Lista de Poemas

Apenas o fim

Escrito na cidade de Souza – PB, em 09 de outubro de 1989
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
 
Apenas o fim!
Imemorável, minucioso...
Uma minúscula, mísera vida
Partícula de um ser colosso.
 
- E as paixões, os amores?
São sonhos, são flores
Espinhos, desamores...
Ofegante torpor.
 
- A vida?
São blocos prostrados no deserto
Cravados, sem ao certo ter
Uma mão ou um coração,
Que afague sua ferida.

                            Rerismar Lucena
👁️ 402

Dupla face

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 21 de março de 1990, às 08hs25’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
 
Existem tantas outras avalias
No desempenho de uma face oculta
Abrangente em suas evidências
Tão fortes como catapulta.
 
Na ação qualitativa, um fato.
Ponto de vista absurdo.
Elevam-nos a patamares, contudo
Ridicularizam a existência. Um ato
 
Que acrescido à personalidade sádica
Rivalizam-se. Não somam esforços.
Colocam o verdadeiro eu, em destroços...
 
Aniquilam por vez suas vidas
Dependentes de faces perdidas
Confundem a personalidade verídica.

                                    Rerismar Lucena
👁️ 414

Vulto da existência

‘Escrito na cidade de Souza – PB, em data desconhecida’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
O vulto fúnebre da existência
É à sombra de noites sem lua
Que no ego solene do espírito atua
Na queda de seres de impotência.
 
Nessa cruel petulância
Que na alma do desgarrado
No jeito podre do acoimado
São frutos sutis da impermanência.
 
As noites cruas de insônia
De pesadelos bruscos da alma
Frustração existencial, carma...
Desejo do inconsciente, automaquia.
 
São porem indigestíveis
Dentre os demais, imperecíveis
Aos que nela a mente atua.
 
Mas quando nela medita
Energias fluíveis nos evita
Da encarnação metafísica, dura e crua.

                                                 Rerismar Lucena
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A bela mulher

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 25 de março de 1990, às 16hs30’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
 
Com seu ar possuidor, possessivo
Jeito de quem sabe o que quer.
Como vento que paira no infinito
És tu, oh bela mulher!
 
Um sopro direcionado ao relento
Na infinidade dos mistérios teus
- És bela. Uma flor tão bonita,
Imagem bem-vinda dos céus.
 
Com carinho, amor e meiguice
Nos encanta, como se nos possuísse
A muito em seu coração.
 
Possessa de um amor infinito
Roubando nossos instintos
Domando a nossa emoção.

                                      Rerismar Lucena
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Força questionável

‘Escrito na cidade de São Paulo - SP, em 26 de junho de 1995,
 às 15hs55’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
O questionável ofusca
A mente delimita o estado
A loucura indecisa do ato,
               Desamparado.
 
O forte, fraco é!
E são tão fortes e fracos...
A força também se reduz,
               Não conduz.
 
Que força estranha que é
Conduz o fraco ao fracasso
No delinear de um ato,
               Abstrato.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
Eis a carga de aflição.

                 Rerismar Lucena
👁️ 557

Almas do condor

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 18 de setembro de 1988,
às 17hs37’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
No aljube do castelo
Os cadáveres... E pelo
Rangido da bisagra
Ouvia-se o guaiar de almas
                    (sem socorrê-las).
 
Um gemido, um grito de dor
O cheiro fétido dos que, ali
O rangido da bisagra ouvia.
- Mortos entrelaçados, vivem como o condor.
 
O aiar dos encarcerados
É o ringir da bisagra
Que inaudível vagas, como o condor...
De subservientes...
                   (seres inanimados).
 
O ringir da bisagra
Entoa como almas penadas
Que vagam pela dor.
 
As alabardas sagradas
O rangido da bisagra...
- Voam, voam, almas do condor.

                         Rerismar Lucena
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O córrego do jacu

‘Escrito na cidade de São Paulo – SP, em 22 de setembro de 1991,
às 22hs30’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

O córrego que passa
Por trás de onde moro
É estreito.
                    É sujo, fedido, nojento.
                    É às vezes o lamento
                    Do povo.
O córrego que passa
Por trás de onde moro
É estreito.
                    Estreito como a rua
                    Que na frente tem
                    Sem graça.
É estreito como o peito
De um ser sofrido,
Maltrapilho.
                    Nele às vezes o sol reflete
                    Deixando a mostra
                    O seu desdém.
É como o lamento
Dos que ali tem
Um córrego a se inspirar.
                    Por trás de onde eu moro  tem um córrego
                    Que leva a impureza e a certeza
                    Da vida triste que em seu leito há.

                                                Rerismar Lucena

BREVE RELATO:
"Na década de 20, imigrantes japoneses se instalaram em uma área verde no extremo leste da cidade de São Paulo - SP.
Notabilizaram-se pela produção de pêssegos. Para comercializarem as frutas, abriram uma pequena estrada de terra, à margem do Rio Jacu.
O afluente do Tietê, hoje canalizado, devia seu nome a um pássaro comum naquelas paragens. Só em 1996 a antiga estrada recebeu o nome de Avenida 
Jacu-Pêssego". Fonte: .
***Durante os anos de 1991 a 1992 (aproximadamente), residi em um barraco de dois cômodos, à margem do córrego Jacu no bairro de Itaquera,
de propriedade do Sr. Olímpio... onde, em umas das inúmeras enchentes, que são corriqueiras, teve parte do barraco levado pelas águas...
👁️ 535

Luz tardia

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em data desconhecida’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Na luz tardia da vida
O foco resume o olhar
Reflete suas feridas
Nas águas verdes do mar.
 
Essa luz então subia
No alto, olhos a fitar
Entre sonhos se via
Uma alma a afogar.
 
Tropeços do passado...
Eu sozinho a pensar,
Olhando aquela luz tardia
 
Era eu que jazia
E na luz então se via
Meu corpo descendo ao mar.
 
                    Rerismar Lucena
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Insensato amor

‘Escrito na cidade de São Paulo - SP, em 24 de maio de 1995,
às 13hs30’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
Sonho que se foi
Estrela que caiu
Nas águas do oceano
                    Se imergiu.
 
A noite estava linda
Num sonho a navegar
A lua resplandecida
                    Me vi a te beijar.
 
Acordo na insensatez
Se “o amor” é a embriaguez
De um coração a sonhar.

                     Rerismar Lucena
👁️ 562

Papelão na calçada

‘Escrito na cidade de São Paulo - SP, em 02 de março de 1995,
às 21hs00’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

Chego à rua, descalço
- Papelão na calçada
Chove chuva, chove nada
Chove... – cansaço.
 
Frutos verdes. A feira
Lama, poeira. Suja
A rua, que queira ser tua.
 
Apaga o brilho, da rua
Tristes focos. Nua,
A calçada suja.

 O sol despoja
Afrouxa a tua luz na rua.
 
Afrouxa essa ilusão, essa maldição
Num olhar audaz, que traz
A frieza crua da rua.

                   Rerismar Lucena
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