Lista de Poemas
VISITA AO RIACHO
Levarei minha alma para contemplar o riacho e ver como as águas passam levando os restos da floresta;
Para ver como degelam as montanhas de mágoas e como suas lágrimas purificam as águas em corredeiras;
Para ver como as flores viçosas também murcham e tudo que já foi verde um dia amarela, cai e em seu lugar surgem novos brotos;
Para ver como as pedras mudam de forma com o tempo e como as pontes apodrecem tornando tenebrosas as antigas travessias;
Par ver com os ninhos são tristes depois que a prole os abandona;
Para ver com as arvores centenárias caem subitamente sob os raios da tempestade;
Para ver como os galhos se moldam à força do vento;
Para ver como na frieza do inverno hibernam as fantasias dos amantes.
Para ver como degelam as montanhas de mágoas e como suas lágrimas purificam as águas em corredeiras;
Para ver como as flores viçosas também murcham e tudo que já foi verde um dia amarela, cai e em seu lugar surgem novos brotos;
Para ver como as pedras mudam de forma com o tempo e como as pontes apodrecem tornando tenebrosas as antigas travessias;
Par ver com os ninhos são tristes depois que a prole os abandona;
Para ver com as arvores centenárias caem subitamente sob os raios da tempestade;
Para ver como os galhos se moldam à força do vento;
Para ver como na frieza do inverno hibernam as fantasias dos amantes.
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DEIXA
Deixa passar as águas, não as represe;
Águas paradas azedam
Deixa que o pássaro voe, não o detenha;
Sua prole aguarda o seu retorno
Deixa que as lágrimas vertam, não as contenha;
A alma também precisa excretar
Deixa que a dores se apaguem, não as reviva;
Basta a cada dia o seu mal
Deixa que os filhos partam, não os impeça;
Seus sonhos buscam a realização
Deixa que a vida escoe, não lamente;
Muitos nem chegaram a conhecê-la
Águas paradas azedam
Deixa que o pássaro voe, não o detenha;
Sua prole aguarda o seu retorno
Deixa que as lágrimas vertam, não as contenha;
A alma também precisa excretar
Deixa que a dores se apaguem, não as reviva;
Basta a cada dia o seu mal
Deixa que os filhos partam, não os impeça;
Seus sonhos buscam a realização
Deixa que a vida escoe, não lamente;
Muitos nem chegaram a conhecê-la
👁️ 545
JOGO DE MONTAGEM
Quando longe de ti me edifico em sonhos
Imagino-te minha, neste meu delirar
Mas já frente a ti, a suar eu me ponho
Nem ouso sequer a teus olhos mirar
Meu paraíso e também meu vitupério
é este teu charme cruel e ladino
Pois me edifica em olhar de mistérios
Depois abandona e desmonta sorrindo
Imagino-te minha, neste meu delirar
Mas já frente a ti, a suar eu me ponho
Nem ouso sequer a teus olhos mirar
Meu paraíso e também meu vitupério
é este teu charme cruel e ladino
Pois me edifica em olhar de mistérios
Depois abandona e desmonta sorrindo
👁️ 434
TRILHA DO AMOR
Vá com teu amor cultivar campos de flores
Não deixe que vos acompanhe o medo
Mestra é a vida, ensina selecionar as cores
Tenha pressa, o sol da juventude se põe cedo
Deixe-se esvoaçar em ventos de esperança
O sol sempre ilumina a alma dos que sonham
Sorria ao amor, desfaça as suas tranças
Na fúria da ilusão, morrem os que a domam
Olhe pro céu, siga estrelas e esqueça a trilha
Cruze para sempre a excelsa ponte dos desejos
O amor é tímido, não acompanha ao que vacila
E se o mundo se acabar, que acabe em beijos
Não deixe que vos acompanhe o medo
Mestra é a vida, ensina selecionar as cores
Tenha pressa, o sol da juventude se põe cedo
Deixe-se esvoaçar em ventos de esperança
O sol sempre ilumina a alma dos que sonham
Sorria ao amor, desfaça as suas tranças
Na fúria da ilusão, morrem os que a domam
Olhe pro céu, siga estrelas e esqueça a trilha
Cruze para sempre a excelsa ponte dos desejos
O amor é tímido, não acompanha ao que vacila
E se o mundo se acabar, que acabe em beijos
👁️ 424
JARDIM SEM FLORES
Busquei nos teus olhos o amor já vivido
Prazer e ventura de felizes primaveras
A alegria e glamour jamais esquecidos
Onde em teu sorriso, feliz sempre eu era
Mas sumiu a ternura que em ti me encantava
Só residem as tristezas e sombras de mágoas
Onde reinavam flores, hoje imperam as chagas
Um jardim de rancores afogado em lágrimas.
Que semente guardaste para a primavera?
Que esperanças alimentam esta tua espera?
Por acaso é o tempo, jardineiro da dor?
Volte às montanhas onde voaram teus cachos
Lá tuas juras e sonhos, tu jogaste ao riacho
Quem sabe entre as pedras um galho brotou?
Prazer e ventura de felizes primaveras
A alegria e glamour jamais esquecidos
Onde em teu sorriso, feliz sempre eu era
Mas sumiu a ternura que em ti me encantava
Só residem as tristezas e sombras de mágoas
Onde reinavam flores, hoje imperam as chagas
Um jardim de rancores afogado em lágrimas.
Que semente guardaste para a primavera?
Que esperanças alimentam esta tua espera?
Por acaso é o tempo, jardineiro da dor?
Volte às montanhas onde voaram teus cachos
Lá tuas juras e sonhos, tu jogaste ao riacho
Quem sabe entre as pedras um galho brotou?
👁️ 543
OBSESSÃO
Com o raiar da aurora surge um novo dia
Quebra os elos da dor e faz nascer poesia
O amor refaz a vida, renasce a alegria
Sepulta os erros e registros de agonia
A esperança brota como um jardim florido
O que se foi não importa, de honra é o vestido
Tudo é perfeito, até que brote a nostalgia
Diante da saudade, a vida se esvazia
Perfumes de agora, já são em tudo renegados
Há sede de estrume, compulsão pelo passado
Pose de garça, voo de águia elegante e ilustre
Mas a mente é de toupeira e o estômago de abutre
Diante da loucura e intrépida insensatez
A razão abandona a pista e cede a vez
Quebra os elos da dor e faz nascer poesia
O amor refaz a vida, renasce a alegria
Sepulta os erros e registros de agonia
A esperança brota como um jardim florido
O que se foi não importa, de honra é o vestido
Tudo é perfeito, até que brote a nostalgia
Diante da saudade, a vida se esvazia
Perfumes de agora, já são em tudo renegados
Há sede de estrume, compulsão pelo passado
Pose de garça, voo de águia elegante e ilustre
Mas a mente é de toupeira e o estômago de abutre
Diante da loucura e intrépida insensatez
A razão abandona a pista e cede a vez
👁️ 420
PACTO DE VIDA
Oh! linda menina de pureza infante
Tão bela e tão doce assim a brilhar
Retrata a beleza de puro diamante
Lapidada nas dores de seu desamar
Teus olhos lampejam o brilho dos sonhos
Que em caminhos medonhos estão a morrer
Mas rega-os as lágrimas de pranto tristonho
Que a novos pensamentos já faz florescer
Palpita a vida, no querer de quem ama
E que busca a façanha, de feliz inda ser
Se aparta das dores e proclama a derrama
Quebra os elos de morte pra de novo viver
Tão bela e tão doce assim a brilhar
Retrata a beleza de puro diamante
Lapidada nas dores de seu desamar
Teus olhos lampejam o brilho dos sonhos
Que em caminhos medonhos estão a morrer
Mas rega-os as lágrimas de pranto tristonho
Que a novos pensamentos já faz florescer
Palpita a vida, no querer de quem ama
E que busca a façanha, de feliz inda ser
Se aparta das dores e proclama a derrama
Quebra os elos de morte pra de novo viver
👁️ 398
GARBO TRISTE
Perdi as minhas cores
Frente aos olhos teus
Só vazios de amores
Tingem os sonhos meus
Nem minha calda garbosa
Recebe um simples olhar
Vive a sina da tosa
Deste teu desprezar
Que me adianta os que olham
E que me acham elegante
Só teus olhos me importam
Que se dane o restante
Frente aos olhos teus
Só vazios de amores
Tingem os sonhos meus
Nem minha calda garbosa
Recebe um simples olhar
Vive a sina da tosa
Deste teu desprezar
Que me adianta os que olham
E que me acham elegante
Só teus olhos me importam
Que se dane o restante
👁️ 378
AMIGOS
Tenho muitos amigos,
Nem ricos e nem pobres, remediados
Pois a sorte, bem pouco lhes deu
Uns brancos, uns pretos uns pardos
Mas são todos melhores que eu
Uns tontos, uns loucos, uns brocos
Que, há muito, seus rumos perderam
Sonharam, casaram, mudaram
Mas poucos de mim esqueceram
Uns sábios, escolados na vida
Os quais eu bem pouco escutei
Pacientes em cuidar das feridas
Que em lutas da vida eu ganhei
A alguns, por descuido, dei mágoas
E pouco arrependimento eu mostrei
Mas hoje eu vos peço com lágrimas
Perdão, meus amigos, eu errei
Nem ricos e nem pobres, remediados
Pois a sorte, bem pouco lhes deu
Uns brancos, uns pretos uns pardos
Mas são todos melhores que eu
Uns tontos, uns loucos, uns brocos
Que, há muito, seus rumos perderam
Sonharam, casaram, mudaram
Mas poucos de mim esqueceram
Uns sábios, escolados na vida
Os quais eu bem pouco escutei
Pacientes em cuidar das feridas
Que em lutas da vida eu ganhei
A alguns, por descuido, dei mágoas
E pouco arrependimento eu mostrei
Mas hoje eu vos peço com lágrimas
Perdão, meus amigos, eu errei
👁️ 430
MAIS UMA FLOR
Seria apenas mais uma flor
Se não tivesse me agarrado às pernas
Seria apenas mais uma flor
Se minha memória não estivesse cheia delas
Seria apenas mais uma flor
Se não me reportasse às ilusões de infância
Seria apenas mais uma flor
Se não fizessem desejar, de novo ser criança
Seria apenas mais uma flor
Se de novo eu não quisesse tê-las
Seria apenas mais uma flor
Se eu não chorasse ao vê-las
Seria apenas mais uma flor
Se não trouxesse consigo a nostalgia
Seria apenas mais uma flor
Se não me lembrasse que já sonhei um dia
Se não tivesse me agarrado às pernas
Seria apenas mais uma flor
Se minha memória não estivesse cheia delas
Seria apenas mais uma flor
Se não me reportasse às ilusões de infância
Seria apenas mais uma flor
Se não fizessem desejar, de novo ser criança
Seria apenas mais uma flor
Se de novo eu não quisesse tê-las
Seria apenas mais uma flor
Se eu não chorasse ao vê-las
Seria apenas mais uma flor
Se não trouxesse consigo a nostalgia
Seria apenas mais uma flor
Se não me lembrasse que já sonhei um dia
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Comentários (2)
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2014-09-07
Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.
2014-09-06
Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço
Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
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