Escritas

Lista de Poemas

TUA ESPERANÇA ESTÁ MORTA!

... entre anjos,
mitos e dromedários
cães,

entre estrelas,
paraísos e escuras
prisões,

entre as razoes
dos sapiens e as vertigens
de seus além-mares:

Bem,
muito bem, eu não sei
se sorrio ou se choro
disso:

Aonde vou?
Não sei.

Aonde vais?
Com certeza absoluta não
sera comigo!
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CRESCEU EM CORPO MAS NUNCA PERDEU A MALÍCIA TENRA

... mesmo as sombras
podem se mascara com um lindo rosto
e terem uma postura tão doce
e sensual
que pode
enganar até os mais
poderosos anjos
​​​​​​​e cães!
Thor Menkent


.. ela não sabia
quando dominava os anjos e os santos,
seduzindo-os e depois jogando-os
às camas e aos chaos;

assim como ela
não sabia que, antes de morrer,
iria me agradecer chorando






com a cara,
o corpo e a alma expremidamente
sangrando contras as próprias pedras
que fabricou como lindas, doces e excitantes
ilusões!
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ACEITAR(SE) NA VIDA E NA ARTE

Se alguém quiser ser mais
para inovar - afiada e livremente -
na arte, na musicalidade
___ ou na poesia,

deve aceitar, primeiramente
e por completo, o cântaro da própria
___ abnormidade humana,

e ousar atingir,
em algum momento,
a transitiva e sublime moradia
___das sombras.

Paradoxalmente,
deve descobrir-se, à nefasta natureza
que adultera a todo
___ momento,

como um deus apócrifo,
dissimulado e ousado, capaz de criar
de recriar suas próprias estórias
___ e imensidades,




a fim de que
consiga ultrapassar os arraigados
limites das regozijadas
___ purezas,

lançadas aos mares,
aos ares e aos montes de ouro
pelos vertebrais
___ sapiens.
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OS FANTASMAS

Pediram-me para que lhes mostrasse onde há vida, para que pudessem se deleitar com seus egos incautos; e lhes mostrei suas inconscientes mortes.
Pediram-me para lhes pintar um céu límpido para que o contemplassem de seus soluços terrenos; e lhes expus suas nuvens entenebrecidas.
Pediram-me que lhes cantasse suaves melodias para lhes acalentar medos na escuridão de suas noites; e lhes mostrei suas cruciantes cantigas de lamentos.
Pediram-me para lhes conceber um arrebol de amor cândido para que se deitassem com suas superficialidades airosas; e lhes mostrei suas espuriedades intrínsecas.
Pediram-me para crer em suas realizações inconspurcadas, para que tivessem uma trégua de minhas chuvas escumadas; e lhes mostrei punhais afiados em suas mãos.
Pediram-me para apontar algum abrigo seguro onde pudessem repousar seus cansaços sôfregos; e lhes mostrei suas ilusões tênues a caminho do abismo.
Pediram-me sobriedade em meus sentimentos alocutórios para lhes atenuar a sede insaciável por uma visão impermista; e lhes mostrei mentiras silentes em seus sorrisos perversos.
Pediram-me que me atentasse a suas candidezes de momentos anteriores para que pudessem ser perdoados em seus presentes tórridos; e lhes mostrei lembranças brancas em suas semeaduras de angústias.
Pediram-me que lhes desse uma face genuína, para que cressem em minhas palavras de dor; e lhes mostrei suas máscaras desvanecidas em reflexos oportunos.
Pediram-me para contemplar suas essências nobres, para se apaziguarem de seus labirintos escusos; e lhes mostrei que se metamorfoseiam na relva infausta.
Pediram-me para acalentar seus sonhos inexequiveis, para que pudessem voar como águias envilecidas; e lhes arranquei as asas da imaginação, evidenciando suas plumas delicadas.
Pediram-me para lhes alimentar a crença num paraíso idílico, para que se abrigassem nos braços de um pai que lhes aliviasse de suas angústias; e eu lhes mostrei o frio apagamento que lhes aguarda.
Então, em autopreservações de seus vultos pálidos, escudeados de meu ser amaldiçoado e tomados de iras e de rancores incontidos por meus jugos, em vez de pedirem, sentenciaram-me ao deserto frio; e os abandonei na ilusão de suas frívolas vivências exteriores.
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O VERBO AMAR

Dizer que ama alguém
só para fodê-la ou para mantê-la
sob as rédeas da egolatria
possessiva

é um dos mais
bárbaros e imperdoáveis
crimes que já vi
minha vida;

é como disparar
em dois alvos com um tiro só,
atingindo a falsa crença
do interlocutor

e a profunda sombra
do próprio cerne.
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AS CINZAS DOS ANOS

Precisas,
talvez nem tanto como eu,
mas precisas também

de um canto
onde possas falar das estrelas
e da eternidade

mesmo que
elas não existam, mesmo que
não haja nada;

precisas,
como eu, tentar subver a razão
e fugir das lógicas dos lábios
e dos traços,

mesmo que
isso rasgue os ventos,
os versos e tudo que te houver
sagrado;

precisas,
como eu, que estou ao fim
da jornada, de um lugar
onde possas te
descansar

e te sentires
simplesmente amada.
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FILOSÓFICOS

Dos bem traçados
pensamentos filosóficos
às repetidas orações de fervorosa fé,
e aos adocicados versos
de amor,

a maioria das coisas
que costumo ler parecem
escritas por covardes
ou alienados.

E tudo bem
que queiram passar a vida
persistindo em grafar chãos e sombras
pensando ser céus
e luzes,

mas, quanto a mim,
não mais posso me permitir
escrever absurdas
mentiras:

nunca fui digno,
nem mesmo um pouco menos
fausto e dissimulado
que seja,

para me situar
em outro lugar que não os destroços
e os lixos de minhas próprias
loucuras.
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EGOCENTRISMO

Sei que corro sério risco
de vereis egocentrismo no que vou dizer
- e nem me nego tal imanência -,
entretanto não mais me permito medos
nesta breve jornada;

muito pelo contrário
habituei-me a transitar entre a solidão,
com meus fantasmas bastardos
e com minhas imanentes sombras,
como há tanto tempo tenho feito:

Raro me é tolerar,
por muito tempo, alguém próximo
sem que o chateie com meus fétidos suores
e meus avessos reflexos;

e quando me perco
a olhar rostos, pernas, peitos, vulvas
e contos de fadas regozijados
por anjos e demônios,








é prenúncio de naufrágio,
não da humaníssima relação em si,
mas do que de melhor se costuma perder
quando também se perde
a cegueira.

Antes seja, portanto,
a inalcançável pureza dos sem-limites
do que os escândalos e as quedas
ao fim dos encharcados
crepúsculos.
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A MENINA QUE SUBJULGOU UM HOMEM

... cuidado
com aqueles que parecem ser
por demais sublimes
e inocentes,
pois eles
também podem ser
por demais negros
e dementes!

Thor Menkent



... não há diferença
alguma em intrigas feitas nas favelas
e nos palácios residenciais;
não há diferença alguma
nas luzes ou nas sombras que se acendem
ou se apagam aos céus ou aos abismos
figurados;

não há diferença alguma
nas porras que se derramam nos corpos
e nas merdas que excrementam nas privadas
de um lugar mais baixo ou do alto
dos montes onde se achem
supremados;

não há diferença alguma
de idade, de responsabilidade ou de sublimidade
quando a boa ou a má fé parte da íntima
capacidade de cada abnormal:

filosoficamente,
eu diria que, exceto os templos de coração
realmente puro, no branco ou no preto,
no terno ou no rasgo, nos céus
ou nos chãos,

nos motéis
ou atrás das moitas, nos paraísos
ou nos infernos que
se constroem,

todos partem
de um mesmo ponto absolutamente igual,
mudando-se apenas a capacidade de determinação,
de dissimulação e de persuasão
de cada um!


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ESSA VIRGINDADE NÃO FOI TIRADA!

... beijou,
amou
e deu, deu muito,
mesmo assim,
morreu virgem por nunca ter
sido decifrada;
tarefa essa
que suplicava a um tal cão
do diabo,
que por lhe
perceber inavegável sem fatal
afogamento,
não conseguiu
evitar que partisse, pelas sujas águas
daquela maldita pinguela,
levada!
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!