Escritas

Lista de Poemas

A VISIONÁRIA

... aí, não,
tu dizes que sorris,
depois choras;

tu dizes
que o amas, depois
reclamas;

tu entras
em cena e sai no intervalo
das apresentações;

tu floreias
os sentimentos e colores
os sofrimentos;

tu vais
para a cama e nega, do cara,
a breve derrama:

deste jeito,
aí não, tu vais te acabar
é exatamente no que não te
consome!
👁️ 143

NÃO GUARDO RANCOR, MAS SINTO PENA

... perdida
em embriaguezes vacilantes,
ela congita, totalmente alheia
ao que sou,

e insipidemente
frenética e alheia também o
que de si mesma
é:

e não há
remédios ou anestésicos
para tal chaga,

que
sempre almeja luz e paz
absurdas, acenando os negros
mantos da guerra!
👁️ 176

SEM SURPRESAS

Ainda bem
que já não me surpreendo
mais com os menestréis,
com os doutores e com os velhos
puristas que habitam
os píncaros urubuzeiros:

quando eu era jovem,
diziam que minha geração
estava perdida,
e hoje repetimos o discurso
de que a nova geração
está perdida;

e nisso eles acertaram
mesmo em cheio,
porque todas as novas gerações
estiveram perdidas
no exato ponto em que
envelheceram,

porque, quanto mais estudados
e talhados a conhecimentos
e experiências de vida,
é que mais reinauguramos incautamente
as casualidades do universo,

desafiamos o poder do átomo,
criando mortais ogivas nucleares,
decidimos pela guerra quando podemos
escolher a paz,

e contribuímos,
embora os esplendes discursos
sejam sempre mantidos,
para os ominosos apartheids
entre raças e povos.
👁️ 162

TUA ESPERANÇA ESTÁ MORTA!

... entre anjos,
mitos e dromedários
cães,

entre estrelas,
paraísos e escuras
prisões,

entre as razoes
dos sapiens e as vertigens
de seus além-mares:

Bem,
muito bem, eu não sei
se sorrio ou se choro
disso:

Aonde vou?
Não sei.

Aonde vais?
Com certeza absoluta não
sera comigo!
👁️ 148

É A MORTE

É a morte,
a morte é que é,
a morte de tudo em vida
e a morte da própria
vida;

é a morte,
vinda por perda
do amor do amante,
ou da mãe, ou do pai,
ou do filho, ou mais que tudo
de si mesmo.

Sim, caríssimos,
é a morte, ou melhor,
é o medo dela que se anuncia
por nossos fracassos
ao caminho,

que dá combustível
a essas nossas faustas atuações
e fantasiosas vesanias
entre deuses, anjos, demônios
ou quentes corpos putos
de outros ratos
humanos.
👁️ 211

REGOZIJOS E SENCIÊNCIAS

Enquanto vos regozijais
com vossas senciências por aí,
digo que não há nenhuma chance
ou esperança:

as casualidades morreram,
as probabilidades foram aprisionadas
e tudo foi recriado,
inclusive os próprios destinos
porvires;

Sim, enquanto vos rejubilais
de vossas nobilíssimas
e filiais origens, afirmo que não há
absolutamente nenhuma
esperança mais:

agora,
a tudo o homem faz
com uma cegueira tal, que lhes
fizeram refém até aquilo
a que chamam
de Pai.
👁️ 182

OS VELHOS MENESTRÉIS

Pobres
de nós velhos,
que pensamos dominar o mundo
e regozijamos vastos conhecimentos
da vida, e do mundo,

e da mentes, e dos corpos,
e até abusamos da vantagem de ser velhos
para angariarmos vantagens,

enquanto falamos
de amor, de paz e promovemos
guerras por aí.

Tudo isso
só porque perdemos a capacidade
e nos alegrarmos com figurinhas
compradas no boteco
da esquina,

para montar
aquele álbum que cheirávamos
como se fosse o melhor
perfume que
existia;

ou porque perdemos
a capacidade de nos transformar
naqueles heróis aos quais assistíamos
quando crianças,

ou de tremer
diante daqueles
pares de pernas que desfilavam
à nossa frente,

ou quando passávamos
anel por entre as mãos das mocinhas
e lhe poupávamos de queimadas
bruscas no paredão,

só porque ainda tínhamos
algo de tão puro e sonhador que nem
os anjos mais promíscuos
já sonharam ter.
👁️ 144

NÃO SUBESTIMEM A ETERNIDADE PRESENTE, O PORVIR SEMPRE TENDE AO NIHILO!

E entre o amor que pensávamos termos,
o sorriso que pensávamos termos,
o sonho que pensávamos construirmos,
e entre as florestas em que abrimos passagens
a lagos e rios virgens,
e entre os leitos
em que nos comemos e gozamos
extasiadamente aos litros,
e entre os paraísos
que onirizamos para nossos comuns
infinitos,
o que havia,
de fato, e não percebíamos, era só o momento
ao qual, muitas vezes, subestimávamos
colocando-lhes vãs atuações
e idolatrias.
E agora que não podemos
mais falar, pensar, sonhar, amar, sofrer, foder
ou chorar
comprovou-se
que nunca tivemos foi,
como eu sempre dizia e não entendias:
um nada vestido de vãs
fantasias!
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NA MÃO!

Somente quem já não ficou
a ver navios ou de pau duro em má situação,
quando aquela pomba que dizia
nos amar voou vociferando
suas indignações,

ou quem já passou
pelas sinuosas trilhas das estações
sem os rígidos frios hiemais
e as fluorescentes foices
estivais,

poderia realmente falar,
com direitos adquirido às horas mortas,
das angustiantes e dolorosas
quedas de meus voos
sem asas,

dos estranhos marulhos
de minhas enturvadas águas
e das desarmoniosas cegueiras
de minhas fluorescências
fragmentadas.


👁️ 188

ARRASADORA PAIXÃO

... anjos brancos
a beijavam, e pássaros azuis
a beijavam, e lobos excitados
___ a beijavam;

beijavam-na
e a comiam, bêbados, em estranhas
simbioses com sua performance
___ e com sua beleza:

o cão
só se vitimou e a vitimou
com uma jamais vista negra
___ paixão

cujos gozos
os levaram a beiras de precipícios
e de eternas e intrínsecas
___ prisões!
👁️ 215

Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!