MORRO DE CONTENTE

As casas fincam os pés na terra
Para que as intempéries
Não demovam suas sólidas sapatas

Pelos cômodos se espalham moveis
Cujos pés e pernas os tornam fixas sentinelas
À espera de quem os visite ou more

Quem passará pelas portas
Quem irá assistir das janelas
Quem deverá expulsar a treva acendendo as luzes
Expurgar os defeitos por dentro delas?

Todo prédio tem seu muro que delimita o quintal
Adversa e alerta que se respeite o portão
Portal donde livres transeuntes são as ideias

O coração é esse imóvel enraizado nas veias
Aguardando que amores e amigos venham
Habitem os sentimentos mais íntimos
E se espalhem seculares entrementes
Ainda que isto demore

Bem sabes que se moras no meu peito
Morro eu inquilino de contente


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