O córrego do jacu

‘Escrito na cidade de São Paulo – SP, em 22 de setembro de 1991,
às 22hs30’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

O córrego que passa
Por trás de onde moro
É estreito.
                    É sujo, fedido, nojento.
                    É às vezes o lamento
                    Do povo.
O córrego que passa
Por trás de onde moro
É estreito.
                    Estreito como a rua
                    Que na frente tem
                    Sem graça.
É estreito como o peito
De um ser sofrido,
Maltrapilho.
                    Nele às vezes o sol reflete
                    Deixando a mostra
                    O seu desdém.
É como o lamento
Dos que ali tem
Um córrego a se inspirar.
                    Por trás de onde eu moro  tem um córrego
                    Que leva a impureza e a certeza
                    Da vida triste que em seu leito há.

                                                Rerismar Lucena

BREVE RELATO:
"Na década de 20, imigrantes japoneses se instalaram em uma área verde no extremo leste da cidade de São Paulo - SP.
Notabilizaram-se pela produção de pêssegos. Para comercializarem as frutas, abriram uma pequena estrada de terra, à margem do Rio Jacu.
O afluente do Tietê, hoje canalizado, devia seu nome a um pássaro comum naquelas paragens. Só em 1996 a antiga estrada recebeu o nome de Avenida 
Jacu-Pêssego". Fonte: .
***Durante os anos de 1991 a 1992 (aproximadamente), residi em um barraco de dois cômodos, à margem do córrego Jacu no bairro de Itaquera,
de propriedade do Sr. Olímpio... onde, em umas das inúmeras enchentes, que são corriqueiras, teve parte do barraco levado pelas águas...
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