Escritas

CHUVAS QUE LAVAM AS ALMAS

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT
Gosto de quando chove
e os homens ficam quietos
nos parâmetros faustos
do mundo.

Gosto de quando chove
e se afastam de mim os vestígios púmbleos
dos contínuos ciclos abnormais
salpicados nos desalinhos.

Gosto de quando chove
e me escondo em meu canto,
anoitecendo-me em claustro silêncio,
de onde não posso ver nem atuar
nos entrevados palcos
de concretos.

Gosto de quando chove,
porque tento me desfazer - em vão - também
de meus próprios vestígios espúrios,
lançando-os às enxurradas
dos precipícios.

Mas, quando a chuva para,
perco com o líquido o momento onírico
e retorno à coleção de imagens
e de superficialidades
cimentais,

com minhas performances
dissimuladas e com meus versos
escumalhados.
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