo a gente aprende:
- Que corpos não ficam juntos quando as almas estão distantes;
- Que o casamento imaturo é um salto no escuro;
- Que o amor é uma planta a ser cuidada e que se pisada morre;
- Que quem ama a outrem, cuida de si também;
- Que quem testa demais, acabar por quebrar o elástico;
- Que o perdão não funciona sem a mudança de rumo;
- Que nenhum biscoito é bom, sem ter passado pela fornalha;
- Que o amor baseado em necessidade acaba quando a mesma se sacia;
- Que quem sonega sua liberdade não te ama de verdade;
- Que quem despreza os avós, por certo desprezará os pais
- Que corpos não ficam juntos quando as almas estão distantes;
- Que o casamento imaturo é um salto no escuro;
- Que o amor é uma planta a ser cuidada e que se pisada morre;
- Que quem ama a outrem, cuida de si também;
- Que quem testa demais, acabar por quebrar o elástico;
- Que o perdão não funciona sem a mudança de rumo;
- Que nenhum biscoito é bom, sem ter passado pela fornalha;
- Que o amor baseado em necessidade acaba quando a mesma se sacia;
- Que quem sonega sua liberdade não te ama de verdade;
- Que quem despreza os avós, por certo desprezará os pais
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PRECE AO VENTO
Vento que sobe em todos os montes
Que entra nos bares e em todo lugar
Me diga pra onde, alem do horizonte
Partiu meu paizinho e não quer voltar
Vento lhe diga quão triste é a ausência
Sua cadeira vazia, sem o seu balançar
Vento insista, lhe peça a clemência
Pois até meu balanço já vive a chorar
Diga pra ele que melhoro minhas notas
Que lavo seu carro, e molho o jardim
Mas volte pra casa e esqueça a revolta
Minha dor nesta espera precisa ter fim
Vento lhe diga que sonho com ele
De braços abertos, alegre a sorrir
Que já perdoei todos os erros dele
E que ainda hoje ele já pode vir
Que entra nos bares e em todo lugar
Me diga pra onde, alem do horizonte
Partiu meu paizinho e não quer voltar
Vento lhe diga quão triste é a ausência
Sua cadeira vazia, sem o seu balançar
Vento insista, lhe peça a clemência
Pois até meu balanço já vive a chorar
Diga pra ele que melhoro minhas notas
Que lavo seu carro, e molho o jardim
Mas volte pra casa e esqueça a revolta
Minha dor nesta espera precisa ter fim
Vento lhe diga que sonho com ele
De braços abertos, alegre a sorrir
Que já perdoei todos os erros dele
E que ainda hoje ele já pode vir
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Comentários (2)
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2014-09-07
Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.
2014-09-06
Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço
Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
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