Lista de Poemas
VERSOS D'ALCOVA
Ainda em meio ao banho, por espelhos,
Te observava os reflexos no azulejo.
Desnuda-se a beleza n’um lampejo:
Curvas d’ombros, seios, nádegas, joelhos...
Mas, se paixões desdenham de conselhos,
Baldo é ditar razões contra o desejo…!
Ao toque de meus dedos, suave arpejo,
Deixaste nossos corpos já parelhos.
Logo não serei mais do que a loucura
De, ávido, m’embriagar da formosura
De tuas nuas curvas femininas.
Após, abandonado sobre a alcova,
Com teus olhos nos meus eu me comova,
Revendo o teu prazer pelas retinas.
Belo Horizonte – 02 02 1992
Te observava os reflexos no azulejo.
Desnuda-se a beleza n’um lampejo:
Curvas d’ombros, seios, nádegas, joelhos...
Mas, se paixões desdenham de conselhos,
Baldo é ditar razões contra o desejo…!
Ao toque de meus dedos, suave arpejo,
Deixaste nossos corpos já parelhos.
Logo não serei mais do que a loucura
De, ávido, m’embriagar da formosura
De tuas nuas curvas femininas.
Após, abandonado sobre a alcova,
Com teus olhos nos meus eu me comova,
Revendo o teu prazer pelas retinas.
Belo Horizonte – 02 02 1992
👁️ 186
NEVES ETERNAS
O topo alcantilado da montanha,
Visto desde as estepes quase infindas,
Vem dar ao aventureiro boas-vindas
E após sua jornada ele acompanha.
Parte em caminhada assim tamanha
Em meio aos sós "aondes?..." ou aos "aindas!..."
Buscando as panorâmicas mais lindas,
Qual tesouros que ao léu a si apanha.
Alheio às incertezas do inaudito,
Nosso herói tomará o longo aclive
E um destino que temos por maldito.
Alcance a morte quem ousado vive,
Mas no topo estará ainda escrito
Junto a seu nome e a data: "Aqui estive".
Belo Horizonte – 10 01 2005
Visto desde as estepes quase infindas,
Vem dar ao aventureiro boas-vindas
E após sua jornada ele acompanha.
Parte em caminhada assim tamanha
Em meio aos sós "aondes?..." ou aos "aindas!..."
Buscando as panorâmicas mais lindas,
Qual tesouros que ao léu a si apanha.
Alheio às incertezas do inaudito,
Nosso herói tomará o longo aclive
E um destino que temos por maldito.
Alcance a morte quem ousado vive,
Mas no topo estará ainda escrito
Junto a seu nome e a data: "Aqui estive".
Belo Horizonte – 10 01 2005
👁️ 168
POR VIA DE REGRA, para Marielle Franco
Com efeito, era negra e era mulher.
Estatisticamente, o seu lugar
Não era este que soube ela ocupar,
Incomodando os donos do poder.
Dignou-se pela coragem e o saber
E quantos a ela vieram destratar
Antes tinham em mente lhe calar,
Que verdadeiramente algo a dizer...
Aquela linda e sábia mulher negra
Fora a exceção que só confirma a regra
De ser o mundo para alguns somente.
Inobstante, nem mesmo a sua morte
Há-de calar-lhe a voz sempre mais forte:
Marielle, mulher eleita — "Presente!".
Belo Horizonte - 04 10 2018
Estatisticamente, o seu lugar
Não era este que soube ela ocupar,
Incomodando os donos do poder.
Dignou-se pela coragem e o saber
E quantos a ela vieram destratar
Antes tinham em mente lhe calar,
Que verdadeiramente algo a dizer...
Aquela linda e sábia mulher negra
Fora a exceção que só confirma a regra
De ser o mundo para alguns somente.
Inobstante, nem mesmo a sua morte
Há-de calar-lhe a voz sempre mais forte:
Marielle, mulher eleita — "Presente!".
Belo Horizonte - 04 10 2018
👁️ 6
AS AMAZONAS
Nuas, as duas belas se entreolharam,
Entregues aos prazeres mais proibidos.
Na embriaguez de desejos escondidos.
Admiradas de si, elas se amaram.
Logo os lábios das lésbias se tocaram.
E seus mamilos já intumescidos,
Como se figos alvos bem crescidos,
Uma à outra, dulcíssimos, beijaram.
Orvalhados os sexos, já arfantes
Se trocavam carícias delirantes
Com ardores e gozos inclementes.
Amazonas, guerreiras do amor,
Cavalgam-se com tríbade furor,
Para juntas tombarem inconscientes...
Belo Horizonte - 09 07 1993
Entregues aos prazeres mais proibidos.
Na embriaguez de desejos escondidos.
Admiradas de si, elas se amaram.
Logo os lábios das lésbias se tocaram.
E seus mamilos já intumescidos,
Como se figos alvos bem crescidos,
Uma à outra, dulcíssimos, beijaram.
Orvalhados os sexos, já arfantes
Se trocavam carícias delirantes
Com ardores e gozos inclementes.
Amazonas, guerreiras do amor,
Cavalgam-se com tríbade furor,
Para juntas tombarem inconscientes...
Belo Horizonte - 09 07 1993
👁️ 154
O OLHO DE HÓRUS
O olho que a tudo vê, segundo diz
Todo aquele em mistérios iniciado,
Evoca do deus morto-e-reencarnado
A vingança contra o mal e seus ardis.
O olho que olha nos olhos do infeliz
E os atravessa a ver o que guardado:
Vidente do futuro e do passado,
Faz contemplar dos mortos seu país.
É quem sabe da vida após a morte,
N’um olhar que, profundo, nos conforte,
Até partirmos com ou sem revolta.
Pois símbolo d’aquilo que ninguém
Tem resposta quando olha para o Além…
N'ele, o Além para nós olha de volta.
Ouro Preto - 11 12 2022
Todo aquele em mistérios iniciado,
Evoca do deus morto-e-reencarnado
A vingança contra o mal e seus ardis.
O olho que olha nos olhos do infeliz
E os atravessa a ver o que guardado:
Vidente do futuro e do passado,
Faz contemplar dos mortos seu país.
É quem sabe da vida após a morte,
N’um olhar que, profundo, nos conforte,
Até partirmos com ou sem revolta.
Pois símbolo d’aquilo que ninguém
Tem resposta quando olha para o Além…
N'ele, o Além para nós olha de volta.
Ouro Preto - 11 12 2022
👁️ 137
O OLHO DE HÓRUS
O olho que a tudo vê, segundo diz
Todo aquele em mistérios iniciado,
Evoca do deus morto-e-reencarnado
A vingança contra o mal e seus ardis.
O olho que olha nos olhos do infeliz
E os atravessa a ver o que guardado:
Vidente do futuro e do passado,
Faz contemplar dos mortos seu país.
É quem sabe da vida após a morte,
N’um olhar que, profundo, nos conforte,
Até partirmos com ou sem revolta.
Pois símbolo d’aquilo que ninguém
Tem resposta quando olha para o Além…
N'ele, o Além para nós olha de volta.
Ouro Preto - 11 12 2022
Todo aquele em mistérios iniciado,
Evoca do deus morto-e-reencarnado
A vingança contra o mal e seus ardis.
O olho que olha nos olhos do infeliz
E os atravessa a ver o que guardado:
Vidente do futuro e do passado,
Faz contemplar dos mortos seu país.
É quem sabe da vida após a morte,
N’um olhar que, profundo, nos conforte,
Até partirmos com ou sem revolta.
Pois símbolo d’aquilo que ninguém
Tem resposta quando olha para o Além…
N'ele, o Além para nós olha de volta.
Ouro Preto - 11 12 2022
👁️ 161
INDECÊNCIAS
Mais promete a beleza da mulher
Quando faz recordar doces prazeres,
Mostrando os ombros nus entre afazeres
Para acender-me os olhos de querer.
Parece em me atentar mais s’entreter,
Certa de ter em mim novos lazeres.
Na ânsia de devorar-me sem talheres,
Chega perto demais por m’envolver:
Encosta no seu colo a minha face
De modo que ao virar-me (se eu ousasse…!)
Teria já meus lábios no seu sexo…
E depois de entreabrir o seu decote,
Chegaria fungando em meu cangote
Para me balbuciar coisas sem nexo…
Belo Horizonte - 13 08 1999
Quando faz recordar doces prazeres,
Mostrando os ombros nus entre afazeres
Para acender-me os olhos de querer.
Parece em me atentar mais s’entreter,
Certa de ter em mim novos lazeres.
Na ânsia de devorar-me sem talheres,
Chega perto demais por m’envolver:
Encosta no seu colo a minha face
De modo que ao virar-me (se eu ousasse…!)
Teria já meus lábios no seu sexo…
E depois de entreabrir o seu decote,
Chegaria fungando em meu cangote
Para me balbuciar coisas sem nexo…
Belo Horizonte - 13 08 1999
👁️ 182
NARCOLÉPTICO
O dia passa como se enevoado
Co'os olhos entreabertos, salvo engano.
N'um desarranjo de ciclo circadiano,
Caminho de mim mesmo alienado.
Atravesso o expediente anestesiado,
Visto incomunicável n'outro plano.
Em pleno abandono do quotidiano,
Arrasto-me de espírito alquebrado.
Cochilo entre vozes dissonantes
A discutir assuntos importantes,
Enquanto eu me congraço em evadir.
Fantasma pelo mundo material,
Pareço errar em busca d'um final
À minha nulidade de existir.
Betim - 18 11 1997
Co'os olhos entreabertos, salvo engano.
N'um desarranjo de ciclo circadiano,
Caminho de mim mesmo alienado.
Atravesso o expediente anestesiado,
Visto incomunicável n'outro plano.
Em pleno abandono do quotidiano,
Arrasto-me de espírito alquebrado.
Cochilo entre vozes dissonantes
A discutir assuntos importantes,
Enquanto eu me congraço em evadir.
Fantasma pelo mundo material,
Pareço errar em busca d'um final
À minha nulidade de existir.
Betim - 18 11 1997
👁️ 167
ANTEPENÚLTIMO
A cada passo mais perto do fim
Caminho inopinado para o nada.
De ânsia apenas se fez a minha estrada,
Onde nenhuma glória coube a mim.
Parto tão fracassado quanto vim
À luz do vasto mundo… Na jornada,
Vi o vento apagar cada pegada,
Indiferente até se não ou sim.
Mais convém ao idealista a fantasia,
Embora a realidade a cada dia
Se imponha sobre os sonhos e os desejos.
No fim das contas, tudo é mais do mesmo:
Atravessei desertos andando a esmo,
A ter de fogos fátuos seus lampejos…
Belo Horizonte- 15 11 2022
Caminho inopinado para o nada.
De ânsia apenas se fez a minha estrada,
Onde nenhuma glória coube a mim.
Parto tão fracassado quanto vim
À luz do vasto mundo… Na jornada,
Vi o vento apagar cada pegada,
Indiferente até se não ou sim.
Mais convém ao idealista a fantasia,
Embora a realidade a cada dia
Se imponha sobre os sonhos e os desejos.
No fim das contas, tudo é mais do mesmo:
Atravessei desertos andando a esmo,
A ter de fogos fátuos seus lampejos…
Belo Horizonte- 15 11 2022
👁️ 181
ESPERANÇOSO
Um pouco antes do dia amanhecer,
Cantam os passarinhos ao redor.
Tudo parece em paz e até melhor,
Renovado ao que quer que venha a ser.
Mais um dia de vida p’ra viver;
Mais uma hora vivida para o amor…
Enquanto a solidão torna maior
A consciência de si em cada ser.
Espero pelo sol que não demora,
Embevecido pela rósea aurora
Que enche de matizes todo o céu.
E ao concerto fugaz dos passarinhos
Eu contemplo os sinais circunvizinhos,
Enchendo de impressões outro papel…
Betim - 27 09 2022
Cantam os passarinhos ao redor.
Tudo parece em paz e até melhor,
Renovado ao que quer que venha a ser.
Mais um dia de vida p’ra viver;
Mais uma hora vivida para o amor…
Enquanto a solidão torna maior
A consciência de si em cada ser.
Espero pelo sol que não demora,
Embevecido pela rósea aurora
Que enche de matizes todo o céu.
E ao concerto fugaz dos passarinhos
Eu contemplo os sinais circunvizinhos,
Enchendo de impressões outro papel…
Betim - 27 09 2022
👁️ 2
Comentários (5)
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❈ 𝐿𝓊𝒸𝒾𝒶𝓃𝒶 𝒜. 𝒮𝒸𝒽𝓁𝑒𝒾 ❈
2024-11-27
Lindos poemas ,meu caro!
Maria Antonieta Matos
2022-03-11
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns<br />
edu2018
2018-06-11
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
namastibet
2018-04-21
bom vê-lo por aqui
rosafogo
2017-12-27
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
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