Escritas

Lista de Poemas

ETAPAS

Considero paixão cada etapa vencida
Mas para que possa vencê-las
É preciso lutar essa luta aguerrida
E dela entender os ditames do tempo
Cada oportunidade e a rotina da vida

Lá de cima da montanha
De onde possam vir teus medos
Ouço chamados contínuos e apelos
Para que eu chegue ao cimo
E contemple a paisagem

Certamente seja esse o segredo do vento
Varrer-se na pedra sem perder-se da nuvem
Inda que não as tenha entre os dedos
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IMAGINA

Imagina enfim
Se a luz é ou não companheira das sombras
Pois tantas vezes seria a noite quem iluminaria o dia

Desapercebido porém
Passando de soslaio pela penumbra me iludiria
Não fosse a certeza de que esses raios são apenas sobras
No extenso veludo negro do alpendre do céu
Onde o sol morreria

Apenas pelo gosto de ressuscitar no brilho de cada estrela
Amanhã a tarde intensa poderia predizer-se ainda mais bela
Desde que eu a olhasse pelos olhos da poesia
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BEM MAIS LONGE

Faço de cada ida a algum lugar uma viagem
Pouco importando a distância que caminhe
Se a intenção e o destino é chegar perto
Sair já fora uma rotina corriqueira
O resultado de partir desenha a meta
Mas se não venho tantas vezes é porque perco
A referência dos rastros para o retorno

Há quem estime que voltar é desprazer
Há quem espera que regresse sem pudor
A vida é fase e a gente sempre faz de conta
Que o ir e vir nada mais é senão a ponta
Da alça de cada aventura que nos lança
À incríveis jornadas que nos exigem como prova
Minimizar o que o horizonte arrefecer

Porem se creio piamente no que acho
E busco sempre alcançar todos os sonhos
Componho por minha conta o meu presente
Eu vou além muito além e bem mais longe
Mesmo quando inconsequente ainda rechaço
Não por temor mas precaução do que disponho
O amor me ampara mesmo que eu não saiba ver
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APERTO

As nossas mãos já não sabem dessa procura
Desacostumaram de carregar-nos pelos parques
De passearem grudadas por calçadas e ruas
Nem mesmo andarem pela orla pedem mais

Os nossos dedos são aleatórios fantasmas
Permissivos transmissores predatórios
Não mais podemos transitar pela cidade
As mãos unidas foram sinônimo de amizade

Não sinto mais o suor das nossas palmas
Da calorosa sensação de protegidas
Da transição entre o perfeito e o rascunho

Agora cerro o pulso e toco leve seu punho
São novas formas de expressão mais consentidas
E as nossas mãos unem a seu modo as nossas almas
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A ÚLTIMA HORA

As roseiras e samambaias na floreira
Nada dizem se não as rego
Apenas secam e despetalam
Pelo brio que sustentam
Não vergam seus talos
Endurecem-nos e se não apodrecem
Estalam

Eu no entanto
Quedo por qualquer besteira
Desmancho desmantelo
Resseco os lábios pela ausência de riso
Introspecto
Impossibilito e apavoro

Mas nossas raízes teimosas
Permanecem ávidas por uma chance
Até a última hora
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O CASCO DESSE NAVIO

Quisera
Que a mesma vela que nos levará para outra quimera
Navegasse sob a intensa luz de um só pavio
Esperando derreter a cera sob um sol de primavera
Imerso nas aguas de qualquer um lago
Por onde deslizasse o grosso casco desse navio

Seguíssemos talvez
Ainda que seguidas vezes diluídos em rios
Ao invés de consumirmos em cinzas nossos pedaços
Soldássemos as fendas desse calado
Equilibrando o corpo à sombra do círio
Revestíssemos de coragem abóboda e lastro
E simplesmente de novo partisse

E se lá na frente assoreasse
Ou se tombasse o mastro sobre delírios toscos
Enxergássemos ainda que febris desastres
Por vieses e enroscos
A fugaz serenidade face a face




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PELA CROSTA DA TERRA

Este céu ainda que amanhã tenha as mesmas cores
Carregará novas nuvens por ventos diversos
Também eu espero encontrar lumiares
Como os tantos que em mim estiveram

Céu e eu estamos além dessa nebulosidade mera
Ele faz chover nos lugares dispersos
E apazigua ou alenta as dores enraizadas no dorso

Enquanto eu lavro meu mundo insalubre
Ele revolve alumia e procria a esfera

Ambos vagamos insanos soltos pela crosta da terra
Ele transmutando em sereno minhas lágrimas tortas
Eu lambuzando em azul esse orvalho dos ares


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BESTEIRAS

Sobre as pedras
Passeiam bons e ímpios
Elas não se incomodam que passem

Em minha cabeça também martelam
Pensares ruins e do bem
Mas com estes meus cabelos embranquecem

Seria o tempo essa dualidade descolorida
Que quando extrema inconveniente
Denoda e esfarinha os miolos?

Preciso entender a desmedida prudência das pedras
E calmamente encetar que desfile em mim
Algo além da procissão de más ideias



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BUSCA

Ande atrás da palavra certa
Destas que acendem e ardem
Se espeta desperta

Saiba que há sempre uma sílaba exata
Ainda que em frase solta
Não se encabule com nenhum vocábulo

Mesmo que fira deixa que afete
É assim que age o silêncio
Para que o teor se complete

E o belo que há por trás da ideia
Não se contem calado
Mas revela-se



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CIRCUNSTÂNCIAS

Estou indo enfim a lugares desconhecidos
Tanto fugi de alguns caminhos e escapei por outros
Por tantos que inclusive escolhi

Descubro agora que todos se cruzam
E levam a um único destino
Ainda que o incerto será sempre o mesmo lugar

Não temo novos tempos amedronta-me a mesmice
Ou a involução do meu pensar
Por isso apresso e aprecio as circunstâncias

Preciso tanto que a vida me perca!



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Comentários (2)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-02

Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques
2017-11-27

quantas verdades com perfeição!