Lista de Poemas
CICLO DO SOL
E neste doce aconchego não quer se levantar
Espreguiça e retorce pra que o dia não chegue
Da jornada tem medo, por de ti se afastar
Ao meio-dia arde o Sol no ausentar de teus olhos
Em febre de ciúmes faz a terra tremer
Onde andam teus olhos, busca em vão até tarde
Em que nuvens de sonhos foram se esconder?
A tarde embriaga-se o Sol pra esquecer os teus olhos
Que alheios e longínquos não lhe notam o sofrer
Perde a graça seu dia em tão cruel abandono
E em penumbra e tristezas só lhe resta o morrer
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ZODÍACO
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PORTAS ABERTAS
O meu amor por ti é uma porta aberta
Que a sedução da brisa se arrisca em enfrentar
Nunca tem por dogma, sua volta como certa
Mas apenas por carinho, a ti quer cativar
É um amor sem trancas, juras ou promessas
Firme no compromisso de fazer-te mais feliz
Que a saudade seja de sua volta, a pressa
Para estar comigo, como você sempre quis
É um tanto insano este meu querer louco
De quem ama tanto e deixa assim ao léu
O que mais venera e mais tem paixão
É que paixão mesquinha perde brilho aos poucos
Faz do que foi desejo a amargura e o fel
Quando a insegurança faz do amor prisão
Que a sedução da brisa se arrisca em enfrentar
Nunca tem por dogma, sua volta como certa
Mas apenas por carinho, a ti quer cativar
É um amor sem trancas, juras ou promessas
Firme no compromisso de fazer-te mais feliz
Que a saudade seja de sua volta, a pressa
Para estar comigo, como você sempre quis
É um tanto insano este meu querer louco
De quem ama tanto e deixa assim ao léu
O que mais venera e mais tem paixão
É que paixão mesquinha perde brilho aos poucos
Faz do que foi desejo a amargura e o fel
Quando a insegurança faz do amor prisão
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A COR DA PAIXÃO
Tuas cores não as minhas
Nem pensas assim como eu
Mas vejo-te a minha rainha
E eu, súdito do charme seu
Diferença que tanto me encanta
Que me puxa e me atrai para ti
E até a mim mesmo ela espanta
Com um rubor que jamais eu senti
Do nada me brota a esperança
De que minha vida será bem melhor
Quando de ti eu tiver a fiança
De que voar, nunca mais farei só
Segredos conto aos teus ouvidos
Sem medo, reservas ou senão
Em tudo, fazes-me assim dividido
Entre a lógica, o fascínio e a razão
Nem pensas assim como eu
Mas vejo-te a minha rainha
E eu, súdito do charme seu
Diferença que tanto me encanta
Que me puxa e me atrai para ti
E até a mim mesmo ela espanta
Com um rubor que jamais eu senti
Do nada me brota a esperança
De que minha vida será bem melhor
Quando de ti eu tiver a fiança
De que voar, nunca mais farei só
Segredos conto aos teus ouvidos
Sem medo, reservas ou senão
Em tudo, fazes-me assim dividido
Entre a lógica, o fascínio e a razão
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SINA DE SEREIA
Seria isso, seria aquilo, mas nunca será nada. Quanto mais seria mais séria é a paixão.
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ADMOESTAÇÃO VAZIA
- Não se detenha em admoestar o tolo, por certo terás como retorno apenas a sua ira.
- Muita antes das pombas as cobras já botavam ovos, cuidado com o que você põe para germinar no aconchego do seu ninho.
- Ante a inflexibilidade da estupidez, sorria apenas. Não se tira do gambá a sua nódoa.
- Quem resiste a admoestação dos que o amam busca, sem perceber, ser um escravo daqueles que o invejam.
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A SAGA DO SACI
Com uma perna só nasceu
Mas mesmo assim feliz viveu
Até que aos bípedes conheceu
E a confiança em si desapareceu
Vazio e só, já não parando em pé
Buscava veemente a si completar
De perna em perna, olhava com fé
Sua perna gêmea haveria de achar
Por fim, uma linda perna lhe apareceu
Bronzeada ao sol, torneada e esbelta
Por certo era um presente de Zeus
De que jornada vinha não interessa
Caminharam juntas, assumiram a empreita
Até que a estrada íngreme se tornou
Ali a perna destra mostrou não ser direita
E sem aviso prévio a marcha abandonou
Saci, em agonia, vê a ilusão cair por terra
Saudades dos tempos em que saltitava só
Mas dono de seu próprio destino ele era
Maldita a hora em que prendeu-se ao xodó
Revolto e triste, já sem ter mais o quer perder
Enche-se da coragem de quem ainda quer viver
E ignorando a dor que uma incisão lhe causará
Arranca num só golpe a perna e volta a saltitar
Mas mesmo assim feliz viveu
Até que aos bípedes conheceu
E a confiança em si desapareceu
Vazio e só, já não parando em pé
Buscava veemente a si completar
De perna em perna, olhava com fé
Sua perna gêmea haveria de achar
Por fim, uma linda perna lhe apareceu
Bronzeada ao sol, torneada e esbelta
Por certo era um presente de Zeus
De que jornada vinha não interessa
Caminharam juntas, assumiram a empreita
Até que a estrada íngreme se tornou
Ali a perna destra mostrou não ser direita
E sem aviso prévio a marcha abandonou
Saci, em agonia, vê a ilusão cair por terra
Saudades dos tempos em que saltitava só
Mas dono de seu próprio destino ele era
Maldita a hora em que prendeu-se ao xodó
Revolto e triste, já sem ter mais o quer perder
Enche-se da coragem de quem ainda quer viver
E ignorando a dor que uma incisão lhe causará
Arranca num só golpe a perna e volta a saltitar
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EU VI
Eu vi quando a paixão brotou assim do nada
E sem aviso, fez do meu coração morada
Vi como se entregou minh’ alma sem ressalvas
Entorpecida e de forma inconseqüente atordoada
Vi como a paixão cega os olhos da sanidade
Vi como ela transforma cruas mentiras em verdades
Vi como se renova a fé só com base na esperança
E como faz do adulto um sonhador tal qual criança
Vi também como floresce, da dor ervas daninhas
Passada a fantasia, almas voltam a ser mesquinhas
Rudes, cruéis, intrépidas e indomáveis
Vi como a descrença é a sucessora das paixões
Vi como brota o ódio quando sucumbem as ilusões
Em atitudes vis, malignas e deploráveis
E sem aviso, fez do meu coração morada
Vi como se entregou minh’ alma sem ressalvas
Entorpecida e de forma inconseqüente atordoada
Vi como a paixão cega os olhos da sanidade
Vi como ela transforma cruas mentiras em verdades
Vi como se renova a fé só com base na esperança
E como faz do adulto um sonhador tal qual criança
Vi também como floresce, da dor ervas daninhas
Passada a fantasia, almas voltam a ser mesquinhas
Rudes, cruéis, intrépidas e indomáveis
Vi como a descrença é a sucessora das paixões
Vi como brota o ódio quando sucumbem as ilusões
Em atitudes vis, malignas e deploráveis
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JARDIM SEM FLORES
Busquei nos teus olhos o amor já vivido
Prazer e ventura de felizes primaveras
A alegria e glamour jamais esquecidos
Onde em teu sorriso, feliz sempre eu era
Mas sumiu a ternura que em ti me encantava
Só residem as tristezas e sombras de mágoas
Onde reinavam flores, hoje imperam as chagas
Um jardim de rancores afogado em lágrimas.
Que semente guardaste para a primavera?
Que esperanças alimentam esta tua espera?
Por acaso é o tempo, jardineiro da dor?
Volte às montanhas onde voaram teus cachos
Lá tuas juras e sonhos, tu jogaste ao riacho
Quem sabe entre as pedras um galho brotou?
Prazer e ventura de felizes primaveras
A alegria e glamour jamais esquecidos
Onde em teu sorriso, feliz sempre eu era
Mas sumiu a ternura que em ti me encantava
Só residem as tristezas e sombras de mágoas
Onde reinavam flores, hoje imperam as chagas
Um jardim de rancores afogado em lágrimas.
Que semente guardaste para a primavera?
Que esperanças alimentam esta tua espera?
Por acaso é o tempo, jardineiro da dor?
Volte às montanhas onde voaram teus cachos
Lá tuas juras e sonhos, tu jogaste ao riacho
Quem sabe entre as pedras um galho brotou?
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JOGO DE MONTAGEM
Quando longe de ti me edifico em sonhos
Imagino-te minha, neste meu delirar
Mas já frente a ti, a suar eu me ponho
Nem ouso sequer a teus olhos mirar
Meu paraíso e também meu vitupério
é este teu charme cruel e ladino
Pois me edifica em olhar de mistérios
Depois abandona e desmonta sorrindo
Imagino-te minha, neste meu delirar
Mas já frente a ti, a suar eu me ponho
Nem ouso sequer a teus olhos mirar
Meu paraíso e também meu vitupério
é este teu charme cruel e ladino
Pois me edifica em olhar de mistérios
Depois abandona e desmonta sorrindo
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Comentários (2)
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Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.