Escritas

Lista de Poemas

Sufocado por si

Palavras sufocam minha garganta,
ao mesmo tempo que querem sair,
ficam soterradas na ansiedade.
Obsoleta vida que desalenta,
olhando o horizonte...
ermo sofrimento a banhar-me;
preto é a cor dos meus ossos,
cinza a cor do meu mundo:
paisagem impressionista: minha vida.
Sufocado por si próprio, asma mortal,
olhando as estrelas...
linhas tortas descrevem o monólogo,
fatídico ser humano buscando o fim.
Monotonia mental, cotidiano vivo.
Musicalidade profunda me atinge,
vômito orquestral alivia meu sufoco;
no dó menor, ou nas batidas batedoras
a magia do entendimento permanece.
Olhando a desgraça...
Sou finito, sou pleno, sou tudo.
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Retrotemporal

Calendário anno domini ao contrário
Relógio retrocede os segundos temporários
Corro na contramão da necrofalmognose
Vivo meus dias na necrocitose
Quero encontrar o ponto inicial
Para balbuciar o destino fatal
Retroalimentação do meu ser anormal
Eternamente vivendo o loop infernal
Vertigem de Kairós me oportuna
Meu Aeon é meu castigo de usura
Quebrado novamente o ciclo itinerário
Voltemos ao maldito calendário contrário
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Túneis de pensamentos perdidos

Pensamentos leves como penas,
transvoam o espaço feito fenas.
Superficiais feito idosas na rua,
fatídico à vida feito a sua.
Embalagem plástica é a emoção.
Lixo reciclável é toda a corrosão,
Faz mal ao meio ambiente,
degradação necrótica me é suplente.    
Tudo o que vem, morre no amanhã,
sou o paciente póstumo do divã.
Queimei cigarros após o sexo,
tudo foi tão bom... se tivesse nexo;
Você na minha imaginação deu vida,
mas no contraste do real, és olvida.
Mais um devaneio me foi tirado:
sonhei que tinha me matado.
Sorri na vertigem do abismo-além;
Faca na clavícula corta meu ‘’amem’’.
Já no céu, os anjos compõe o belo,
no além-vida eu quebro meu elo:
Os deixei e voltei a vida bastarda.
Infeliz, atomizei a existência fracassada.
 
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Amante da vida (ode ao viver)

Sou devoto à vida, simplesmente não suporto a ideia de morrer. A amo como as folhas que caem no fim de primavera e as miúdas gotículas d’água que exaure de meus olhos no simples ato de contemplá-la. Minhas lágrimas de felicidade transbordam meu amor e faz do mundo um dilúvio de alegria. Eu criei o sol e o sol me mimetiza, eu sou o conceito do brilho e do bem. O taciturno da lua é como deixo o céu mais agradável às vidas cotidianas no meio da noite. Bebo todos os dias a Artemísia da natureza; a planta que me intersecciona e, ao mesmo tempo, me une ao todo. Sou o tronco das árvores, os vermes da terra, as leoas da mata e tudo o que nasce e morre em instantes. Sou o verde do pântano, o mesmo verde da cor da esperança e liberdade. Não há tempo em meu ser, o cronos é um erro. Tudo a mim, é eterno, não só sentimentos, como atitudes — sou especial, pois, não existe angústia em meu coração, só amor. O todo sou eu, assim como o amor é o todo.
A beleza da vida é verbalizar ao abrir os olhos no amanhecer do sol, em sílabas, ‘’Eu sou feliz!’’ sem o maior receio. Na realidade, não preciso dizer estas palavras, a própria vida já sabe disso, porém, eu sacralizo tal frase sem pestanejar, somente como ato benfazejo em gratidão ao viver.
O sorriso da minha boca é a forma neutra do meu rosto; talvez meu rosto seja deformado, pois, sou incapaz de mudar de expressão. Tudo a mim, é engraçado e perfeito; não entendo como existem pessoas que não entendem o ato de ser feliz. A vida é simples: viva. Meu cérebro não contempla muito bem ‘’tristeza’’, para mim, você só está triste quando é ignorante. A ignorância é o ato de ignorar o fato que a vida é ato puro (ser feliz). Tudo sempre deu certo para mim e nunca houve problemas. Queria lamentar para os depressivos que rotam no errante, mas felizmente, não consigo lamentar, pois, como disse, só sei ser feliz e me sentir bem. Uma ‘’lástima’’ aos afortunados que não são amantes da vida como eu sou.

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A perversão de Devorath

Crânio em mãos pesa meus ignóbeis dedos,
fatiga meus ossos e coagula meu podre sangue.
Seus obscuros olhos molestam meus medos;
abjeto sorriso a fagocitar minha boca infame.
Madrugada, ábdito ódio perece minha calma;
que vedes a putrefação de meu lindo rosto,
e de augúrio profetiza minha néscia alma.
Meu castelo inundado nas marés do poço.
Assombração malogra meu ouvido;
busca o sacrossanto em completude:
mal sabe que meu espírito é omisso.
Folhas do meu Éden secas em atitude.
Sou como os vermes da terra santa,
sangrado, angustiado e prostrado.
Neofilia no profano, silaba do mantra.
Extenuado em viver, a heresia alvitrado.
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Resistência de um homem qualquer

Eu olho para esses lugares abandonados onde a sinergia entre as pessoas já inexiste, a nostalgia melancoliza minha pele e me faz chorar lágrimas de sangue com aquilo que poderia ser belo, que os pássaros grisalham em cadáveres e a vida derretida pela lava de desolação. O sol a mim é eclíptico e, as nuvens, carbonos flutuantes. Impetuosamente o passar dos dias foram como uma bomba relógio prestes a explodir; realmente explodiu. Não só de necroses, sangues e órgãos foram espalhados neste local, mas também a dor provocada por ideias malévolas. O mau tornou-se a essência do homem, junto com as correntes invisíveis que prende a sociedade aqui; a escravidão é a nova liberdade. Destrutíveis em grupo, sozinhos, imundos. A auréola da esperança foi pega e escondida, porém, o altar-mor da persistência ainda permanece comigo. Me resta ir na contra mão da complacência humana, eu necessito dilacerar os demônios do ódio e secar lago de tristeza.
Em virtude morrerei e meu túmulo será jazigo um homem de vidro que não quebrou a meio a milhares de espelhos falsos.
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Jardim

Magnólia aroma a anima harmônica,
cravina adocica o animus racional.
Gardênia oleia o ar com seu perfume,
kalanchoe rega pestilência pulmonar;
desmazelo floral sangra as raízes da vida.

A púrpura, energia do absoluto:
sua nobreza transcendental na víscera do todo.
Duplo significante entre paradoxo e axioma,
como a perfeição da peônia que anula o brutal;
ao tempo que o afirma, o cíclame do bem e mal.
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Estático

A minha mente é como a neblina estática e vazia. Ela permanece ali, com seu cheiro amadeirado e com seu toque adocicado de tenaz idealização; o contraste da incoerência foge de minhas mãos, assim como a clara luz desaparecida no breu que é o meu sentimento. A vontade de permanecer no ar transpassando noites, dias, verões, outonos, invernos e primaveras está esgotada por amargos pedaços de ambrosias angustiantes. Após mastigá-las, a explosão de sofrimento sai dos meus lábios e transpassa em estações obscuras para o meu próximo. O néctar do grotesco é como minha psique é demonstrada, ela é feia, mas é sincera. A sinceridade que forma minha moral é como o fruto proibido: todos desejam comer, mas não estão dispostos a pagar pelas consequências.
Todas palavras, verbos e sentenças foram lançadas em orquestras sinfônicas de mestres que um dia partilharam minha neblina. A nota em baixa escala é a música de minha existência, lenta, deprimente; melodramática em si mesma. A corda do violino é rasgada por persistência de crenças inferiores. Mas veja bem, não tenho culpa em enxergar o óbvio. O meu assento é impotência e falta de vontade. Mãe letargia me petrificou com seu olhar apático. Eu não me movo, não choro, não rio, não faço nada. O martelo da morte seria-me como a amálgama da filosofia: fundir a fraqueza com falta de fraqueza, o bem e o mal e a vida com a morte.
Agora eu me vejo estático nessa sala pela vida — mastigando minha dor, na escuridão do amor, sugando a brutalidade da honestidade, ouvindo a sinfonia da agonia e quebrado pela vontade.
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Mal-estar

Degredo do meu ego superveniente a problemas,
prostrado, quase morto em meu solipsismo.
Vertigem mental confunde minhas crenças.
Ânsia filosófica é a náusea que enferme;
onde vômitos mancham meus lençóis em nojeiras
que prospectam o temor do porvir.
O não-ser é a tragédia que será, e quando ser,
meu imunológico se comprometerá com esse dever.
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Talvez sejamos estrelas... nas fronteiras da vida

Renascimento ilusório aquele na qual às artes, os costumes e as virtudes faustianas são nébulas que um dia respiramos. Não houve renascer, não houve fênix que de suas labaredas jorraram brasas ao redor do campo, iluminando a faceta jovial de nossos povos; o contrário, o espírito apolíneo construído na arquitetura dórica do nosso ocidente, foi plasmado por quedas contínuas e longínquas. A escultura do mundo trinca por antagonismo dos homens em compreender o conjunto vazio que eles mesmos criaram. Não há espírito antigo e tampouco metafísica do infinito. Dores do mundo em uma cruz virada e enterrada de cabeça para baixo representa o herói de nossa civilização. Este herói que nunca velejou angustiantes tempestades, não conjurou maldições pagãs aos seus inimigos e muito menos salvou sua amada no castelo de nossas trovas mitológicas.
Somos estrelas que explodem em anelos sociais; ‘’novos’’ tempos para velhas almas. Diferente de uma supernova, somos uma escada babilônica em decadência permanente em rumo ao nada, enquanto a estrela do amanhã em seu esplendor, fulge a quintessência da luz à história universal do ocidente.
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