Lista de Poemas
A TOSSE
Explode da boca
Mas não se sabe
De onde ela nasce
Se do oculto fosso
Da ânsia do corpo
Ou do irreverente sopro
Que sai fazendo cócegas pelo esôfago
Que expulsa a agonia da alma
Por excesso de sede
Ou elegia à fome
No pântano danoso
Que destroça o pulmão
Sei apenas que num impulso
Sozinho tusso e me desmancho sonso
Qual um gozo zonzo de solidão
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IOD
Cada uma de si companheira
Cinco companheiros irmanados
Fraternos caminheiros
Obreiros de uma vida inteira
Cinco forças erguendo a obra
Traçando passos certeiros
Cinco mentes sentinelas
Aclarando a viva egrégora
Despojados semeeiros
São cinco castiçais acesos
Evidenciando da luz a beleza
Lados coesos de um teorema
Fortificados pelo espirito
E objetivo que os conduz
Cinco almas peregrinas
Andejos do árido ocidente
Empreendendo nas ferramentas
Árduas lições da lua acesa
Junto à orla do oriente
Tem três letras essa estrela
Em cuja chama as traz escritas:
Para que o homem seja puro
O mundo um tanto mais justo
E a humanidade perfeita
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SÃO SOBERANAS AS PAIXÕES
Aos olhos vívidos dos apaixonados
Ainda que ridículos pareçam ser
Seus louvores seus pecados
Risíveis gestos inexplicáveis
As enamoradas inquietudes
Tornam-se efêmeras verdades
Que só o pensamento dirá eternas
Pois o tempo é uma brevidade
Do tamanho de qualquer frase
Que expresse ou reprima um sentimento
Onde foram guardadas as loucuras
Cometidas em nome dos amores
Encontram-se também os sabores amados
É como se déssemos refúgio aos sonhos
Que extrapolaram as próprias voltas
E mais longe bem mais longe se acharam
Eu sou das paixões um fã inveterado
Vivo das tolices expressadas nos poemas
E os meus poemas ainda que desritmados
Buscam tua alma ou os teus olhos apenas
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ECLIPSE
Ficou na ponta dos pés
Esticou as mãos e simplesmente apanhou-a
Tão natural como quem se estica inteira
E rouba frutas maduras
Laranjas pêssegos mangas
Cachos da videira
Ela roubou o sol
Da vasta constelação de estrelas
Com propósito único
De despertar a aurora
É muito cedo agora
E ambas incandescentes na perfeição da esfera
Incontidas, fluorescentes, avivadas
Brilharam a noite inteira
Seminuas em minha mente
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CONVICÇÕES
Sempre abominei as certezas
O tempo é afeito a surpresas
Nós as tornamos distantes
Soltas nas correntezas se vão
Ou por sorte sentimos por perto
O que por viés longe estavam
Ontem choveu todo o dia
E enquanto o chuvão chovia
Não vi nenhum pássaro pela varanda
Cobiçando migalhas de pão
As formigas se ocultaram
Ninguém abriu as janelas
Também me ausentei da rua
Os insetos já circulam
Sabiás brincam nas poças e caçam-nos
Os vizinhos dobram as vidraças
Amarrando as cortinas nos raios da manhã
E eu de soslaio saio de acaso
Como saem os pensamentos
Sem saber se advirão
Ainda que perdurem as dúvidas
O tempo derrama surpresas
E abrasa ou moi fortalezas
Cada coração constrói seu edifício
Mesmo sabendo o quão difícil é
Alicerçar certezas nas ilusões
Danem-se as convicções
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EQUILÍBRIO
Amorfo
Nada reflete
Nem há sombra
Mas também se há excessos
Mesmo que reluza
Assombra
Assusta
Pautar o equilíbrio
Sabe-se
O quanto custa
PERDIDAMENTE
Que chego a ser esdrúxulo
Tanto esquisito quanto excêntrico
Extravagante por ser ridículo
Inverossímil coração,
Amo-te perdidamente então
Experimente amar num descuido
Apaixonar se o juízo perder-se
Como desejasse um chocolate
O envelope pelo remetente
A árvore enamorada à semente
Um chute guiando a gol
A voz harmônica empostada
Teus olhos iluminados de azul
Como se em paz morressem
Às cegas por todo o sempre
Ser do amor tão discípulo
Por vezes acalanta o vexame
De estar egoisticamente amante
E nada mais permitir-se
Exceto a generosa certeza
De entender que seja possível
Amar sem exceção ainda que ausente
Quem assim age desassossega
Interage com a irrealidade
Endoidece de emoção
Amo-te ridícula e excentricamente
Na solicitude do amor imprudente
- Vê quão voraz é a paixão!
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RECEIOS
Das situações prementes
Não da voz da consciência
Nem dos ausentes momentos
Temo as ações cotidianas
Dessas que deliberam insanos
Que santificam demônios
Conjecturam ideias profanas
Idealizam absurdos
Ridicularizam as sarjetas
E posam de inocentes
Tenho medo do ser gente
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VIAJANTE
Os meus dias teimosos porem decididos
Levam-me viajante ainda que sozinho
Seguindo rastros e largando pegadas
De onde vindes? – pergunta-me o pretérito
Para onde vais? – questiona o destino
Temeis o futuro? – indagam o risco e a sorte
Para o sul ou para o norte? – frisa o rumo
- Pouco importa! – respondo convicto às verdades
Peregrino semeio amigos não vãs amizades
Meu eu poeta é rude e nem sempre afável
O poema é furtivo e talvez desagrade
A palavra despreza e incômoda incomoda
Mas se a poesia vive é isto o que vale
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INACREDITÁVEL
As árvores agora mal convivem
Noutros solitárias sobrevivem ali e acolá
Dizem que existem lugares onde nem existem
Não resistem e secam e de solidão morrem
Fenecem tristes porque nenhum pássaro
Ousa fazer ninho em seus galhos
Sem formigas cigarras cupins
Sem a vantagem do verde das folhas
Não sombreiam nem arrefecem não suportam
Soube de um causo onde desocuparam os lugares
E foram morar na imagem de alguma tela
Pendurada na parede de papelão
Nalguma sala na invasão na favela
Ou apartamento de concreto longe do chão
Sem mudas nem flor nem fruto ou semente
Alguém contou isso ao porteiro
Quando pediu notícias da terra
Este de pronto disse-lhe
Meu Deus rapaz como você mente
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Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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