Lista de Poemas

Digressão de Maria

‘São Bernardo do Campo – SP, em 24 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Maria anda bem vestida
Mal chegou desconfiada
- Vem de onde? Não disse nada
Foi-se embora, arguida.
 
Cabelos soltos, rosto ao vento
Sorriso fácil, inebriante
Olhar tímido, desconcertante...
Por onde andará seu pensamento.
 
Amiúde, intermitente paixão
- Pulsar de um coração ausente –
Sínodo do amor, inconstante.
 
Amores que passam, em vão
Estado constante de divagação...
- Devaneios torpes da mente!
 
                                 Rerismar Lucena


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A Igualdade Como Ferramenta de Controle

A Liberdade Em Cativo
PARTE I:
São Bernardo do Campo, 24 jan. 2021 às 13hs55.

Em nome da igualdade, ou restauração da verdade identitária
A liberdade já não liberta:  é prisioneira da vontade.
— O livre arbítrio sob o jugo da potestade.
Da relação construída por obediência paritária.
 
Dependente da vontade de uma nefasta liberdade,
Que provoca prazer ou contentamento inebriante.
O pressuposto único da ideologia cativante
Na hierarquização libertadora da igualdade
 
Que impõe forja à moral, ao livre arbítrio, a consciência;
Sob a presunção de garantir a “verdadeira igualdade”.
A liberdade de expressão — como pantomima da maldade,
Na visão tosca do déspota que impõe obediência.
 
Incorpora ignorância a distopia da normatividade
Como se liberdade é uma espécie de subversão:
Pressuposto dos alienados que nascem na servidão.
 
Repele o poder da autonomia e da espontaneidade,
Para se ver livre da barbárie e da liberdade arbitrária:
Cerceia-se às vozes ressonantes contrárias.
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O que te liberta, também te aprisiona. Pois o homem é servo de suas necessidades imediatas.

                                           “O homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo
                                            através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre
                                            as próprias decisões”.  Jean-Paul Sartre (1905-1980) 
(Rerismar Lucena, 24 jan. 2021).
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A Palavra Como Castigo e Vontade

A Liberdade Em Cativo
PARTE II:
São Bernardo do Campo, 30 jan. 2021 às 21hs05.

Quando a vontade se torna libertadora, no instante da palavra proferida
A linguagem perde a funcionalidade, ao revestir-se de cuidados.
O dislate entre diálogo e entendimento contumaz, se fez perdida
Na confusão dos sentidos, da ressignificação dos antepassados.
 
Na centelha ardente das narrativas onde prevalecem o arbitrário
Que desinveste a palavra de sua pretensa utilidade: o entendimento.
A linguagem como escombros da edificação do homem: sepulcrário
De desejos que engendram a falta e o ressentimento.
 
Onde a todo o dito se faz mensura, podendo ser interdito
A palavra como caos. Como ordem ou instrução.
Perde-se na funcionalidade de seu entendimento
Nas narrativas que devoram o pressuposto da ação.
 
A palavra como castigo e vontade de uma justiça dominadora
Que conduz ao seio da sabedoria selvagem libertadora
Sob o escrutínio da palavra do ser que o nomeia.  
 
O homem regressa a escuridão abismal do pensamento que medeia
A origem do mal. Um exercício de vontade, da liberdade que devora.
Da palavra que ecoa anômala; e que se evola, mundo a fora.
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A linguagem como escombros das ruínas da edificação do homem babélico.
De sua arvora em atingir o inatingível: a natureza divina [Deus].

 “Eis que o povo é um, e todos tem uma mesma língua;
e isto é o que começam a fazer?” (Gênesis 11:16)

                                                (Rerismar Lucena, 30 jan. 2021).
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A amálgama dos sentidos

São Bernardo do Campo, 12 ago. 2020 às 22hs00.
Poema de: Rerismar Lucena
  
Reconstruir o real, reimaginar o imaginado
Evocar a representação dos sentidos
No Jogo de espelhos, —“das verdades”
Da  ausência dos desapercebidos.
 
O surto imaginativo, que forja à realidade
E que,  da  ausência  nasce o  real.
No espelho turvo da representatividade
Surge imagem manifesta, factual.
 
Onde o real é representação e concretude
Na amálgama dos sentidos humano;
Do sujeito-objeto que tudo precede
A ação do pensamento mundano.
 
Contudo, o simbolismo da representação
Que pretende dar a realidade, definição
É mera “ilusão referencial” do fato;
 
Pois somos seres sensoriais, de pensamento e ação.
O mundo externo é o campo da representação
Onde um fato, nunca é o fato de fato. [ipso facto]
 
                                          Rerismar Lucena
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O Substrato da utopia

São Bernardo do Campo, 12 jul. 2020 às 22hs40.
Poema de: Rerismar Lucena
 
Na base essencial, do ser que repousa
A utopia do normal do instante;
E que, todo o costume [ir]relevante
Torna-se acerba, e a moral obtusa.
 
Como domar o futuro Liquefeito
No suster da inflexão da vida:
Revirar árduas feridas? Ou,
Ressignificar normas e preceitos?
 
Se algo acontece, a partir de fatores
Da realidade positiva, de polos distintos
Na assumida batalha [...] dos instintos,
Nos confins da eclusa de tempos motores.
 
Ainda que, sofisticado seja a usura
Da esfera social que perdura
A singularidade gravitacional do sujeito.
 
Sendo que o altruísmo cultural que prospera,
Nada mais é que o desapontar de uma era
Da infalibilidade de tempos imperfeitos.
 
                                    (Rerismar Lucena, 12 jul. 2020)
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Vulto furtivo

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 04 de julho de 1989 às 20h15
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
  
Um vulto furtivo em meio às sobras,
O leve murmúrio de voz trêmula
Fogo que queima o coração humano,
Uma vida ceifada, morte extrema.
 
O sangue gela, o coração para,
Em noite de tempestades, de trevas...
Onde o escarlate sangue, à calçada
Suja com glóbulos de um ser humano.
 
Parece que à noite envolto estava
De uma nuvem de loucos, a soltos nela
Que ensandecidos, cavalgam
A busca de vítimas para queimar na brasa
De animais que brilham em meio as trevas.
 
O vulto furtivo se afasta;
Um corpo na calçada do destino
............................................................................................................
Uma vida ceifada, uma longa espera.
 
                                            Rerismar Lucena
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Teus olhos

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 28 de julho de 1988,
às 11hs30’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Teus olhos têm a incandescência do sol
O brilho do farol
A beleza do luar.
 
               São refletores fluorescentes
               Que tão docemente
               Nos convidam para amar.
 
São sonhos e fantasias
Tão belos que nos traziam
Os mistérios profundos do mar.
 
               E como louco os seus amantes
               A procura de diamantes
               Para teus olhos ofertar.
 
Viviam nessa magia
Com toda nostalgia,
Queriam o mundo te contemplar.
 
               E viviam a vida assim
               Eternos amantes de ti
               Querendo teus olhos ganhar.

                                Rerismar Lucena
 
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Quase nada

‘Escrito na cidade de São Bernardo do Campo – SP, em 23 de abril de 2018 às 20h16
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
Um tanto do quase nada, é a medida do tanto faz.
Como dimensionar. Que Importância dar?
Se para você, tanto faz!
 
Fez-se presente em meu ser.
Busquei nos teus olhos, a paz que tanto almejo… em vão.
Vislumbro tão somente ausência. Distanciamento.
- Do amor, só restos de solidão!
 
Vulto, escassez de sentimentos
Pensamentos confusos. -  Ilusão!
 
Já não me olhas, ser fantasmagórico
Estranho conhecedor de mim.
- Ninguém caminhas a teu lado…
 
Por não existir, por nada sentir ou ser
Tudo não passa de um “tanto faz”.
De quem? - ninguém; … é o que nos resta,
Um vazio composto, imposto... nada!
 
                               (Rerismar Lucena, 23 abr. 2018)
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Amar é...

‘Escrito na cidade de Souza – PB, em algum período do ano de 1988.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Amar é,
Ter-te em meu pensamento
Vagar com o vento
A busca de ti.
 
Procurar tesouros
Neste mundo errante
Para sua amante,
Em ouro a cobrir.
 
Vagar, só por vagar
Em sua ressequida paixão...
E ser sempre assim,
Nunca desejar o fim.
 
                                     Rerismar Lucena
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Enfático

‘São Paulo - SP, em 12 de abril de 1995, às 23hs00’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
O sol se punha
A lua se ressalta
Tão pouco o ocaso some...
               Tudo consome.
 
O esplendor daquele olhar
Inverte sol a luar
Engana, a todos ilude.
 
A lua não mais aparece
É chuva que do céu desce,
Não lagrimas de amor...
               A chorar.

                  Rerismar Lucena
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