Lista de Poemas
CHUVAS QUE LAVAM AS ALMAS
Gosto de quando chove
e os homens ficam quietos
nos parâmetros faustos
do mundo.
Gosto de quando chove
e se afastam de mim os vestígios púmbleos
dos contínuos ciclos abnormais
salpicados nos desalinhos.
Gosto de quando chove
e me escondo em meu canto,
anoitecendo-me em claustro silêncio,
de onde não posso ver nem atuar
nos entrevados palcos
de concretos.
Gosto de quando chove,
porque tento me desfazer - em vão - também
de meus próprios vestígios espúrios,
lançando-os às enxurradas
dos precipícios.
Mas, quando a chuva para,
perco com o líquido o momento onírico
e retorno à coleção de imagens
e de superficialidades
cimentais,
com minhas performances
dissimuladas e com meus versos
escumalhados.
e os homens ficam quietos
nos parâmetros faustos
do mundo.
Gosto de quando chove
e se afastam de mim os vestígios púmbleos
dos contínuos ciclos abnormais
salpicados nos desalinhos.
Gosto de quando chove
e me escondo em meu canto,
anoitecendo-me em claustro silêncio,
de onde não posso ver nem atuar
nos entrevados palcos
de concretos.
Gosto de quando chove,
porque tento me desfazer - em vão - também
de meus próprios vestígios espúrios,
lançando-os às enxurradas
dos precipícios.
Mas, quando a chuva para,
perco com o líquido o momento onírico
e retorno à coleção de imagens
e de superficialidades
cimentais,
com minhas performances
dissimuladas e com meus versos
escumalhados.
👁️ 155
O PULSO
Pulsa o hieróglifo
da existência:
os soberbos pássaros
- que colecionam imagens, sonhos,
pedras e musgos - não estão
libertos em seus viveiros
de ouro.
Há ecos de dor entre
as paredes:
por isso mandem livros
aos prisioneiros, contando-lhes
as estórias dos poetas, das lendas
e dos cancioneiros.
Mas, para que
não morram na alfama,
não deixem que descubram
a grande verdade:
de que são aves
absolutamente planas,
e de que as grades são feitas
de ebriedades
originadas de suas
mentes insanas e de suas salivas
humanas.
da existência:
os soberbos pássaros
- que colecionam imagens, sonhos,
pedras e musgos - não estão
libertos em seus viveiros
de ouro.
Há ecos de dor entre
as paredes:
por isso mandem livros
aos prisioneiros, contando-lhes
as estórias dos poetas, das lendas
e dos cancioneiros.
Mas, para que
não morram na alfama,
não deixem que descubram
a grande verdade:
de que são aves
absolutamente planas,
e de que as grades são feitas
de ebriedades
originadas de suas
mentes insanas e de suas salivas
humanas.
👁️ 197
INSOLENTES MÁSCARAS
Os abnormais se disfarçam
com insolentes máscaras,
entre labirintos idílicos
e bestiários demoníacos.
As rimas que engravidam sonhos
e os verbos que ressoam regozijos
evidenciam as hégiras iludidas
das próprias senciências espúrias.
A pura e virgem floresta foi
inexoravelmente violada,
gerando multidões de filhos apócrifos,
de modo que as chagas marfolhas
se espalharam por todo espectro:
pássaros artificiais
voam a cingirem os céus
com sonhos, fantasias
e esperanças exíguas;
borboletas flutuantes
pululam, de flor em flor,
a adornarem esplêndidos
jardins rupestres;
pavões menestréis
pupilam composições de belas sinfonias,
para tentarem mover
inércias oníricas;
papagaios despercebidos
tartareiam, em repetições moucas,
as reticentes promiscuidades
dos verbos e dos versos;
vagalumes incautos
elogiam, luzindo seus faróis,
os ermos e frios silêncios
das sombras noturnas;
marimbondos negros
não conseguem, carregados
de solidão e ruína, ladear risos
em quimeras inexeqüíveis;
serpentes assassinas
silvam, em fome insaciável,
às rasas e secas superficialidades
dos chãos e dos lodos;
lobos se vestem ovelhas,
em soturnas esperas,
para o abate das frágeis presas
que perderam as asas.
Ao fim, o baile está formado
no inferno dos homens;
e os corpos dançam encurvados
em intensos frenesis,
à nau das insânias
incontidas, das palavras voláteis,
das concupiscências vadias
e das esperanças exíguas.
E as almas - se existem -
singram em agonia, por não termos
o mínimo de cuidado para que
não morram no vazio.
com insolentes máscaras,
entre labirintos idílicos
e bestiários demoníacos.
As rimas que engravidam sonhos
e os verbos que ressoam regozijos
evidenciam as hégiras iludidas
das próprias senciências espúrias.
A pura e virgem floresta foi
inexoravelmente violada,
gerando multidões de filhos apócrifos,
de modo que as chagas marfolhas
se espalharam por todo espectro:
pássaros artificiais
voam a cingirem os céus
com sonhos, fantasias
e esperanças exíguas;
borboletas flutuantes
pululam, de flor em flor,
a adornarem esplêndidos
jardins rupestres;
pavões menestréis
pupilam composições de belas sinfonias,
para tentarem mover
inércias oníricas;
papagaios despercebidos
tartareiam, em repetições moucas,
as reticentes promiscuidades
dos verbos e dos versos;
vagalumes incautos
elogiam, luzindo seus faróis,
os ermos e frios silêncios
das sombras noturnas;
marimbondos negros
não conseguem, carregados
de solidão e ruína, ladear risos
em quimeras inexeqüíveis;
serpentes assassinas
silvam, em fome insaciável,
às rasas e secas superficialidades
dos chãos e dos lodos;
lobos se vestem ovelhas,
em soturnas esperas,
para o abate das frágeis presas
que perderam as asas.
Ao fim, o baile está formado
no inferno dos homens;
e os corpos dançam encurvados
em intensos frenesis,
à nau das insânias
incontidas, das palavras voláteis,
das concupiscências vadias
e das esperanças exíguas.
E as almas - se existem -
singram em agonia, por não termos
o mínimo de cuidado para que
não morram no vazio.
👁️ 160
MUTAÇÕES
Ao alvorecer,
entre as coisas singras
do mundo,
aprendi a fertilizar
vazios, com as incautas salivas
do verbo.
Ao entardecer,
entre as metamorfoses dos pássaros
e das borboletas,
já era céus,
mares e sonhos no disfarce
plácido.
Ao crepúsculo,
pela primeira vez, resolvi contemplar
meu envilecido reflexo
e percebi que era,
na verdade, um penhasco
taciturno.
À noite,
fria e insone, com o cálice vazio
entre destroços e cinzas
rupestres,
ando-me a esperar,
em convulsões íntimas, meu definitivo
estio de mim
no apagar-se
das faustas e degeneradas
luzes do palco.
entre as coisas singras
do mundo,
aprendi a fertilizar
vazios, com as incautas salivas
do verbo.
Ao entardecer,
entre as metamorfoses dos pássaros
e das borboletas,
já era céus,
mares e sonhos no disfarce
plácido.
Ao crepúsculo,
pela primeira vez, resolvi contemplar
meu envilecido reflexo
e percebi que era,
na verdade, um penhasco
taciturno.
À noite,
fria e insone, com o cálice vazio
entre destroços e cinzas
rupestres,
ando-me a esperar,
em convulsões íntimas, meu definitivo
estio de mim
no apagar-se
das faustas e degeneradas
luzes do palco.
👁️ 183
UMA VITÓRIA APÓS A MORTE!
E atravessaram,
enfim - poeta e poetisa -, as frias
e voláteis grades das
verbalizações;
e se amaram - onírica,
silente e distantemente - com versos secretos,
corpos ausentes e fulgurosas
imaginações;
e com tal fulgor
que não esperaram sequer serem servidos
do doce e infinito cântaro
de sublime união;
logo eles, conhecedores
do quão difícil seria voltarem à laiva
e dura realidade, com suas almas
em exausta desilusão.
enfim - poeta e poetisa -, as frias
e voláteis grades das
verbalizações;
e se amaram - onírica,
silente e distantemente - com versos secretos,
corpos ausentes e fulgurosas
imaginações;
e com tal fulgor
que não esperaram sequer serem servidos
do doce e infinito cântaro
de sublime união;
logo eles, conhecedores
do quão difícil seria voltarem à laiva
e dura realidade, com suas almas
em exausta desilusão.
👁️ 150
FLOR DESPETALADA
Alguém machucou
seu coração dizendo-lhe que
me viu cachorrando
por aí.
Com a singra no peito,
ela foi averiguar o maldito dito,
e me viu cachorrando
por aí.
E eu, que realmente
a amo, mesmo cachorrando
dissimuladamente
por aí,
e que me escondia
para não fazê-la sofrer, só queria saber
quem foi o grande filha da puta
que lhe contou isso.
seu coração dizendo-lhe que
me viu cachorrando
por aí.
Com a singra no peito,
ela foi averiguar o maldito dito,
e me viu cachorrando
por aí.
E eu, que realmente
a amo, mesmo cachorrando
dissimuladamente
por aí,
e que me escondia
para não fazê-la sofrer, só queria saber
quem foi o grande filha da puta
que lhe contou isso.
👁️ 138
LOUR
Quero esconder-me
nas paredes da nova casa,
a casa que aguardou meu regresso,
com meu fiel espelho pendurado
na sala;
quero retornar
à casa nova com nossas noites de amor,
de chuvas de fogo, de incontroláveis
desejos e também de severos
pesadelos.
Não quero mais ficar
adoecido da sepultada, qnquanto me aguarda
e me acolhe a casa nova,
que, como eu,
não acredita em amores infinitos,
mas que sabe fazer com que o momento
se torne perpétuo!
nas paredes da nova casa,
a casa que aguardou meu regresso,
com meu fiel espelho pendurado
na sala;
quero retornar
à casa nova com nossas noites de amor,
de chuvas de fogo, de incontroláveis
desejos e também de severos
pesadelos.
Não quero mais ficar
adoecido da sepultada, qnquanto me aguarda
e me acolhe a casa nova,
que, como eu,
não acredita em amores infinitos,
mas que sabe fazer com que o momento
se torne perpétuo!
👁️ 150
LAÇOS AMALDIÇOADOS
Passou por mim
uma flor de fulgas palavras,
a me mostrar rotas de liberdade
entre sonhos e fantasias
bordadas;
quando percebi
que ela escondia seu outro lado
que, obscurecidamente, nada
tinha de agrado,
já era tarde demais:
foi então que começou meu fardo
entre ventos, tempestades
e descalabros.
uma flor de fulgas palavras,
a me mostrar rotas de liberdade
entre sonhos e fantasias
bordadas;
quando percebi
que ela escondia seu outro lado
que, obscurecidamente, nada
tinha de agrado,
já era tarde demais:
foi então que começou meu fardo
entre ventos, tempestades
e descalabros.
👁️ 142
O BAILE CHEGOU AO FIM
Pensei que um dia
descansaríamos em caminhos
que não se convergissem
em chuvas de fogo,
ausentes da rigorosa
complexidade de nossos cernes,
dos malfazejos versos
de nossas bocas,
dos rútilos devaneios
de nossas mentes, dos inalcançáveis silêncios
de nossos sonhos e das afiadas lâminas
de nossas fantasias.
Mas, de minha falésia
ao árido deserto, onde não mais podes
me escorrer tua seiva, e de onde
não mais posso descortinar
teus véus,
ainda guardo reminiscências
de teu cântaro esquálido, de tua alma
nevoenta, de tuas enigmáticas
reticências
e de tuas sílabas juncas
a forjarem alvos arrebóis em itinerários
de pseudoliberdade, onde tantas
e tantas vezes te caías
camuflada.
Ainda bem que outros pássaros,
também puristas como tu, apaziguaram-te
com novos sonhos, alegorias, versos,
concupiscências e salivas
ébrias;
ainda bem que não mais
podes me ver com tempestades na retina,
a lutar, enquanto não se extingue o dia,
contra minhas próprias
apocrifias,
que tantas vezes
me conduziram a soberbos voos
e cruciantes quedas - junto com meus
semelhantes sapiens -
nas dissimuladas coreografias
da vida.
descansaríamos em caminhos
que não se convergissem
em chuvas de fogo,
ausentes da rigorosa
complexidade de nossos cernes,
dos malfazejos versos
de nossas bocas,
dos rútilos devaneios
de nossas mentes, dos inalcançáveis silêncios
de nossos sonhos e das afiadas lâminas
de nossas fantasias.
Mas, de minha falésia
ao árido deserto, onde não mais podes
me escorrer tua seiva, e de onde
não mais posso descortinar
teus véus,
ainda guardo reminiscências
de teu cântaro esquálido, de tua alma
nevoenta, de tuas enigmáticas
reticências
e de tuas sílabas juncas
a forjarem alvos arrebóis em itinerários
de pseudoliberdade, onde tantas
e tantas vezes te caías
camuflada.
Ainda bem que outros pássaros,
também puristas como tu, apaziguaram-te
com novos sonhos, alegorias, versos,
concupiscências e salivas
ébrias;
ainda bem que não mais
podes me ver com tempestades na retina,
a lutar, enquanto não se extingue o dia,
contra minhas próprias
apocrifias,
que tantas vezes
me conduziram a soberbos voos
e cruciantes quedas - junto com meus
semelhantes sapiens -
nas dissimuladas coreografias
da vida.
👁️ 156
SIMPLESMENTE NADA!
... nem a vida nem a morte,
nem o céu, nem o inferno,
nem a salvação, nem o apocalipse,
nem o amor, nem a dor, nem o rancor,
nem a paixão, nem o tesão,
nem o sonho, nem a fantasia
nem nenhuma dos sapiens criação
realmente é de conhecimento
ou importa ao eterno, frio e insenciente
Cosmo de Deus!
nem o céu, nem o inferno,
nem a salvação, nem o apocalipse,
nem o amor, nem a dor, nem o rancor,
nem a paixão, nem o tesão,
nem o sonho, nem a fantasia
nem nenhuma dos sapiens criação
realmente é de conhecimento
ou importa ao eterno, frio e insenciente
Cosmo de Deus!
👁️ 126
Comentários (7)
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fernanda_xerez
2018-08-17
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
fernanda_xerez
2018-02-26
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
2018-01-09
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
fernanda_xerez
2017-12-23
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
fernanda_xerez
2017-12-23
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*