Lista de Poemas
Bêbada política 🔴
Lula teve mais um ataque de populismo explícito. Em cima de um palanque, para uma plateia amestrada, ele ensinou como se encerra uma guerra. Para ele, tudo se resolve tomando uma cerveja. Não sei se essa resolução faz parte das promessas de campanha, mas é uma proposta irrecusável e digna de prêmio Nobel.
A ideia é muito simples, só fica meio perigosa quando ele começa a enumerar as garrafas. Foi aí que eu desisti de trazer a paz ao mundo. Na quarta garrafa eu já não evitaria o lançamento de uma única granada e seria internado com coma alcoólico ou me apresentaria numa reunião dos Alcoólicos Anônimos (AAA).
Lula já ensinou como encerrar uma guerra interminável: palestinos x israelenses. Em dois mandatos, ele não conseguiu. Tal disparate fica bem mais fácil no alto de um palanque e a quilômetros de distância de qualquer disparo de obus.
Agora sei que as garrafas que eu esvaziei foram em vão. As longas horas que eu gastei “gelando a goela” não tiveram um propósito tão altruísta. Se ao menos eu oferecesse um brinde a Mandela ou Gandhi já me livraria deste horrível sentimento de culpa.
Guerra do Golfo, dos Balcãs, da Bósnia, Israel/Palestina..., tudo isso acontecendo e eu enchendo a cara e rindo sem um objetivo nobre! Tal indignação estende-se a quem comigo jogou conversa fora enquanto “molhava as palavras”.
Hoje não bebo álcool e ouvindo Lula sei que não é mera promessa de campanha. Ele bebe 1... 2... 3..., saideiras e acredita que é moleza parar uma guerra depois disso, falando grosso e “puxando a orelha” de Putin e Zelensky!
Qualquer intelectual da USP contemporizará a fala do ex-presidiário, justificando que foi apenas um arroubo de indignação; entretanto, na mente “privilegiada do Lula passa exatamente esta cena: ele, o presidente da Ucrânia e o presidente da Rússia sentados numa mesinha de armar, no canto de um boteco, resolvendo uma guerra, como quem “deixa pra lá” um mal entendido entre amigos.
Se o mundo fosse tão simples, como na cabeça infantil do Lula, a Greta Thunberg resolveria tudo numa cúpula da ONU.
“Nada de novo existe nesse planeta
Que não se fale aqui na mesa do bar”
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
A ideia é muito simples, só fica meio perigosa quando ele começa a enumerar as garrafas. Foi aí que eu desisti de trazer a paz ao mundo. Na quarta garrafa eu já não evitaria o lançamento de uma única granada e seria internado com coma alcoólico ou me apresentaria numa reunião dos Alcoólicos Anônimos (AAA).
Lula já ensinou como encerrar uma guerra interminável: palestinos x israelenses. Em dois mandatos, ele não conseguiu. Tal disparate fica bem mais fácil no alto de um palanque e a quilômetros de distância de qualquer disparo de obus.
Agora sei que as garrafas que eu esvaziei foram em vão. As longas horas que eu gastei “gelando a goela” não tiveram um propósito tão altruísta. Se ao menos eu oferecesse um brinde a Mandela ou Gandhi já me livraria deste horrível sentimento de culpa.
Guerra do Golfo, dos Balcãs, da Bósnia, Israel/Palestina..., tudo isso acontecendo e eu enchendo a cara e rindo sem um objetivo nobre! Tal indignação estende-se a quem comigo jogou conversa fora enquanto “molhava as palavras”.
Hoje não bebo álcool e ouvindo Lula sei que não é mera promessa de campanha. Ele bebe 1... 2... 3..., saideiras e acredita que é moleza parar uma guerra depois disso, falando grosso e “puxando a orelha” de Putin e Zelensky!
Qualquer intelectual da USP contemporizará a fala do ex-presidiário, justificando que foi apenas um arroubo de indignação; entretanto, na mente “privilegiada do Lula passa exatamente esta cena: ele, o presidente da Ucrânia e o presidente da Rússia sentados numa mesinha de armar, no canto de um boteco, resolvendo uma guerra, como quem “deixa pra lá” um mal entendido entre amigos.
Se o mundo fosse tão simples, como na cabeça infantil do Lula, a Greta Thunberg resolveria tudo numa cúpula da ONU.
“Nada de novo existe nesse planeta
Que não se fale aqui na mesa do bar”
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
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Canarinho Pistola ⚫️
Essa brava avezinha ganhou esse singelo apelido porque carrega a aparência assustadora, espantando qualquer tentativa de aproximação amigável dos torcedores de seleções adversárias ou manifestando todo o seu descontentamento com o futebol demonstrando pela Seleção.
Dizem as más línguas (as boas também) que o passarinho representa o estado de espírito do nosso povo após o 7 x 1. Dizem que depois do fatídico placar, o bicho desenvolveu a expressão que estampa seu crônico aborrecimento. No entanto, isso não passa de maledicência, porque, além do infortúnio ter sido há muito tempo, o descontentamento e a aparente cara de poucos amigos ter se eternizado, a figurinha cosmopolita atrai diversos torcedores, independente da origem.
Nosso animal já é um vencedor, porque não é obrigado a exibir aquela expressão facial besta (eternamente alegre) dos sorridentes mascotes vendedores de algodão doce. É sempre oportuno esclarecer, que escondido atrás da máscara com um falso sorriso de alegria está alguém mal-humorado, triste, mal pago, suado, sem a mínima vontade de brincar e com raiva do patrão e da Humanidade.
A expectativa é grande para que o guerreiro “franguinho” demonstre sua carinha enfezada nas ruas do Catar. O bichinho já esbanjou toda a sua “antipatia” caminhando na Copa da Rússia. Apesar da óbvia má disposição, o mascote não conseguiu fugir da efusiva aproximação de torcedores brasileiros (inclusive estrangeiros).
A decepção será grande, se o contrariado mascote for substituído por um coelhinho felpudo e sorridente ou uma chinchila escovada e brincalhona. Definitivamente, independente dos resultados dos jogos, a torcida verde-amarela exige a soltura do Canarinho Pistola na Copa do Mundo Catar 2022.
Com as testas franzidas, o eternizado Canarinho Pistola está convocado para desfilar toda a sua simpatia involuntária que contrasta com sua expressão sempre enfezada. Se o futebol não convencer, ao menos o périplo do nosso mascote atrairá multidões. Entretanto, tenho pena do nosso animal emplumado, porque ele poderá ficar proibido de circular. Certamente, ele contrastará o mascote oficial da Copa.
Dizem as más línguas (as boas também) que o passarinho representa o estado de espírito do nosso povo após o 7 x 1. Dizem que depois do fatídico placar, o bicho desenvolveu a expressão que estampa seu crônico aborrecimento. No entanto, isso não passa de maledicência, porque, além do infortúnio ter sido há muito tempo, o descontentamento e a aparente cara de poucos amigos ter se eternizado, a figurinha cosmopolita atrai diversos torcedores, independente da origem.
Nosso animal já é um vencedor, porque não é obrigado a exibir aquela expressão facial besta (eternamente alegre) dos sorridentes mascotes vendedores de algodão doce. É sempre oportuno esclarecer, que escondido atrás da máscara com um falso sorriso de alegria está alguém mal-humorado, triste, mal pago, suado, sem a mínima vontade de brincar e com raiva do patrão e da Humanidade.
A expectativa é grande para que o guerreiro “franguinho” demonstre sua carinha enfezada nas ruas do Catar. O bichinho já esbanjou toda a sua “antipatia” caminhando na Copa da Rússia. Apesar da óbvia má disposição, o mascote não conseguiu fugir da efusiva aproximação de torcedores brasileiros (inclusive estrangeiros).
A decepção será grande, se o contrariado mascote for substituído por um coelhinho felpudo e sorridente ou uma chinchila escovada e brincalhona. Definitivamente, independente dos resultados dos jogos, a torcida verde-amarela exige a soltura do Canarinho Pistola na Copa do Mundo Catar 2022.
Com as testas franzidas, o eternizado Canarinho Pistola está convocado para desfilar toda a sua simpatia involuntária que contrasta com sua expressão sempre enfezada. Se o futebol não convencer, ao menos o périplo do nosso mascote atrairá multidões. Entretanto, tenho pena do nosso animal emplumado, porque ele poderá ficar proibido de circular. Certamente, ele contrastará o mascote oficial da Copa.
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Bar do Léo 🔵
Avistamos o local, era bem simples. O tanto que falavam desse bar, levou as expectativas a um patamar que tinha alto potencial para frustração. E foi assim. O famoso Bar do Léo era bem comum, até pior que vários outros. O lendário barzinho do Centro de São Paulo tinha como símbolo um simpático leão. Mas não chegamos ali por causa do leãozinho e sim do tão falado chope.
Por ser pequeno, você podia optar por desviar de mesas e cadeiras espremidas ou ficar na calçada, em pé. Preferimos a segunda opção, mesmo não tendo outra escolha. A espelunca era bastante concorrida e todos tinham estampada na cara a expressão de estarem bebendo o premiadíssimo Chope Brahma com um colarinho cremoso de milimétricos três dedos de espessura em um ambiente “vintage” do veterano Bar do Léo e beliscando deliciosos petiscos.
Além da tradição do estabelecimento, outros diferenciais prometidos não chamavam a atenção, desde que a bebida chegasse bem gelada ou o cliente fosse muito detalhista: os barris, à sombra, em câmara fria e a lavagem “especial” dos copos (ah,tá!), tudo meticulosamente planejado e organizado. Mas o que importava era um chope bem tirado, bem gelado e um preço justo (só que não). A antiguidade dos garçons e o atendimento não importavam tanto.
Essa frescura toda ruiu quando descobriu-se que o chope não era Brahma, mas um mais barato chamado Ashby, também foram encontrados alimentos vencidos. Fui enganado. Todas as vezes que fui até o boteco me dei mal. A tradição, as minúcias e a qualidade eram propaladas para inflacionar a conta. Essa é a tática de pontos históricos, da moda ou, simplesmente, concorridos. Exemplos: Ponto Chic, Bar Brahma, Mezanino do Mercadão (sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau) etc.
“A casa caiu” porque o (ir)responsável “lobo em pele de cordeiro” vendia “gato por lebre” perto da delegacia e onde “us hômi” “molhavam a goela” depois do expediente.
A Cracolândia, que fica lá perto, vai bem, obrigado; mas não venham “colocar água no meu chope”, que isso é caso de polícia.
Por ser pequeno, você podia optar por desviar de mesas e cadeiras espremidas ou ficar na calçada, em pé. Preferimos a segunda opção, mesmo não tendo outra escolha. A espelunca era bastante concorrida e todos tinham estampada na cara a expressão de estarem bebendo o premiadíssimo Chope Brahma com um colarinho cremoso de milimétricos três dedos de espessura em um ambiente “vintage” do veterano Bar do Léo e beliscando deliciosos petiscos.
Além da tradição do estabelecimento, outros diferenciais prometidos não chamavam a atenção, desde que a bebida chegasse bem gelada ou o cliente fosse muito detalhista: os barris, à sombra, em câmara fria e a lavagem “especial” dos copos (ah,tá!), tudo meticulosamente planejado e organizado. Mas o que importava era um chope bem tirado, bem gelado e um preço justo (só que não). A antiguidade dos garçons e o atendimento não importavam tanto.
Essa frescura toda ruiu quando descobriu-se que o chope não era Brahma, mas um mais barato chamado Ashby, também foram encontrados alimentos vencidos. Fui enganado. Todas as vezes que fui até o boteco me dei mal. A tradição, as minúcias e a qualidade eram propaladas para inflacionar a conta. Essa é a tática de pontos históricos, da moda ou, simplesmente, concorridos. Exemplos: Ponto Chic, Bar Brahma, Mezanino do Mercadão (sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau) etc.
“A casa caiu” porque o (ir)responsável “lobo em pele de cordeiro” vendia “gato por lebre” perto da delegacia e onde “us hômi” “molhavam a goela” depois do expediente.
A Cracolândia, que fica lá perto, vai bem, obrigado; mas não venham “colocar água no meu chope”, que isso é caso de polícia.
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Doutores da agonia 🔵
Não há viagem de ônibus que seja tão entediante que não possa piorar. Pois foi assim que, num ponto lotado, embarcou um sujeito pretendendo alegrar parte do trajeto.
Avaliando que resultado ele poderia obter, calculei o grau de caracterização do ator: maquiagem mal-feita (borrada) e avental surrado e encardido. A composição toda era muito triste. O cabelo desgrenhado era a única coisa que gerava uma graça involuntária. O palhaço triste pretendia ser um “doutor da alegria” genérico, mas estava muito claro que o infeliz precisava de ajuda, não o contrário. Nem a maquiagem escondeu sua angústia. Infelizmente, sua atormentada realidade apenas se somou à de outros quando ele embarcou naquele coletivo.
O número, ou a tentativa de alegrar alguém, foi constrangedor, o que só tornava o ambiente pior. Pensei: palhaço, você não é engraçado. Só não vocalizei minha conclusão por medo que o pretenso parlapatão fosse linchado. Provavelmente, isso só tornaria as coisas piores e me causaria dó e arrependimento.
Sua vulnerabilidade e risco social revelaram-se completamente, corroborando minhas suspeitas, quando o cara fez um choroso discurso e passou recolhendo algumas moedas. Óbvio que todos perceberam que a triste figura recolhia os parcos trocados com a sanha de quem necessitava aplacar a fome.
O palhaço causou um certo burburinho, quebrando a rotina daquele povo. Esse é um dos objetivos de todo artista; entretanto o saltimbanco, por onde passava, deixava um rastro de fúria e desconforto.
Esse cara deve ter assistido ao filme “Patch Adams” e vislumbrou a solução para seus problemas. Finalmente o pedinte desembarcou, e o intuito do palhaço foi alcançado: o ambiente iluminou-se, os passageiros inclusive esboçaram um sorriso e conversaram alegres. Só não se sabe se o resultado se deu pelo encerramento do suplício ou por saber que há realidades bem piores do que retornar de um dia de trabalho num “busão” lotado.
Avaliando que resultado ele poderia obter, calculei o grau de caracterização do ator: maquiagem mal-feita (borrada) e avental surrado e encardido. A composição toda era muito triste. O cabelo desgrenhado era a única coisa que gerava uma graça involuntária. O palhaço triste pretendia ser um “doutor da alegria” genérico, mas estava muito claro que o infeliz precisava de ajuda, não o contrário. Nem a maquiagem escondeu sua angústia. Infelizmente, sua atormentada realidade apenas se somou à de outros quando ele embarcou naquele coletivo.
O número, ou a tentativa de alegrar alguém, foi constrangedor, o que só tornava o ambiente pior. Pensei: palhaço, você não é engraçado. Só não vocalizei minha conclusão por medo que o pretenso parlapatão fosse linchado. Provavelmente, isso só tornaria as coisas piores e me causaria dó e arrependimento.
Sua vulnerabilidade e risco social revelaram-se completamente, corroborando minhas suspeitas, quando o cara fez um choroso discurso e passou recolhendo algumas moedas. Óbvio que todos perceberam que a triste figura recolhia os parcos trocados com a sanha de quem necessitava aplacar a fome.
O palhaço causou um certo burburinho, quebrando a rotina daquele povo. Esse é um dos objetivos de todo artista; entretanto o saltimbanco, por onde passava, deixava um rastro de fúria e desconforto.
Esse cara deve ter assistido ao filme “Patch Adams” e vislumbrou a solução para seus problemas. Finalmente o pedinte desembarcou, e o intuito do palhaço foi alcançado: o ambiente iluminou-se, os passageiros inclusive esboçaram um sorriso e conversaram alegres. Só não se sabe se o resultado se deu pelo encerramento do suplício ou por saber que há realidades bem piores do que retornar de um dia de trabalho num “busão” lotado.
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Comunidade distópica 🔵
Um fim de semana foi o suficiente para viver numa sociedade, pretensamente, ideal. O problema é que essa sociedade só sobrevive um feriadão, por isso é considerada uma utopia.
Aqueles dias foram um experimento de como seria uma microssociedade hippie. Estavam todos muito solícitos, cada um exercendo sua tarefa no coletivo. Lembro bem de uma salada de frutas sendo preparada voluntariamente por uma dezena de mãos e igualmente devorada. Tanto o preparo, quanto o modo (em comunidade) que foi devorada seriam obrigatoriamente abolidos em tempos de pandemia. Mas essa realidade ainda era papo de livros de História — Peste Negra e Gripe Espanhola —, de modo que parecíamos uma tribo de índios em completo isolamento da sociedade capitalista corroída pela competição.
A comunhão, a paz e o “bichogrilismo” estavam alcançando níveis incompreensíveis e inadmissíveis para o meu ceticismo, a ponto de alguém ameaçar iniciar a “dança ritual do fogo”, celebrar o Sol, a Lua, as matas, as águas, o ar, o raio, o trovão... Percebi que ali alguém surgiria se contorcendo, com os olhos virados e falando em línguas, ou o Arrebatamento começasse por lá.
Mas, como em toda convivência utópica, essa brincadeira de Novos Baianos já estava indo longe demais, logo vi. Eu tinha convicção de que aquela harmonia era forçada e logo o egoísmo viria à tona. Com meu individualismo, meu mau-humor, minha desconfiança e meu completo descrédito na Humanidade, sabia que aquele grupo possuía uma dissidência que não comungava com os ideais igualitários. Mais, tenho certeza que todo grupo, apesar do início pacífico e solidário, revela um tirano cruel, dominador e centralizador. Faltava localizar o bastardo. Talvez fosse o mais quieto, bonzinho, solícito ou o que desde o começo mostrasse o lado mais obscuro da alma: o lado que, com muito esforço, conseguíamos esconder por alguns dias.
Demorei muitos anos, entretanto descobri que o provável estranho no ninho infiltrado era eu mesmo. Na época, talvez eu estivesse contaminado pelos ideais hippies, reflexos da imaturidade; hoje, quase um bolsonarista que sou, uma vez descoberto, seria ofendido de diversas maneiras: nazista, fascista, negacionista, terraplanista, taxista, capoeirista, skatista etc.
Uma coisa tenho certeza, se desmascarado, eu correria para a floresta mais próxima. Se alcançado, seria oferecido “aos deuses” como sacrifício e atirado à fogueira para purificar minha alma.
Mesmo cansado daquele disfarce, não deu tempo de exercer meu lado autoritário. Então, foi mais um final de semana entre violão, mantras e paz.
Aqueles dias foram um experimento de como seria uma microssociedade hippie. Estavam todos muito solícitos, cada um exercendo sua tarefa no coletivo. Lembro bem de uma salada de frutas sendo preparada voluntariamente por uma dezena de mãos e igualmente devorada. Tanto o preparo, quanto o modo (em comunidade) que foi devorada seriam obrigatoriamente abolidos em tempos de pandemia. Mas essa realidade ainda era papo de livros de História — Peste Negra e Gripe Espanhola —, de modo que parecíamos uma tribo de índios em completo isolamento da sociedade capitalista corroída pela competição.
A comunhão, a paz e o “bichogrilismo” estavam alcançando níveis incompreensíveis e inadmissíveis para o meu ceticismo, a ponto de alguém ameaçar iniciar a “dança ritual do fogo”, celebrar o Sol, a Lua, as matas, as águas, o ar, o raio, o trovão... Percebi que ali alguém surgiria se contorcendo, com os olhos virados e falando em línguas, ou o Arrebatamento começasse por lá.
Mas, como em toda convivência utópica, essa brincadeira de Novos Baianos já estava indo longe demais, logo vi. Eu tinha convicção de que aquela harmonia era forçada e logo o egoísmo viria à tona. Com meu individualismo, meu mau-humor, minha desconfiança e meu completo descrédito na Humanidade, sabia que aquele grupo possuía uma dissidência que não comungava com os ideais igualitários. Mais, tenho certeza que todo grupo, apesar do início pacífico e solidário, revela um tirano cruel, dominador e centralizador. Faltava localizar o bastardo. Talvez fosse o mais quieto, bonzinho, solícito ou o que desde o começo mostrasse o lado mais obscuro da alma: o lado que, com muito esforço, conseguíamos esconder por alguns dias.
Demorei muitos anos, entretanto descobri que o provável estranho no ninho infiltrado era eu mesmo. Na época, talvez eu estivesse contaminado pelos ideais hippies, reflexos da imaturidade; hoje, quase um bolsonarista que sou, uma vez descoberto, seria ofendido de diversas maneiras: nazista, fascista, negacionista, terraplanista, taxista, capoeirista, skatista etc.
Uma coisa tenho certeza, se desmascarado, eu correria para a floresta mais próxima. Se alcançado, seria oferecido “aos deuses” como sacrifício e atirado à fogueira para purificar minha alma.
Mesmo cansado daquele disfarce, não deu tempo de exercer meu lado autoritário. Então, foi mais um final de semana entre violão, mantras e paz.
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O astro do videokê 🔵
É horrível quando alguém ousa agredir a audição alheia arriscando a garganta num videokê. Enquanto o equipamento fica escondido num cantinho do boteco, guardando pastas com canções para todos os gostos e dois irritantes microfones, tudo bem.
O paradoxal é que eu cantei muito nessa maldita invenção, confirmando a máxima: quem se diverte é quem canta, não quem ouve. Sertaneja, romântica, pop, rock, mpb etc, todo tipo de música, inclusive as que eu não gosto de ouvir, são cantadas, ou, às vezes, berradas.
Parecia mais uma festinha de fundo de quintal, literalmente. Mas dessa vez não era só isso. Apesar de ser familiar, a comemoração seria impulsionada pelo álcool e pela novidade tecnológica.
A princípio, o tal do videokê foi explorado com parcimônia, mas quando atraiu os primeiros curiosos o equipamento logo se tornou o centro das atenções. À medida que o álcool ía subindo, mais candidatos expunham os secretos dons artísticos. Nessa toada, desfilaram músicas nacionais e internacionais.
De madrugada, quando quase todos tentavam dormir, sobramos meu cunhado e eu “destruindo” a máquina. A timidez ía diminuindo com o conteúdo das garrafas de cerveja, de modo que todo o repertório disponível nas pastas do videokê chegaram aos ouvidos de insones vizinhos e parentes. Como sempre, rock, mpb, sertanejo, pop etc. O repertório se esgotou, na falta de opção, sobrou até para o Hino Nacional Brasileiro. As excelentes notas, dadas pelo computador nos animavam e enganavam. Provavelmente, pelo grau etílico alcançado, meu senso estético, bem como o bom senso, sumiram. Então confesso: aquele fim de festa me fez pensar numa carreira musical. Felizmente, a ressaca do dia seguinte me dissuadiu dos devaneios musicais.
Karaokê eletrônico (videokê) foi a praga dos anos 90, substituindo a música ao vivo. Eu frequentei lugares que dispunham essa máquina como diversão. Arriscando o uso, viciei. Pior, comecei a cantar canções que jamais ouviria em casa: sertanejo, pagode etc. Alguns momentos foram impagáveis. O que para alguns talvez tenha sido o fundo do poço, na verdade significou o auge. Não é todo dia que se canta Help dos Beatles num dueto improvável com Rambo, o figura do bairro.
O paradoxal é que eu cantei muito nessa maldita invenção, confirmando a máxima: quem se diverte é quem canta, não quem ouve. Sertaneja, romântica, pop, rock, mpb etc, todo tipo de música, inclusive as que eu não gosto de ouvir, são cantadas, ou, às vezes, berradas.
Parecia mais uma festinha de fundo de quintal, literalmente. Mas dessa vez não era só isso. Apesar de ser familiar, a comemoração seria impulsionada pelo álcool e pela novidade tecnológica.
A princípio, o tal do videokê foi explorado com parcimônia, mas quando atraiu os primeiros curiosos o equipamento logo se tornou o centro das atenções. À medida que o álcool ía subindo, mais candidatos expunham os secretos dons artísticos. Nessa toada, desfilaram músicas nacionais e internacionais.
De madrugada, quando quase todos tentavam dormir, sobramos meu cunhado e eu “destruindo” a máquina. A timidez ía diminuindo com o conteúdo das garrafas de cerveja, de modo que todo o repertório disponível nas pastas do videokê chegaram aos ouvidos de insones vizinhos e parentes. Como sempre, rock, mpb, sertanejo, pop etc. O repertório se esgotou, na falta de opção, sobrou até para o Hino Nacional Brasileiro. As excelentes notas, dadas pelo computador nos animavam e enganavam. Provavelmente, pelo grau etílico alcançado, meu senso estético, bem como o bom senso, sumiram. Então confesso: aquele fim de festa me fez pensar numa carreira musical. Felizmente, a ressaca do dia seguinte me dissuadiu dos devaneios musicais.
Karaokê eletrônico (videokê) foi a praga dos anos 90, substituindo a música ao vivo. Eu frequentei lugares que dispunham essa máquina como diversão. Arriscando o uso, viciei. Pior, comecei a cantar canções que jamais ouviria em casa: sertanejo, pagode etc. Alguns momentos foram impagáveis. O que para alguns talvez tenha sido o fundo do poço, na verdade significou o auge. Não é todo dia que se canta Help dos Beatles num dueto improvável com Rambo, o figura do bairro.
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Todo mundo odeia o Chris 🔴
Eu, como péssimo ator coadjuvante, me recuso a participar dessa farsa. A cerimônia do Oscar está perdendo sua relevância ano a ano. Seja por proselitismo partidário, excesso de politicagem identitária, autoculpa social ou afirmação de virtude, a qualidade cinematográfica fica em segundo plano. Qual é o melhor filme? Quem é o melhor ator?
Mesmo sem assistir à cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, na segunda-feira era quase uma obrigação conferir quem faturou os principais prêmios. Dia 28, insistindo em manter o ritual, surpreendi-me com a notícia. Custou encontrar os vencedores. Senti, inclusive, saudades de quando o máximo de futilidade eram os comentários acerca dos vestidos.
O ator Will Smith combinou com o comediante Chris Rock e fez o que melhor sabe: enfiou um tapa cinematográfico. De brinde, concluiu com uma fala digna de um vilão de “faroeste”: “Tire o nome da minha esposa da porra da sua boca”. O movimento exagerado da boca foi perfeito, porém ele também poderia dizer “O que diabos você faz na minha terra, forasteiro”, “Estranho, nós não queremos pessoas como você aqui” ou “Bastardo, você tem até o próximo pôr do sol para dar o fora daqui”. Faltou também a dublagem fora de sincronia. Entretanto, enganou muita gente, por isso mereceu levar um Oscar.
O pastelão poderia ser um episódio do Chaves, mas era a esperada edição do Oscar. A atuação, bem dirigida e bem executada, poderia terminar na delegacia, mesmo assim tenho certeza que não passou de uma estratégia para alavancar a audiência e a repercussão. O episódio poderia inclusive terminar pior; para mim, tudo não passou de uma ação entre amigos bem treinados.
Sempre seguiu bem essa estratégia, na qual a polêmica é o mais importante, o MTV Vídeo Music Awards. A atração da MTV sempre foi mais comentada pelos “barracos” armados que pelos videoclipes; o grande evento da Academia também trilha este caminho. Não demorará muito e o evento proporcionará coisas que ocupariam os bastidores, como um beijo gay.
Já me conformei, o objetivo da Academia é outro. Adaptado-se à Era dos “streamings”, o que importa é virar comentário nas redes sociais e “sites” de fofoca e viver de “views” e “likes” como um “youtuber” adolescente.
Por enquanto, eu pergunto: qual é o melhor filme? Quem é a melhor atriz?
Mesmo sem assistir à cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, na segunda-feira era quase uma obrigação conferir quem faturou os principais prêmios. Dia 28, insistindo em manter o ritual, surpreendi-me com a notícia. Custou encontrar os vencedores. Senti, inclusive, saudades de quando o máximo de futilidade eram os comentários acerca dos vestidos.
O ator Will Smith combinou com o comediante Chris Rock e fez o que melhor sabe: enfiou um tapa cinematográfico. De brinde, concluiu com uma fala digna de um vilão de “faroeste”: “Tire o nome da minha esposa da porra da sua boca”. O movimento exagerado da boca foi perfeito, porém ele também poderia dizer “O que diabos você faz na minha terra, forasteiro”, “Estranho, nós não queremos pessoas como você aqui” ou “Bastardo, você tem até o próximo pôr do sol para dar o fora daqui”. Faltou também a dublagem fora de sincronia. Entretanto, enganou muita gente, por isso mereceu levar um Oscar.
O pastelão poderia ser um episódio do Chaves, mas era a esperada edição do Oscar. A atuação, bem dirigida e bem executada, poderia terminar na delegacia, mesmo assim tenho certeza que não passou de uma estratégia para alavancar a audiência e a repercussão. O episódio poderia inclusive terminar pior; para mim, tudo não passou de uma ação entre amigos bem treinados.
Sempre seguiu bem essa estratégia, na qual a polêmica é o mais importante, o MTV Vídeo Music Awards. A atração da MTV sempre foi mais comentada pelos “barracos” armados que pelos videoclipes; o grande evento da Academia também trilha este caminho. Não demorará muito e o evento proporcionará coisas que ocupariam os bastidores, como um beijo gay.
Já me conformei, o objetivo da Academia é outro. Adaptado-se à Era dos “streamings”, o que importa é virar comentário nas redes sociais e “sites” de fofoca e viver de “views” e “likes” como um “youtuber” adolescente.
Por enquanto, eu pergunto: qual é o melhor filme? Quem é a melhor atriz?
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Shopping Cidade Jardim 🔵
Eu sempre gostei de shopping e achava isso normal. Pelo menos, até ir ao shopping mais exclusivo de São Paulo à época (talvez ainda seja), o Cidade Jardim.
Esse centro de compras, entretenimento e alimentação é tão proibitivo, refratário para gente não “diferenciada”, que não tem entrada para pedestres.
Eu resolvi conhecer um local onde sabem a qual classe social você pertence (e se você é alguém interessante) pela etiqueta da sua roupa. Entrei ali, trajando tênis surrados, calça de agasalho, jaqueta jeans gasta pelo tempo e um boné velho. Com essa roupa, digamos, “despretensiosa” devo ter sido estigmatizado e observado como alguém que “caiu de pára-quedas” nesse shopping. Eu até poderia ser alguém descolado, despojado, excêntrico, mas eu era facilmente identificável como pobre. Acho que é um carimbo imaginário: POBRE. Isso te torna, automaticamente, ao se aproximar de uma loja fina: suspeito. No mínimo um curioso.
Os seguranças devem ter seguido cada passo meu. Fico imaginando um segurança subalterno seguindo cada movimento meu em diversos monitores: escadas rolantes, corredores, portas de lojas e lanchonete.
O contrário de inclusivo (que inclui) é exclusivo (que exclui), e, nesse dia, num local exclusivo, me senti excluído. Entretanto, ninguém me tratou mal, olhou feio, cochichou ou fingiu que eu não existia. Nas poucas interações humanas que fui obrigado a estabelecer, fui recebido com muita simpatia, atenção e alguma desconfiança que eu estava no lugar errado. Uma abordagem imaginária, porém plausível:
— O que é que você está fazendo aqui? O Shopping Itaquera é na Zona Leste.
O preconceito todo estava na minha cabeça. O meu jeito de vestir, a ausência de roupa de grife (“uns pano de marca”) e ter chegado ali sem carro, povoou minha mente. As diferenças sociais, que eu achei que os outros teriam, partiam de mim.
Reconheço, eu não estava na minha “praia paulistana”. Eu curto aquelas lojas nas quais você realiza o chamado “autoatendimento”, entra no provador com umas dez peças (tudo na promoção) e encontra várias pessoas vestindo camisetas com a mesma estampa que a sua. Além disso, gosto de praça de alimentação, com muitas opções, desde que tenha McDonald’s. O bom é escolher entre todas as opções - até aquele restaurante vazio com um funcionário triste segurando um cardápio -, terminando por devorar um lanche, fritas e Coca na lanchonete do palhaço americano.
Esse centro de compras, entretenimento e alimentação é tão proibitivo, refratário para gente não “diferenciada”, que não tem entrada para pedestres.
Eu resolvi conhecer um local onde sabem a qual classe social você pertence (e se você é alguém interessante) pela etiqueta da sua roupa. Entrei ali, trajando tênis surrados, calça de agasalho, jaqueta jeans gasta pelo tempo e um boné velho. Com essa roupa, digamos, “despretensiosa” devo ter sido estigmatizado e observado como alguém que “caiu de pára-quedas” nesse shopping. Eu até poderia ser alguém descolado, despojado, excêntrico, mas eu era facilmente identificável como pobre. Acho que é um carimbo imaginário: POBRE. Isso te torna, automaticamente, ao se aproximar de uma loja fina: suspeito. No mínimo um curioso.
Os seguranças devem ter seguido cada passo meu. Fico imaginando um segurança subalterno seguindo cada movimento meu em diversos monitores: escadas rolantes, corredores, portas de lojas e lanchonete.
O contrário de inclusivo (que inclui) é exclusivo (que exclui), e, nesse dia, num local exclusivo, me senti excluído. Entretanto, ninguém me tratou mal, olhou feio, cochichou ou fingiu que eu não existia. Nas poucas interações humanas que fui obrigado a estabelecer, fui recebido com muita simpatia, atenção e alguma desconfiança que eu estava no lugar errado. Uma abordagem imaginária, porém plausível:
— O que é que você está fazendo aqui? O Shopping Itaquera é na Zona Leste.
O preconceito todo estava na minha cabeça. O meu jeito de vestir, a ausência de roupa de grife (“uns pano de marca”) e ter chegado ali sem carro, povoou minha mente. As diferenças sociais, que eu achei que os outros teriam, partiam de mim.
Reconheço, eu não estava na minha “praia paulistana”. Eu curto aquelas lojas nas quais você realiza o chamado “autoatendimento”, entra no provador com umas dez peças (tudo na promoção) e encontra várias pessoas vestindo camisetas com a mesma estampa que a sua. Além disso, gosto de praça de alimentação, com muitas opções, desde que tenha McDonald’s. O bom é escolher entre todas as opções - até aquele restaurante vazio com um funcionário triste segurando um cardápio -, terminando por devorar um lanche, fritas e Coca na lanchonete do palhaço americano.
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Censura livre ♦️
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez o que melhor sabe: o “serviço sujo”. A suspensão do Telegram (rede social) atrapalhou a vida (honesta) de muita gente, entretanto atendeu muitos interesses escusos.
A Globo conseguiu o que queria. Fingindo estar preocupada com crimes nas redes sociais, a rede de comunicação exibiu suas diretrizes em forma de reportagem no Fantástico. A emissora carioca praticamente disse: É isso. Obedecendo o “start”, Moraes atendeu.
Miriam Leitão, apresentadora da emissora, talvez pretendendo ser uma espécie de funcionária do mês ou apenas tentando manter o emprego, externou (no ar) a sua vontade (e da emissora): que Jair Bolsonaro fosse banido das redes sociais. A senha já estava sendo dada e a manobra urdida.
É fato que a audiência dos canais de televisão vêm caindo por causa da internet, mas a reversão deste movimento é impossível. O que a Globo conquista é a antipatia de quem procura uma tela que o distraia. As outras TVs também tentam reverter o interesse, apelidando o que circula na internet de “fake news”. Notícia falsa ou simplesmente fofoca sempre existiu; a novidade é a quantidade de pessoas preocupadas com que isso não atrapalhe a “democracia”.
A atitude do ministro revela a total ausência de empecilhos e limites para as coisas voltarem a ser como sempre foram. E têm muitos interesses em jogo, sendo que os principais são: eleitorais e de audiência. É claro que ambos os interesses confluem para as finanças.
Bolsonaro foi um acidente, isto ficou claro pela quantidade (e qualidade) das figuras que mais o odeiam e fazem “o diabo” para que ele não seja reeleito. As “urnas confiáveis” serão a última barreira para impedir o que nem um tsunami de rejeitos da Vale, incêndios, derramamento de óleo no mar, enchentes, deslizamentos, pandemia e guerra conseguiram.
Alexandre de Moraes não suportou a pressão e suspendeu o bloqueio do Telegram, mas a perseguição não foi suspensa.
Alexandre de Moraes, “a paz sem voz não é paz, é medo”.
“Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”.
Abraham Lincoin
A Globo conseguiu o que queria. Fingindo estar preocupada com crimes nas redes sociais, a rede de comunicação exibiu suas diretrizes em forma de reportagem no Fantástico. A emissora carioca praticamente disse: É isso. Obedecendo o “start”, Moraes atendeu.
Miriam Leitão, apresentadora da emissora, talvez pretendendo ser uma espécie de funcionária do mês ou apenas tentando manter o emprego, externou (no ar) a sua vontade (e da emissora): que Jair Bolsonaro fosse banido das redes sociais. A senha já estava sendo dada e a manobra urdida.
É fato que a audiência dos canais de televisão vêm caindo por causa da internet, mas a reversão deste movimento é impossível. O que a Globo conquista é a antipatia de quem procura uma tela que o distraia. As outras TVs também tentam reverter o interesse, apelidando o que circula na internet de “fake news”. Notícia falsa ou simplesmente fofoca sempre existiu; a novidade é a quantidade de pessoas preocupadas com que isso não atrapalhe a “democracia”.
A atitude do ministro revela a total ausência de empecilhos e limites para as coisas voltarem a ser como sempre foram. E têm muitos interesses em jogo, sendo que os principais são: eleitorais e de audiência. É claro que ambos os interesses confluem para as finanças.
Bolsonaro foi um acidente, isto ficou claro pela quantidade (e qualidade) das figuras que mais o odeiam e fazem “o diabo” para que ele não seja reeleito. As “urnas confiáveis” serão a última barreira para impedir o que nem um tsunami de rejeitos da Vale, incêndios, derramamento de óleo no mar, enchentes, deslizamentos, pandemia e guerra conseguiram.
Alexandre de Moraes não suportou a pressão e suspendeu o bloqueio do Telegram, mas a perseguição não foi suspensa.
Alexandre de Moraes, “a paz sem voz não é paz, é medo”.
“Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”.
Abraham Lincoin
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O eleito ♦️
Grande parte da imprensa já havia eleito Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, o “herói da resistência. Seguindo a velha tática “Big Brother Brasil”, o papel de vilão ficou com Vladimir Putin (por razões óbvias); bastou a Zelensky existir para a velha imprensa impor o roteiro da guerra e começar a “construir” aquele que cumpriria o papel de herói na narrativa ensaiada.
A revista Caras de Portugal, inconformada com seu papel quase inútil na cobertura de uma guerra, estampou (na capa) o primeiro casal da Ucrânia no estilo “o presidente e a primeira-dama são flagrados curtindo o friozinho de Campos do Jordão”. A dupla ucraniana ganhou o texto (na capa da revista) de: “ A resistência.
Demonstrando falta de qualquer empatia ou “timing”, os dois foram retratados com sorrisos e poses de subcelebridades. Justiça seja feita, não se sabe quando foi feita a fotografia do casal alegre.
Volodymyr Zelensky, o comediante, demonstra alto poder de comunicação. Diferentemente do seu poderio bélico, o presidente da Ucrânia atua com desenvoltura quando câmeras, refletores e microfones são ligados. Figura midiática, ele lida visivelmente à vontade entre tudo que registra imagens e frases de efeito; ao contrário, o presidente russo se sente confortável cercado por pólvora, projéteis e fardamento militar.
Enquanto a imprensa cuida de como Zelensky será “vendido” ao mundo, eu imagino Vladimir Putin numa sala do alto comando militar, reunido com generais, decidindo qual será a próxima manobra bélica. O ex-KGB não deve ter se espantado em ter sido classificado como o vilão do conflito; o comediante, pelo contrário, deve ter ficado muito surpreendido quando acordou “eleito” o herói sem ter nenhum feito heroico na invasão. Tanto Putin quanto Zelensky precisam fazer muito pouco para serem colocados em seus respectivos lugares no “viés de confirmação”.
Movimento Brasil Livre (MBL), voluntários ocidentais e “consórcio” de “des”informação (velha imprensa) acreditam ou tentam nos fazer crer que a guerra é uma balada da Vila Madalena, um jogo de videogame ou um protesto (Winter on Fire) em que tentam resolver tudo cantando “Imagine”, tocando piano ou violino, respectivamente. Somente o distanciamento da realidade explica tamanha romantização da guerra.
Quem vê Caras não vê coração.
A revista Caras de Portugal, inconformada com seu papel quase inútil na cobertura de uma guerra, estampou (na capa) o primeiro casal da Ucrânia no estilo “o presidente e a primeira-dama são flagrados curtindo o friozinho de Campos do Jordão”. A dupla ucraniana ganhou o texto (na capa da revista) de: “ A resistência.
Demonstrando falta de qualquer empatia ou “timing”, os dois foram retratados com sorrisos e poses de subcelebridades. Justiça seja feita, não se sabe quando foi feita a fotografia do casal alegre.
Volodymyr Zelensky, o comediante, demonstra alto poder de comunicação. Diferentemente do seu poderio bélico, o presidente da Ucrânia atua com desenvoltura quando câmeras, refletores e microfones são ligados. Figura midiática, ele lida visivelmente à vontade entre tudo que registra imagens e frases de efeito; ao contrário, o presidente russo se sente confortável cercado por pólvora, projéteis e fardamento militar.
Enquanto a imprensa cuida de como Zelensky será “vendido” ao mundo, eu imagino Vladimir Putin numa sala do alto comando militar, reunido com generais, decidindo qual será a próxima manobra bélica. O ex-KGB não deve ter se espantado em ter sido classificado como o vilão do conflito; o comediante, pelo contrário, deve ter ficado muito surpreendido quando acordou “eleito” o herói sem ter nenhum feito heroico na invasão. Tanto Putin quanto Zelensky precisam fazer muito pouco para serem colocados em seus respectivos lugares no “viés de confirmação”.
Movimento Brasil Livre (MBL), voluntários ocidentais e “consórcio” de “des”informação (velha imprensa) acreditam ou tentam nos fazer crer que a guerra é uma balada da Vila Madalena, um jogo de videogame ou um protesto (Winter on Fire) em que tentam resolver tudo cantando “Imagine”, tocando piano ou violino, respectivamente. Somente o distanciamento da realidade explica tamanha romantização da guerra.
Quem vê Caras não vê coração.
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