Escritas

Lista de Poemas

APENAS POR GOSTAR





Por gostar de ti ...
Verei nos teus olhos o arrepender de enganos
Sentirei as tuas dores como se minhas fossem

Priorizarei tuas necessidade às minhas
Farei do teu sorriso a minha canção
Verei no nosso envelhecer uma suave valsa 


Por gostar de mim ...
Entenderei em teus olhos, quando não mais me quiseres
E partirei calado, ainda que de mágoas ressentido
Sufocarei a saudade e irei na busca de outros olhos
E farei da tua lembrança apenas uma pluma ao vento
👁️ 405

AMOR À PRIMEIRA VISTA


Umedecidos em dor pelo sofrer do puerpério
De brilho incandescente envoltos em mistérios
Aqueles olhos saudaram assim minha chegada
Como sois de amor na minha primeira alvorada

Celeste anjo de luz a receber-me em vida
Neste olhar de mãe acho sempre a guarida
Em todos os pesares, ardis e sofrimentos
Eterno pacto de amor, não só momentos

Olhos que brilham assim repletos de ternura
Mesmo quando a mim cabe apenas a censura
E quando a noite escurece e ressurge o pavor
Ainda nos olhos da mãe irradia o doce amor



👁️ 368

CASAMENTO EM DUBAI



Alguns casamentos são como Dubai, a mulher vive de arquitetar estruturas mirabolantes e o marido a se matar em cálculos de engenharia para equilibrar os recursos.
As loucuras se repetem e aumentam até o dia em um prédio desaba.

👁️ 370

THE TIME



De repente, não quero nem saber porque,
Veio pedir-me um tempo entre eu e você.
Estremeci. Já não carecia mais explicação,
Um vácuo entre Ti e Me, surgiu então.

Já não precisava mais achar resposta
O desfazer do amor é chaga exposta.
A liberdade é o risco que o amor assume
Mas tudo escurece no apagar do lume

Quando se pede um “time”, de fato o time acaba
Fenecem as flores e brotam agora as mágoas
O relógio do amor para naquele exato momento
Passam a marcar o tempo a dor e ressentimentos
👁️ 366

A ROSA VERMELHA




  1. Pulei a cerca, a rosa eu apanhei com mui cuidado
    E bem acomodada a pus no fundo da maleta
    Meu coração pulava fazendo sacudir a camiseta
    Como quem carregava no bojo algo sagrado

    Nem sei como cheguei aquele dia à escola
    Mais rubro estava que a rosa que eu roubara
    Tremia como bambu que o vento assola
    E o meu suar contínuo já tudo denunciava

    Mas não podia recuar - Quem ama ousa,
    Ainda que insana seja a sua atitude

    Há muito já não pensava em outra coisa
    Senão o declarar de meu amor solicitude

    Mas quem seria assim a venerada donzela,
    Que desmoronava assim o meu juízo?
    Digo-vos: deste mundo a mulher mais bela

    Que fazia de qualquer lugar o paraíso

    Encanto assim, eu não ousaria descrevê-lo
    Nenhuma beleza à dela já passou perto
    Mas na luz do arco-íris, ainda a percebo
    Pois o Sol sempre sorri ao vê-la, é certo

    Cheguei cedo, bem antes da hora que o sino soa
    Deixei a encomenda à mesa, e me sentei calado
    Mas na chamada, quando me chamou a professora
    Já não pude responder, estava embasbacado!
👁️ 389

COPO DE LEITE



Meu copo de leite, tingido de dor
Tão belo, esplêndido, repleto de amor
Perdestes tão cedo, sua nívea cor
Sonho pueril que em paixão se tornou

Este copo de leite, em meu jardim nasceu
Feliz, displicente, em beleza cresceu
Seu charme de prata, adoçado por Zeus
Por outro se derrama, oh martírios meus!

Oh rubro copo de amores, sumo de uma paixão,
És minha flor fantasia e de meu choro a razão.
Oh sacro copo de leite, que nunca tive nas mãos
Enlouquecestes minh'alma, mataste meu coração

👁️ 414

FESTA DEPOIS DOS 100




Ela enfeita a casa todinha
Compra pizza, balões e velinhas
E se põe a festejar

Nem ela sabe o que canta
Vem sempre um nó na garganta
E logo ela põe-se a chorar

A sós com Deus comemora
Há muito, filhos, netos e noras
Não querem com ela falar

Setenta e três faz de fato
Os cem, ela acrescenta por hábito
Pra sua dor expressar

Há muito está sem marido,
Sem netos, sem amigos e sem filhos
Sem um telefone a tocar

Já faz 100 desde os cinqüenta
Suas festas são em roxo e magenta
Dor e tristexa sem par

Sem vida, sem sonhos, sem carinho
Sua festa é um escárnio ao ninho
Que um dia em amor quis montar
👁️ 373

INTRIGAS DO SONO



Nem sempre a noite é amiga do sono
Rusgam, às vezes, em intriga atroz
Morfeu nos entrega ao vil abandono
Quando noutro canto alguém pensa em nós

Às vezes tu encontras alguém cabisbaixo
Com olheiras soturnas que de longe se vê
Não aguce o reparo nem lhe cause embaraço
Pode ser que esta noite ele velou por você
👁️ 920

MARGARIDA



Ah! Margarida......
Que me realça as cores
Que me tinge de amores
E que me faz sonhar

Ah! Margarida....
Que enfeita os meus campos
Que me enxuga o pranto
E faz-me delirar

Ah! Margarida.....
Que dá vida aos meus sonhos
E ao meu viver tristonho
Consegue alegrar

Ah! Margarida .....
Mais bela flor nascida
Contigo doce é a vida
Apraz-me nela estar
👁️ 461

SONHO E QUEDA REGISTRADOS EM PEDRAS



A casa não era grande, mas era forte, construída em concreto e pedra. Ma verdade, eu temia que lobos e linces invadissem a minha casa durante a noite. Coisa que nunca tentaram. De qualquer forma, melhor era prevenir. Paredes fortes, portas e janelas de Ipê , além de travas e um pequeno porão subterrâneo com portas de aço. O lugar era nativo, destes que a gente sonha quando assiste filmes de faroeste. Era uma linda savana, que na primavera se revestia de flores parecendo um tapete persa. O rio ficava ao lado, a uns 200 metros da casa. Preferi fazer a casa mais distante e num altiplano temendo alguma enchente. Esta nunca aconteceu, as chuvas sempre forram constantes, mas regulares. Nunca me preocupei com a beleza da casa. Na verdade nossa casa era o jardim, lá comíamos e passávamos a maior parte do tempo.

Tínhamos tudo e nada, Tudo porque não havia lugar mais belo no mundo e nada porque, exceto uma geladeira a gás, tudo o mais era desnecessário. Televisão, computador e automóvel eram coisa inconcebíveis às nossas necessidades. Alguns vizinhos, na outra margem do rio e uma aldeia onde comprávamos os nossos suprimentos, sal, açúcar, e grãos, a apenas uma hora de barco à vela. Tudo corria assim tão belo, até que um dia...

Um dia chegou a Marcela, prima de minha amada. Veio da capital, por recomendação médica, passar uns dias no campo. Ela não era uma pessoa má, mas trazia no bojo o vírus da insaciabilidade. Nem ela mesma sabia, mas já estava morrendo por este motivo. Embora tivesse um bom salário vivia sempre planejando um futuro mais abastado. Seu verbo preferido era “trocar”. Trocar o apartamento, trocar o carro, trocar de cidade, trocar de emprego, etc. Coitada! A vida estava sempre longe do seu braço, embora possuísse um invejável equipamento de pesca. Um lindo corpo, bom emprego, bom salário, bom marido, lindos filhos e um ótimo apartamento de classe média, o qual acabara de ser reformado, pela terceira vez nos últimos cinco anos. Era algo compulsivo, ela vivia pra TV e a TV para ela. Tudo era bom até que um especialista da TV dissesse o contrário. Trouxe mais remédios na mala do que roupas para se vestir. Era comprimidos para prevenir celulites, para emagrecer , para amaciar o cabelo, e outros que nem ela sabia pra que, mas usava por recomendações de amigas. As vezes, o diabo veste prata, foi esta a cor da roupa que ela chegou, num salto extravagante como se fosse caminhar na passarela. Mas não o fez por mal, esta era sempre a sua indumentária. Não aguentou dois dias na nossa modesta casa. Tudo lhe era incômodo, mesmo a gente se desdobrando em paparicos. Mas estes dois dias foram suficientes para causar um estrago equivalente ao tsunami em Fukushima. Depois de dois dias, o vírus já havia se propagado.

Naquele dia eu me lembrei da caserna, lembrei-me do dia eu que eu assisti a expulsão de um tenente. Nunca tinha visto algo tão horrível. Ele estava de pé diante a tropa, quando o General rufaram os tambores. Primeiro o Bumbo, depois o surdo, e por fim o tarol. Os toques começaram fortes e rápidos, depois foram ficando lentos e pausados, como alguém que perde o fôlego. Em um movimento brusco, o general arrancou as medalhas e insígnias do uniforme do tenente, depois dois sargentos lhe rasgaram a farda em golpes bruscos de canivete, deixando-o apenas em trajes menores. Foi quando então a corneta cortou o céu com um piado triste e fúnebre, para que o pelotão lhe virasse as costas e o tenente fosse arrastado ao calabouço pelo corpo da guarda. Assim me achei naquele dia, o tenente em seu desterro. De repente, as pradarias perderam o encanto, a casa virou tapera, a tranquilidade um tédio, os amigos uns chatos, a natureza um presídio, os filhos uns farrapos, eu um incompetente e a visão do rio apenas um pesadelo. Tem horas que a nossa lama foge da gente e ficamos inertes a imaginar que estamos em um sonho, e que logo acordaremos. Mas era real, O céu desabou sobre mim como o Vesúvio em Pompeia. Já não havia onde refugiar-me. As vezes uma montanha de sonhas traz em seu bojo um vulcão adormecido. Calei-me, fui até o rio e pensei: a enchente que eu tanto evitei pegou-me de surpresa e no seu banzeiro não me sobrara nada, quem sabe a minha dignidade.

👁️ 434

Comentários (2)

Iniciar sessão ToPostComment
2014-09-07

Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

2014-09-06

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço