Lista de Poemas
A LUZ QUANDO FOGE
Nem por isso o lugar perde encanto
Se a contento não se vê iluminado
A escuridão não é caos e sim ordem
Claro seria a definição apenas de um lado
Pois a mente tende a refugar o lúgubre
Acima do pressuposto ato falho
Cremos que a presença do breu seria anormal
E não por inverso a plenitude
Tola crença quem somente enxerga
Sob o foco de um mesmo raio
Desleixa o coração que aclareia o opaco
Se faltarem todas as cores inclusive o preto
Que jamais degenere o que age em secreto
Porque segredo é coragem e não apenas medo
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PROVA DE VIDA
As mãos cansadas não produzem digitais
Sem as linhas os dedos aniquilam
Despersonalizam ante o incerto
Como me suprimissem do espelho
Não bastassem as senhas
Nem afirmativas de que ainda sou de verdade
Precisa um pouco mais ao demonstrar o que valho
No entanto não aceitas o argumento
De que gastei os meus dedos digitando versos
E as palavras que escrevi por mais que as leias
Não trazem o valor do desenho particular e íntimo da pele
No templo já velho onde habita esta minha alma
Creio que o sistema anda amorfo
Ao inverso a esta altura
Restar vivo é falho
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ESCREVO
A quem escreves filho meu?
A qualquer passageiro de amanhã
Para alguém que desapercebido
Tropece nas letras e arrebente as palavras
Ou nelas se enfurna e as remete a outrem
Ontem eu lia
Escrevo agora sobre o papel disforme
Entre o homem e sua fome
Em nome da poesia
Acontece escrever também
A quem não consome tempo em arte
Escravo da cegueira que lhe arde
Nunca sabe
Não viu nem lê
Escrevo
Antes que anoiteça e eu vá
Ou seja tarde
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COMO SOU
Porque as luzes do chão
São mais fortes que as das estrelas
Ainda que não ouça a cantoria dos mares
Os sons das ruas me interrompem
Todos os ciclos que me vem como açoite
Até as minhas mãos andarem distantes
E os passos que der estarem muito aquém
Donde os pensamentos me enlevam
Negligente é a tradução desta realidade
Que torna irreconhecível o meu entorno
Apesar de escancarada credulidade
Porque nem tudo é possível
Se a vida é verdade
Como sou improvável?
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ALEGRIA
Como se um mar volvesse meu íntimo
E os olhos lacrimassem pela face
Com a intensidade de um grito
Esse irresoluto coração é um quarto
Desse casario chamado corpo
Por estar vivo se diverte com a arte
Absorto intervive cada parte
Para que nunca me quede morto
Chego a ter calafrios de arrelia
Dá-me cócegas a tristeza
Por isso choro insaciável
Acometido de alegria
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PAIXÕES
Se quando calmo esqueço ter sido insano?
A raiva desmedida dilata a pupila
Remexe por dentro onde habita o profano
Homem desesperado à cata de Deus
Somente Ele é capaz de amansar-nos o humano
Junto às enigmáticas elucubrações
Tem piedade pois de mim que exagero
No apetite ante a gula da ofensa
Para que a voz da razão nos resguarde
E o ódio jamais vença nossas paixões
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MISÉRIA
E metade do mundo quando é noite
Não come
Não por falta de fome
Nem por falta de dinheiro que compre
Também não por carência de alimentos
Não come por estarem dormindo acometidos
De grave dor no pescoço e na língua
Que os impedem de terem acesso à vida
De já não terem o paladar mais pela boca
Que não desperta mais a libido
Quando todos os manjares ausentes
Não fazem sentido além das vontades
Coibidas
E quando chega o sol
Ainda amam e sorriem
Ao pedir um prato de comida
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ENTRE A NOTÍCIA E O POEMA
E já saiu do banho com a roupa de dormir
- Um florido e confortável pijama
De pernas e mangas bastante longas
Que apesar de folgadas ajustavam
À moldura ziguezagueada do seu corpo
Olhou pela ultima vez o celular:
UOL – “Dormir Nu Traz Mais Qualidade De Vida”
ESCRITAS.COM – “José – Poema de Carlos Drumond
de Andrade”
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INVERSOS
‘No buraco onde passo o dia
Busco agua para quem à flor da terra
Logo mais possa matar minha sede
Mas não a desperdice’
Uma vez uma lata com lama revolta
Caída da borda lhe partiu a cabeça
Foi-se o dito pelo não dito lá no fundo
Soterrado no fosso cumpriu a sentença
Houve menos agua gasta no mundo
GRAÇAS
Nas longínquas terras do meu País
Pelas rodovias do meu Estado
Ao longo das estradas de meu Município
No largo das avenidas da minha Cidade
Ou nas ruas de minha Vila
Elas cresceriam floresceriam frutificariam enraizariam
Convidariam pássaros sombreariam
Procriariam lagartas cigarras formigas
Atrairiam cupins
Porém são apenas glebas virtuais
Pensei começar pela estreita calçada
Contigua ao meu minúsculo quintal
Mas se as planto fora de casa
Elas se assanham espreguiçam largam folhas
Invadem os seus direitos e você acharia ruim
Desisti desse intento
Hoje somente faço poemas
Estes cabem em mim
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Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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