Lista de Poemas

AS CINZAS DOS ANOS

Precisas,
talvez nem tanto como eu,
mas precisas também

de um canto
onde possas falar das estrelas
e da eternidade

mesmo que
elas não existam, mesmo que
não haja nada;

precisas,
como eu, tentar subver a razão
e fugir das lógicas dos lábios
e dos traços,

mesmo que
isso rasgue os ventos,
os versos e tudo que te houver
sagrado;

precisas,
como eu, que estou ao fim
da jornada, de um lugar
onde possas te
descansar

e te sentires
simplesmente amada.
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ARRASADORA PAIXÃO

... anjos brancos
a beijavam, e pássaros azuis
a beijavam, e lobos excitados
___ a beijavam;

beijavam-na
e a comiam, bêbados, em estranhas
simbioses com sua performance
___ e com sua beleza:

o cão
só se vitimou e a vitimou
com uma jamais vista negra
___ paixão

cujos gozos
os levaram a beiras de precipícios
e de eternas e intrínsecas
___ prisões!
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EINSTEIN, DEUS, COMO TU PENSAVAS, NÃO É MATEMÁTICO!

... desde o surgimento da abnomalia,
não há mais relatividade percebível sem o sapiens,

e este foi, provavelmente,
o maior erro de Albert Einstein,

por não incorporar
parte da filosofia, da quântica e da incerteza
em sua teoria da relatividade;

ao Cosmo desprovido
de nossas retinas, como as coisas não se sabem
coisas ou como nada que seja descritível
ou analisável pelo ser,

não há nem o tempo,
nem o espaço, nem sequer o ponto que sirva
de referencial para qualquer coisa,
predominando-se assim
o eterno caos.




A relatividade
veio a ser instalada exatamente com a visão
racional, metafísica, filosófica, onírica, espiritual
ou dementemente sapiens

e está condenada
sobre alicerces sapiens que, para o Cosmo virgem,
simplesmente não existem!
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EGOCENTRISMO

Sei que corro sério risco
de vereis egocentrismo no que vou dizer
- e nem me nego tal imanência -,
entretanto não mais me permito medos
nesta breve jornada;

muito pelo contrário
habituei-me a transitar entre a solidão,
com meus fantasmas bastardos
e com minhas imanentes sombras,
como há tanto tempo tenho feito:

Raro me é tolerar,
por muito tempo, alguém próximo
sem que o chateie com meus fétidos suores
e meus avessos reflexos;

e quando me perco
a olhar rostos, pernas, peitos, vulvas
e contos de fadas regozijados
por anjos e demônios,








é prenúncio de naufrágio,
não da humaníssima relação em si,
mas do que de melhor se costuma perder
quando também se perde
a cegueira.

Antes seja, portanto,
a inalcançável pureza dos sem-limites
do que os escândalos e as quedas
ao fim dos encharcados
crepúsculos.
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FILOSÓFICOS

Dos bem traçados
pensamentos filosóficos
às repetidas orações de fervorosa fé,
e aos adocicados versos
de amor,

a maioria das coisas
que costumo ler parecem
escritas por covardes
ou alienados.

E tudo bem
que queiram passar a vida
persistindo em grafar chãos e sombras
pensando ser céus
e luzes,

mas, quanto a mim,
não mais posso me permitir
escrever absurdas
mentiras:

nunca fui digno,
nem mesmo um pouco menos
fausto e dissimulado
que seja,

para me situar
em outro lugar que não os destroços
e os lixos de minhas próprias
loucuras.
👁️ 158

COMO A BONECA RUSSA EM CASA DE SILÊNCIOS

... os ontens
e o que é do mundo,

tantas portas
e janelas abertas,

ventando para
todo lado;

e eu, o tempo todo,
estava dentro,

ali no escuro
do quarto fechado,

sem que pudesses
perceber

que eu não
queria apalavradas sempiternidades,






mas apenas um sentar
em sincera paz

ao meu lado,

e, se possível,
algumas flores esparramadas
pelo escuro chão
do quarto.
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AS CINZAS DOS ANOS

Precisas,
talvez nem tanto como eu,
mas precisas também

de um canto
onde possas falar das estrelas
e da eternidade

mesmo que
elas não existam, mesmo que
não haja nada;

precisas,
como eu, tentar subver a razão
e fugir das lógicas dos lábios
e dos traços,

mesmo que
isso rasgue os ventos,
os versos e tudo que te houver
sagrado;

precisas,
como eu, que estou ao fim
da jornada, de um lugar
onde possas te
descansar

e te sentires
simplesmente amada.
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COMO A BONECA RUSSA EM CASA DE SILÊNCIOS

... os ontens
e o que é do mundo,

tantas portas
e janelas abertas,

ventando para
todo lado;

e eu, o tempo todo,
estava dentro,

ali no escuro
do quarto fechado,

sem que pudesses
perceber

que eu não
queria apalavradas sempiternidades,

mas apenas um sentar
em sincera paz

ao meu lado,

e, se possível,
algumas flores esparramadas
pelo escuro chão
do quarto.
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ANJO LILITH

Era uma vez uma garça cristalizada que vivia com seus abismos escondidamente virados para baixo. Subia nos penhascos, navegava os mares e desbravava os céus estrelados. Mas quando fazia inverno, pisava os cravos e as baratas, para andar até a próxima tela a ser pintada.
Não jantava, banqueteava e transava com os anjos e com os pássaros. Depois de algumas asas quebradas, refugiava com o cão nas madrugadas.
Um dia chegou contando de uma seita maçônica e de um ser negro que dela fazia parte, desprevenida de que eu já havia me dado com algo muito pior: o diabo. Outra vez trouxe a história de um tio finado, com quem transava e, mesmo depois de morto, continuava a transar como se seus dedos fosse dele o pau eriçado, sem perceber que nada me assustava.
Quando falava do padre, seus abismos negros eu mostrava e lhe tirava as máscaras. Fui chamado de mensageiro por ter tido a coragem e a audácia de enfrentar uma demônia como nunca havia feito um anjo alado.
Brigou, choveu, chorou, amaldiçoou, invocou demônios e títulos sombrios para o cão que sempre lhe rosnava. Mas dele não conseguiu tirar nem um pelo do saco.
Endoidou. Saiu dando para qualquer poeta que aceitasse a condição de escravo, sem perceber que jamais ficaria livre de seu maior mestre e carrasco.
Desgraça para uma lilith figurada é nada perante a verdadeira Lilith do pedaço. "Cuidado com as pedras, amor, elas matam", falou-me dizendo me amar pela eternidade, sem perceber que eu era o próprio penhasco.
Alisou meninos e amou velhos. Masturbou-se com poeteiros em pelancas dos cantos e dos recantos Traiu o padre e tentou, vanamente, enganar o cão danado.
Tudo vão, pois avisei que a vi na laje e que vi sua queda de lá para fora do prédio em cinzas e sombras molhadas.
Onde ela está agora?
Temendo pela morte abrenunciada. Lamentando pela dor de que eu falava. Mendigando por mais um dia de vida "sem imagens", do qual eu lhe dizia, por condição humana, estar inapta.
Enquanto isso, o tempo voava e com ela os anjos gosavam, o tio morto gosava, o menino gosava, o marido das outras gosava, todos como bons intitulados.
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EU AINDA TE OUÇO NO SILÊNCIO

... naquele tempo
rasgávamos novas estradas
___ entre as matas;,

questionávamos
o grande estouro e ousávamos
pensar em outras
___ possibilidades;

víamos
na quântica o poder
ondulatório e ocasioso das
___ coisas todas;

dissecávamos
o ser em todas as suas faces
___ e máscaras;

origem,
destino,
amor,
vômitos de sombras e de fogos,
irreverência
___ e coragem:

sem dúvidas
nos viam como dois loucos
___ libertinários,

com o absoluto
poder da imaginação, da palavra
e das tresloucuras mais e menos
___ encantadas;

naquele tempo,
naquele tempo,
___ naquele pedaço de tempo,

em que tanto
falamos do Ser, do que dele é reinventado
___ e do não ser nada!
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!