Lista de Poemas
FIM DE TARDE
Trouxeste a calma para minha ânsia
Qual flor que doa à brisa a essência
Da tarde que finda, e da alma se apossa
E torna sublime a presença
Chegaste infinitamente densa
Tornando a tempestade mansa
Mergulhada em onda imensa
Generosa, suave, infinita e serena
Desejando que o momento falasse
Diante da tela nua esperando palavras
Estivemos solícitos perante o silêncio
Buscando que um verso nos descrevesse
- Deste lado eu abrupto aprendiz de poeta
- Daí, tua íntima poesia viva, completa
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BALANÇO
Faz do balanço um trapézio e flutua
Voando descalça e livre no espaço
Na esquina da noite sobre o chão de areia
O mar inveja o vento que a empurra
E ela vai pelos ares e por ali passeia
Se a menina faz do trapézio um balanço
Entre as cordas num tapete de tábua
E se esguia na cara da noite balança
Sob os olhos das pedras na boca da praia
Dá-se o espetáculo ao sabor das ondas
E ela sai pelos ares e o mar desmaia
Se esse doce bailar toma de encanto a menina
Se a felicidade a extasia e dela se apodera
Quem dera também no horizonte surgisse
A lua faceira iluminando essa noite
Balançasse cercada de uma via láctea inteira
Sussurrando à menina uma doce cantiga
E se a menina passeia nesse vai e vem
E se sorrindo ao seu público ela o entretém
A natureza a enfeita e o tempo ensina
Que a arte ciúma do artista que não cumpre
A sina em crer o quanto à vida faz bem
Ser simples e quanto mais pura mais linda
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CERTEZAS
O sol desmanchar-se lindo
E perguntava-me irrequieto
Para onde estaria indo
A imensa luz que explodindo
Caía ao findar do dia
Agora estou certo de que
A cada vez que se esvai e esconde
No encalço dos seus próprios giros
Sou eu quem está partindo
Sou eu quem está partindo
Sou eu quem está partindo
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PARALELO
De que a piedade é das ações
A mais doce virtude humana
Apiedai-vos pelo mundo controverso
Do poema quando este nada diz
Pelo tempo perdido que os fiz
Quando deveria ter estado atento
Às inúmeras outras formas de provento
Ao ócio tão necessário ao descanso
Aos passeios ao teu lado que me opus
Pelas noites fugidias do sono pelos sonhos
E às conversas e embates que não tivemos
A poesia tomou-me em paralelo
Instrumento arisco da palavra profana
Já não vivo sossegado sem o verso
Sem a estrofe e a ousadia da rima
Eclodida da cândida página inespecífica
Dentre as folhas abertas de um livro
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ESSENCIAIS
Às vezes são essenciais quando presentes
A pausa alongada na música
O tempo que se descansa
Segredos que não se contam
Verdades amarrotadas
Deus quando em silêncio
Testando a paciência
Como fosse nossa última dança
Aprendemos a alimentar os sonhos
Rabiscar futuro e destino
Cozinhamos sem perceber
A resiliência da rês ante o abate
A solidão das estrelas no infinito
Ruas distantes cruzadas na infância
Lagos mergulhados cheios de dúvidas
Cada um carrega insuficiências no espírito
Tristonhas ou de ingênuas alegrias
A nostalgia mora além da perfeição
Bem acima do conceito daquilo que é bonito
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ATREVIMENTO
Desfilamos atemporal o que passa e nos segue
Não perdemos jamais essas intensas manias
Das deliciosas folias provindas de emoções
Do amor que a cada um nos persegue
Há quem ache exagero, diria eu romantismo
Há quem diga insano, chamaria ousadia
Considere imaturo, preferiria continuar tolo
A deixar de sonhar enquanto os anos se esvaem
A deixar de exalar um olhar atrevido ou tardio
A suprimir do sorriso a intenção de um beijo...
Que seria do amor não fosse o atrevimento
Exaltado nos versos e canções dos enamorados
Não fossem eternos os apaixonados sentimentos!
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VOAR
Imensidão deserta cujo andejo é pescador
Marujo navegante prático capitão
Meu barco a deriva procura por um cais
Aduaneiro cobro-me por versejar
Pelas velas do saveiro onde o leme é a solidão
Timoneiro vou levando pelos ventos
Nada colho senão historias e aventuras
Professadas bem depois
Confesso não sei nadar em tuas águas revoltas
Posso até desejar um mergulho teimoso
Mas ninguém precisa saber destes medos
Talvez fosse menos flácido e pecado voar
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INSTRUMENTO
Quando o crivo dos teus olhos o aprova
Quando massageia os lábios e o sentes como beijo
Perpassa pela língua qual um doce desejo
Enrubesce, toca a face num carinho que se prova
Comove ou simplesmente quieto alenta
A palavra madurece no entorno dos sonhos
Quando lida falada ouvida ou cantada
Oscila entre a angústia e o inesperado
Vem em forma de versos como os segundos
A seu tempo transforma e a arte muda o mundo
E em si mesma complementa e completa
Cada leitor para um poema é imprescindível abrigo
Ser poeta é mero instrumento
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ABRAÇOS ABERTOS
Traz-se para perto e entre os braços
A contemplação do amor diverso
Tantos vieram de abraços abertos
E nesse aperto de enlaço
Te identificas e me reconheço
Como centros do universo
Por isso abrace abraço
E nos abraçamos certos desses gestos
Cercar-nos contra o perverso
O despudor de quem descrê
De que a alma necessita encontro
E encontra-se quando acena
Transposta de sentimentos
Acalma absurdamente serena
Abraço não é redoma
É dádiva que sublima graça
E transcende espaços
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INVIÁVEL
Doze homens puxavam a rede por longas barbas
Nada tiraram das aguas doces exceto folhas emaranhadas
Os cento e cinquenta e três grandes peixes faltaram
De repente o decimo terceiro homem caminhava
Sobre as areias no leito do rio sujo e assoreado
Os amados irmãos entreolharam-se calados
Ninguém atrevia a dizer nada
Às vezes é inviável o milagre
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Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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