Lista de Poemas
Debilidade noturna
‘Escrito na cidade de Souza – PB, em 03 de março de 1989,
às 20hs43’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
À noite, na sombra de minhas inquietações,
O drama do ser me atormenta
Sofro de insônia, opulenta
Na enfermidade da mente doentia.
Tão somente é hipocondria
Que não me deixas, nem me solta
E quando ao dia abro a porta
Choro do nascer ao pôr do dia.
Nas noites mal dormidas
Sentia mórbido o meu ser...
- Meu corpo treme sem vida.
Mas no resplandecer, o dia
Refletindo a hipocondria
Das práticas débeis da vida.
Rerismar Lucena
Rerismar Lucena
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Flores para um amigo desconhecido
‘Escrito na cidade de Souza – PB, em 22 de abril de 1989,
às 09hs27’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Andarilho onde me levas, neste mundo de restrição
A busca da felicidade em terras obscuras?
- A noite, são monstros que devoram
O dia, mais tormento. Uma maldição!
Andarilho, por quê és transeunte a tudo, a todos?
Não vedes, somos a amplitude de seres amorfos
Amortalhas o pouco da vida que nos resta?
- Sou andejante, por amizade indiscreta
Angustiado por antagônicos entes, estúpidos.
- Vem! Vamos nos coadjuvar e viver...
Não deixes tua inócua vida se dizimar;
Que amigos são como nós que se unem,
E na putrefação dos vermes que lhes consomem
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Vão-se em féretro dois corpos à necrópole.
Rerismar Lucena
Rerismar Lucena
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Recordações passadas
‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 25 de maio de 1989,
às 15hs45’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Cercado, isolado pelo passado
Um grita, um geme, um chora
- ô João, não dormes, é hora
De irmos embora de casa.
E João murmura num cantinho:
- Não dá primo, tenho irmãozinhos
Meus pais, coitadinhos
Não consegue lhes sustentar.
E João em silencio permanece
Com lagrimas no rosto a rolar.
Os dias se vão, o tempo passa
E João um dia cresce
Não se sabe se a vida floresce
Ou germina no seu quintal.
- Vedes primo, estou velho
Irei vegetar no cemitério
E guardar as lembranças de um passado letal.
Rerismar Lucena
Rerismar Lucena
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Saudades
‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 23 de dezembro de 1991, às 18hs40’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
A lua chorava
E a noite fechou
As estrelas sem brilho
O mundo parou.
Que dia tão triste,
Você a chorar
A noite lamenta...
Não pude te amar.
Por que foi embora
Que vagas lembranças
Dos dias de outrora
Sonhos de crianças.
Vivíamos felizes
Contentes a amar
Depois que partistes
Sou “Réris” sem “Mar”.
Rerismar Lucena
Rerismar Lucena
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Desejos
‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em data desconhecida’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Traz-me o vento a brisa noturna
Eu me recolho em meu canto
Os meus olhos, como se em pranto,
Caem lagrimas... infortuna.
Traz-me vento desejos profundos
Arrasta com força águas do mar
Em puros sonhos de luar
Molha os encantos daquele corpo.
Se pra mim és desejo
Se me perco em teus beijos
Fico louco, louco ao mar.
Que me lanço em meio às águas
Encobrindo as minhas magoas
De só em sonhos te amar.
Rerismar Lucena
Rerismar Lucena
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Vida de gato
‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 25 de novembro de 1993, às 14hs28’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Cai à tarde em chuva
Molhando um mundo tão quente
Sobe um fervor, austero
No cemitério.
As águas correm nos rios
Os córregos esbanjam o mar...
Trovejo, relâmpago... É fria
A água que o corpo arrepia.
Descem, penetram profundamente
Inundam, molhando o que há.
Em meio à terra sardenta havia:
Corpo de gente e de jia.
Que pula o gato e anuncia
A chuva. O rato. O cortejo.
Que descem como chuva, em despejo,
Mais corpos para o cemitério zelar.
Rerismar Lucena
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Discreto sonhador
‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 26 de abril de 1989,
às 20hs10’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Deslizando através do tapete.
Não voa. Não corre. Enfim,
Não sai do lugar.
Estreito corredor
Cauteloso sonhador;
Saqueador de paciência de vida alheia.
Surpreendido pelo horror
Desprotegido pelo pavor
De minúsculas projeções na porta:
Que não são sua vida.
São sombras preenchidas
Por espasmo de vida
Que o faz sonhador.
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... E mais uma vez, não crê que sonhou!
Rerismar Lucena
Rerismar Lucena
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Amor de menina
‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 01 de dezembro de 1994, às 19hs40’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Frágil coração
Amor de menina
Inocência divina...
- É paixão.
Os olhos a chorar
Coração solitário,
Pensamentos em rio...
- Tenra solidão.
Tristonha a menina
Que a paixão chegou,
E o amor se transformou...
- Desilusão.
Rerismar Lucena
Rerismar Lucena
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O farol do cais
‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 19 de dezembro de 1994, às 20hs40’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
Um brilho de luz ao céu
Alumia o sorriso teu,
Alumia o sorriso teu,
De concreto.
E teus olhos, refletores
Farol nas marés,
Do deserto.
De coração errante
De sonhos distantes
De sonhos distantes
Em pedra, amor:
Transformar - te.
Transformar - te.
Rerismar Lucena
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