Lista de Poemas

CICLO DO SOL


Nasce risonho o Sol no alvorecer de teus olhos
E neste doce aconchego não quer se levantar
Espreguiça e retorce pra que o dia não chegue
Da jornada tem medo, por de ti se afastar

Ao meio-dia arde o Sol no ausentar de teus olhos
Em febre de ciúmes faz a terra tremer
Onde andam teus olhos, busca em vão até tarde
Em que nuvens de sonhos foram se esconder?

A tarde embriaga-se o Sol pra esquecer os teus olhos
Que alheios e longínquos não lhe notam o sofrer
Perde a graça seu dia em tão cruel abandono
E em penumbra e tristezas só lhe resta o morrer
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ZODÍACO


No zodíaco da minha paixão, toda constelação te exalta, todas as estrelas têm teu brilho e todo o meu céu fala de ti. Lá, a escuridão existe apenas para realçar-te as cores e a lua só brilha por refletir os olhos teus. Nele, o meu destino é ser feliz contigo e no equinócio do amor, todos os teus dias serão meus dias e todas as tuas noites as minhas.
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PORTAS ABERTAS

O meu amor por ti é uma porta aberta
Que a sedução da brisa se arrisca em enfrentar
Nunca tem por dogma, sua volta como certa
Mas apenas por carinho, a ti quer cativar

É um amor sem trancas, juras ou promessas
Firme no compromisso de fazer-te mais feliz
Que a saudade seja de sua volta, a pressa
Para estar comigo, como você sempre quis

É um tanto insano este meu querer louco
De quem ama tanto e deixa assim ao léu
O que mais venera e mais tem paixão

É que paixão mesquinha perde brilho aos poucos
Faz do que foi desejo a amargura e o fel
Quando a insegurança faz do amor prisão
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A COR DA PAIXÃO

Tuas cores não as minhas
Nem pensas assim como eu
Mas vejo-te a minha rainha
E eu, súdito do charme seu

Diferença que tanto me encanta
Que me puxa e me atrai para ti
E até a mim mesmo ela espanta
Com um rubor que jamais eu senti

Do nada me brota a esperança
De que minha vida será bem melhor
Quando de ti eu tiver a fiança
De que voar, nunca mais farei só

Segredos conto aos teus ouvidos
Sem medo, reservas ou senão
Em tudo, fazes-me assim dividido
Entre a lógica, o fascínio e a razão
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SINA DE SEREIA


Observando bem, parece sina, pois a maior parte das sereias se apaixona por um seria.
Seria isso, seria aquilo, mas nunca será nada. Quanto mais seria mais séria é a paixão.
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ADMOESTAÇÃO VAZIA


- Não se detenha em admoestar o tolo, por certo terás como retorno apenas a sua ira.

- Muita antes das pombas as cobras já botavam ovos, cuidado com o que você põe para germinar no aconchego do seu ninho.

- Ante a inflexibilidade da estupidez, sorria apenas. Não se tira do gambá a sua nódoa.

- Quem resiste a admoestação dos que o amam busca, sem perceber, ser um escravo daqueles que o invejam.
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A SAGA DO SACI

Com uma perna só nasceu
Mas mesmo assim feliz viveu
Até que aos bípedes conheceu
E a confiança em si desapareceu

Vazio e só, já não parando em pé
Buscava veemente a si completar
De perna em perna, olhava com fé
Sua perna gêmea haveria de achar

Por fim, uma linda perna lhe apareceu
Bronzeada ao sol, torneada e esbelta
Por certo era um presente de Zeus
De que jornada vinha não interessa

Caminharam juntas, assumiram a empreita
Até que a estrada íngreme se tornou
Ali a perna destra mostrou não ser direita
E sem aviso prévio a marcha abandonou

Saci, em agonia, vê a ilusão cair por terra
Saudades dos tempos em que saltitava só
Mas dono de seu próprio destino ele era
Maldita a hora em que prendeu-se ao xodó

Revolto e triste, já sem ter mais o quer perder
Enche-se da coragem de quem ainda quer viver
E ignorando a dor que uma incisão lhe causará
Arranca num só golpe a perna e volta a saltitar
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EU VI

Eu vi quando a paixão brotou assim do nada
E sem aviso, fez do meu coração morada
Vi como se entregou minh’ alma sem ressalvas
Entorpecida e de forma inconseqüente atordoada

Vi como a paixão cega os olhos da sanidade
Vi como ela transforma cruas mentiras em verdades
Vi como se renova a fé só com base na esperança
E como faz do adulto um sonhador tal qual criança

Vi também como floresce, da dor ervas daninhas
Passada a fantasia, almas voltam a ser mesquinhas
Rudes, cruéis, intrépidas e indomáveis

Vi como a descrença é a sucessora das paixões
Vi como brota o ódio quando sucumbem as ilusões
Em atitudes vis, malignas e deploráveis
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JARDIM SEM FLORES

Busquei nos teus olhos o amor já vivido
Prazer e ventura de felizes primaveras
A alegria e glamour jamais esquecidos
Onde em teu sorriso, feliz sempre eu era

Mas sumiu a ternura que em ti me encantava
Só residem as tristezas e sombras de mágoas
Onde reinavam flores, hoje imperam as chagas
Um jardim de rancores afogado em lágrimas.

Que semente guardaste para a primavera?
Que esperanças alimentam esta tua espera?
Por acaso é o tempo, jardineiro da dor?

Volte às montanhas onde voaram teus cachos
Lá tuas juras e sonhos, tu jogaste ao riacho
Quem sabe entre as pedras um galho brotou?
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JOGO DE MONTAGEM

Quando longe de ti me edifico em sonhos
Imagino-te minha, neste meu delirar
Mas já frente a ti, a suar eu me ponho
Nem ouso sequer a teus olhos mirar

Meu paraíso e também meu vitupério
é este teu charme cruel e ladino
Pois me edifica em olhar de mistérios
Depois abandona e desmonta sorrindo
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Comentários (2)

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2014-09-07

Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

2014-09-06

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço