Escritas

O BAILE CHEGOU AO FIM

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT
Pensei que um dia
descansaríamos em caminhos
que não se convergissem
em chuvas de fogo,

ausentes da rigorosa
complexidade de nossos cernes,
dos malfazejos versos
de nossas bocas,

dos rútilos devaneios
de nossas mentes, dos inalcançáveis silêncios
de nossos sonhos e das afiadas lâminas
de nossas fantasias.

Mas, de minha falésia
ao árido deserto, onde não mais podes
me escorrer tua seiva, e de onde
não mais posso descortinar
teus véus,

ainda guardo reminiscências
de teu cântaro esquálido, de tua alma
nevoenta, de tuas enigmáticas
reticências

e de tuas sílabas juncas
a forjarem alvos arrebóis em itinerários
de pseudoliberdade, onde tantas
e tantas vezes te caías
camuflada.

Ainda bem que outros pássaros,
também puristas como tu, apaziguaram-te
com novos sonhos, alegorias, versos,
concupiscências e salivas
ébrias;

ainda bem que não mais
podes me ver com tempestades na retina,
a lutar, enquanto não se extingue o dia,
contra minhas próprias
apocrifias,

que tantas vezes
me conduziram a soberbos voos
e cruciantes quedas - junto com meus
semelhantes sapiens -

nas dissimuladas coreografias
da vida.
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