Lista de Poemas

MÃOS SEM ROSTO

Que as minhas mãos abençoem

Não porque são minhas, mas porque sob a Tuas estejam
Que a minha boca abençoe
Não que ela seja boa, mas que a Tua voz em mim ecoe
Que a minha voz emudeça
Para que eu não me glorie em mim, mas que em Ti eu cresça
Que meu caminhar não fraqueje
Não que eu seja forte, mas que eu em Ti permaneça

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MEDIDA DO AMOR 


Falar de amor é difícil, mas amar é muito mais difícil ainda. O maior sermão de Cristo ficou estampado na cruz, expresso em sangue e sofrimento. Palavras lindas nos cativam, mas as atitudes sinceras nos prendem eternamente. O verdadeiro amor se manifesta quase sempre em gestos anônimos, em lágrimas discretas e nunca em grandes discursos. Um abraço apertado e o soluço nos ombros expressam o que um livro inteiro não poderia conter.

Quase sempre o amor é medido em saudade, mas esta é uma medida cruel de sentimentos. Deveríamos preferir medir o amor em número de visitas, em chamadas no Watzap, em quantidade de conversas fiadas, em quinquilharias de camelôs e em outras manifestações simples de carinho que nada têm a ver como o valor do brinde nem com a importância do assunto apresentado, mas simplesmente para dizer o quanto esta pessoa representa para nós. Dizer que sem a presença dela a vida já não será a mesma e um vazio intenso de saudades será marca de sua ausência, a qual não queremos nunca estar preparados para padecer.

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HIPÉRBOLE DO AMOR

Vida da minha distante

Em outro quadrante a brilhar
Linhas curvas e insinuantes
Razão do meu delirar

Olhos se curvam em anelo
Função do amor a traçar
Sonhos, distintos e paralelos,
Vão no infinito se encontrar

Focos distintos e ligados
Por atração e amor
Mas cada foco tem lado
Numa simetria de flor

Sai do espaço imaginário
Alegrias de um sonhador
Desejos e borrões tracejados
Mas em sintonia de amor

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PROSA EM ROSA

A cor dá rosa se a mistura é vermelho e branco
A corda rosa prende em ciúmes e gera o pranto
Acorda rosa! O dia raiou, ja é seu o momento
A cor-de-rosa é prá românticos: encantamento
E a cor das rosas revela profundos sentimentos

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FLORES DAS ESTAÇÕES


As flores que deixei cair, vento medonho as levou
As pétaças não recolherei, mas plantarei nova flor

Dos dias que não vivi, o tempo fez refeição
Aproveitarei a alvorada e viverei a estação

Águas passadas se foram em corredeiras de dor
Mas na montanha ainda brota, límpidas águas de amor

Pra os dias que nascem frios, deu-me meu Deus cobertor
E para as noites brilhantes, sonhos de estrelas e de amor

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ERA DE FÉ

Era um mundo difícil, lá só havia esperança

Inóspito e triste, cruel pra qualquer criança
Sem água, sem gás, sob a luz das lamparinas
Roupas em trapos, teto roto, comida à míngua

Era um mundo difícil, mas ali éramos irmãos
Na catapora, sarampo, tosse e frio da estação
Unidos na enxurrada, no compartilhar do cobertor
No acordar da madrugada, chorar com alguém sua dor

Ter a mesma fé dos pais, regada em dor e sofrimento
Dividindo o pão com alegria, unidos nos sentimentos
Notícias, chegavam poucas, mas nos faziam acreditar
Que o País seria justo, mas que uma pátria, um lar

Críamos na Pátria sagrada e no futuro da nação
Tribuno era gente honrada, bandido vivia em prisão
Nossos heróis cultuados, exemplos a se seguir
Políticos não eram comprados, havia fé no porvir

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OLHOS NOS OLHOS

Em matéria de amor, o que se escreve é pra publicidade, o que a boca fala é só a metade, mas o que os olhos dizem é sempre a verdade!

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SALTO DO ITIQUIRA

Oh cascata mui fria de tão doce encanto

Que ecoa no valado, ao seu despencar

Que capta as lágrimas de mil desencantos

De amores perdidos, que ali vão chorar


Suas águas em neblina se estendem no vale

Umedecem as tristezas pra fazer aflorar

Chagas ressequidas e feridas de males

De amores desfeitos, mas ainda a queimar


Seu manto sagrado consola aos amantes

E lava-lhes o pranto sem os recriminar

Devolve-lhes suas almas, curadas o bastante

Pra que novas venturas ainda ousem sonhar

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DOCE AMOR

Não conheci a dor antes dos teus olhos

Mas somente neles eu aprendi voar
Nem sai das flores a colher os molhos
Antes de em teu sorriso eu me encantar

Não via eu da lua o prateado encanto
E nem nas estrelas quão doce é sonhar
Nem a amargura que envolve o pranto
Quando noutros olhos os teus vão pousar

Do mel a doçura que teus lábios emana
Nenhuma colmeia a pôde imitar
Nem melhor repouso acha a alma humana
Do quem em teu regaço dormir e sonhar


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DEZ APEGOS

Apego-me a vida, quão doce é o viver
Apego-me aos amigos, parceiros na lida
Apego-me a escola, lá posso aprender
Apego-me ao leito, lá deixo a fadiga

Apego-me a família, meu sangue a correr
Apego-me a Terra, pérola única no universo
Apego-me ao trabalho, donde vem meu suster
Apego-me as artes, razão dos meus versos

Apego-me ao lar, amor e paixão
Apego-me a Deus, minha salvação
A estes me agarro com força total

Porém chega o dia que tudo se esvazia
No desapego agonia, acaba-se a poesia
Só em Deus a alegria e meu apego final

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Comentários (2)

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2014-09-07

Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

2014-09-06

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço

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