Lista de Poemas

HÁ HORAS EM QUE APENAS PODEMOS DIZER: NADA

... quando acontece,
como tem acontecido há tempo demasiado
neste deserto comigo,
de perdemos
alguém tão amada e querida
e ficarmos com o coração em destroços
e vazios,
não adianta,
não adianta nada e nenhuma va tentative:
as coisas se tornam tão sem
sentido
e tão friamente
sem sentimentos e alicerces
que é como aprumar
pipas sem linhas!
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DEPOIS DE UM TEMPO

Depois de um tempo,
já se esquece a cor do céu,
exceto pela negritude nas nuvens,
a prenunciarem novas
tempestades;

depois de um tempo,
desmoronam-se os muros e barreiras,
porque já não existe o que
proteger em seus
interiores;

depois de um tempo,
arrefecem-se os sonhos incautos
e as indeléveis vontades dos voos,
porque as carnes se falesiaram
e as asas se quedaram
cansadas;

depois de um tempo,
deixam-se os imperativos
e se apela aos andares divinos,
em repetitivos suplicações
por alívios, redenções
e vidas eternas;

um pouco mais de tempo depois,
após jazida a abnormidade senciente,
já nenhum, nem algum,
nem nada;

a não ser o inexorável retorno
ao apagamento.
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DO PÓ AO PÓ

... poeira,
leve e incaulta poera somos,
já não nos sabendo mais de nossas
próprios composições
___ quânticas;

poeira
que sempre se levanta pensando
voar alto, mas que breve
___ retorna ao chão;

poeria feliz ou triste,
contida ou excitada pelo vento
ou pelo pensamento segue seu ciclo
de gozoa, de delírios
___ e de tormentos;

poeira que
ora é amor puro e, já em seguida,
se transforma em lama podre com chuvas
___ de fogo;

poeria,
sencientemente abnormal,
insana, e humana,
___ somos!
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NUNCA SE ESTÁ SALVO

... existem
nos profundos lados
de nossas próprias
noites,

algo que
talvez nunca tenhas
percebido:

auroras surreais,
desejos menestrais,
e ilusões sem iguais;

mas quando
se acorda aos próprios fundos
é sempre tarde
demais.
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A PEDRA SOMOS NÓS

... sim, Drumond,
no meio do caminho há
uma pedra,

há uma pedra
no meio do caminho à qual
Deus, que tudo podia, fez de forma
que na senciência e na absurda visão
retilínica dela não mais
poderia mexer;

sim, Drumond,
no meio do caminho foi criada uma pedra
(nós, sapiens)

que
me faz desconfiar de que Deus
já não mais tudo pode
fazer!
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EINSTEIN, DEUS, COMO TU PENSAVAS, NÃO É MATEMÁTICO!

... desde o surgimento da abnomalia,
não há mais relatividade percebível sem o sapiens,

e este foi, provavelmente,
o maior erro de Albert Einstein,

por não incorporar
parte da filosofia, da quântica e da incerteza
em sua teoria da relatividade;

ao Cosmo desprovido
de nossas retinas, como as coisas não se sabem
coisas ou como nada que seja descritível
ou analisável pelo ser,

não há nem o tempo,
nem o espaço, nem sequer o ponto que sirva
de referencial para qualquer coisa,
predominando-se assim
o eterno caos.




A relatividade
veio a ser instalada exatamente com a visão
racional, metafísica, filosófica, onírica, espiritual
ou dementemente sapiens

e está condenada
sobre alicerces sapiens que, para o Cosmo virgem,
simplesmente não existem!
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SEM TI, TUDO SE TORNOU DEMASIADO VAZIO

... apesar
das pernas cansadas,

apesar
das retinas já tão
fatigadas,

apesar
de todos os sonhos e esperanças
já terem naufragado,

apesar
de saber que nunca mais
terei tua palavra dedicada ou teu
abraço amado,

apesar de todas
as dores, de todas as angústias
e de todas as saudades,

apesar
de todos os faustos anjos,
de todos os demônios e de todas
as desgraças

ainda
caminho nesta vã estrada,
agora, sem ti, cheias de destroços,
de vazios e de nadas!
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SEMPRE A ILUSÃO À BEIRA DO ERRO

Tem qualquer coisa
à beira da ilusão, do erro,
ou mais provavelmente do naufrágio,
em quem poetisa essas coisas
de amor eterno, puro
e incondicional,

que só agradam
aos insectos trepadeiros
que gostam dos açúcares das porras,
ou aos pássaros de asas inclinadamente avesgalhadas,
que labutam em busca de fantasias,
sobrevoando os varais estirados
dos terreiros alheios;

isso para não dizer
que sejam aleijados no osso
- os insetos, os pássaros e as demais
metáforas apropriadas -
do seco cerne.








Mas devo confessar
que há algo bem mais estranho
nos pensamentos e nos eventos mentais
do niilista que escreve gozando - ou sangrando -
sombras e desesperanças;

o que não agrada,
nem interessa, àqueles que não têm
a mínima noção de que sejam em si, são o próprio erro,
sem nenhuma chance de recurso
ou conserto.
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ACASO A LUZ PODE ADENTRAS AS PROFUNDESAS?

Acaso a luz pode adentrar
as profundezas côncavas de vossas sombras,
para que continueis vos achando
assim tão inocentes,

enquanto mal conseguis
intransitivar o verbo às elucubrações
e julgos proferidos aos dissidentes
semelhantes?

Acaso já destes
mais que um paus e uns trocados
às putas em seus leitos
mordacentos,

enquanto vos derramas
em amores, lavores e sublimes ensinamentos
junto a vossos amigos, esposas
e famílias?

Acaso já vivenciastes
de modo pleno, alguma vez que seja,
o vasto limite das purezas divinas
que vós mesmos inventastes

- e das quais tanto vos
regozijais -,

enquanto vos escorres
dissimuladamente com mãos, sexos,
fantasias, insânias e verbos
por recantos escondidos de graciosas
obscuridades?

Ora, caríssimos menestréis
e doutos formados em luzes artificiais;
se já, então podeis atirar a este cão
as piores pedras.
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SEM SURPRESAS

Ainda bem
que já não me surpreendo
mais com os menestréis,
com os doutores e com os velhos
puristas que habitam
os píncaros urubuzeiros:

quando eu era jovem,
diziam que minha geração
estava perdida,
e hoje repetimos o discurso
de que a nova geração
está perdida;

e nisso eles acertaram
mesmo em cheio,
porque todas as novas gerações
estiveram perdidas
no exato ponto em que
envelheceram,

porque, quanto mais estudados
e talhados a conhecimentos
e experiências de vida,
é que mais reinauguramos incautamente
as casualidades do universo,

desafiamos o poder do átomo,
criando mortais ogivas nucleares,
decidimos pela guerra quando podemos
escolher a paz,

e contribuímos,
embora os esplendes discursos
sejam sempre mantidos,
para os ominosos apartheids
entre raças e povos.
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!