Lista de Poemas
SOLITUDE
Exibe o amarroto que me toma de assalto
Adoro esse tato cúmplice entre a pele e a brisa
No frescor das sombras da casa vazia e aberta
Que desperta inteira em mim e nem me avisa
Da cama para a rede é questão de um salto
É como se meus olhos pousassem nas janelas
E deles desprendessem olhares tão mansos
Que me excita e efervesce a regência de estar só
E aninhassem no meu entorno todos os pássaros
Enxergando-me unicamente através dos sonhos
A beleza da alma que me alisa cada poro exposto
Amo minha própria companhia feita dessa quietude
Os sais os cheiros o arrepio ligeiro que advém e esvai
As singelezas macias feitas de sinuosas ânsias
Abundâncias tão sublimes de silêncio enfeitadas
A leveza dos desejos borbulhantes na sede
Tomando de fome a plenitude dos meus atos
Mesmo teu rosto colado aqui não estando
Como flanam minhas mãos à procura das tuas
Extraio além de toda essa deserta grandeza
A forma do que face a face enfim não aparece
Não – minhas ausências não me causam medos
E o que me ensimesma é o que me desfalece
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POEMAS
Que traduzissem seus ditos pelo universo
Através dos insanos devaneios dos poetas
Os pecados mais tenros as rimas mais ricas
Pensamentos pretensos de formas bonitas
Inspirados a ouvidos atentos e a almas seletas
Também coisas vãs como fios de cabelos
Lembranças saudade dos enamorados
Um simples passeio sob o claro da aurora
As pétalas caídas na tarde chuvosa
Um beijo na testa o olhar de relance
Apertos de mãos suspiros abraços
Coisas tolas assim qual a voz embargada
Seriam angelicais delícias feitas do nada
Mas os poemas nascem e se encaixam
Na íntima flor dos nossos sonhos
A poesia não vem dos anjos
Eles apenas as guardam de forma delicada
Para que sejam sempre amadas
Por isso parte de mim quando escrevente
Torna-me lento e desorienta por qualquer dilema
A outra metade não diferente mas desatenta
Tola se dilacera sob forma de poema
POEMA PARA CERTA FAIXA DE PEDESTRES
Não é só falta de tinta
Afinal hoje você foi repintada
Do vermelho sangue escorrido
Ao longo das margens da estrada
Quem retirou a cor do teu desenho
Não foi o excesso de rodas
Nem solas de sandálias pisadas
E sim o tempo que te expõe pelada
Invisível
Crua
Fria sobre o asfalto deitada
Esquecida
Abandonada
Como as demais desta cidade
Piedade
Tende veloz piedade pois
Destas tantas faixas seminuas
Praticamente apagadas!
DISFARCE
Do lado oposto por onde pretenso passo
O vento me diz dos vestígios dos teus passos
Antes que as ondas debulhem teus rastros
Ainda que mergulhes nas profundas aguas
Entre as correntezas brutas das marés altas
Longe de mim e por onde jamais alcanço
A brisa me traz teu cheiro e salga meus lábios
Enquanto imaginas que não te penso nem vejo
Meu desejo te acorda secretamente cedo
Nos pensamentos em que te imagino e beijo
Enquanto reclamo tua ausência dos meus braços
Antes que o sol alcance os tenros raios de seu lume
Sorrateiro te procuro não te acho mas disfarço
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NÃO TEM DONO O AMOR
Nem terá
Não é mera propriedade amar
O que se sabe do amor é tão pouco
Que por mais que se ame tanto
Nunca há de ser muito
Nem tampouco menos
O quanto necessário será
Mas há essa voracidade equívoca de posse
De quem pretende cuidar como fosse
Seu sua ou sei lá
Ah isso é parte do ser que se imagina dono
Mas que na verdade tolo
Pouco tem e nada além oferece
O amor é mais que um pertence
É a essência no outro sem abandonar a si
É indefinir-se para complementar
Esse dom tão soberano
De fato o amor não tem dono
Nem terá
Mas a maior propriedade é amar
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INDULGÊNCIA
Nas cinzas
O teu valor
Teu valor não mora na vulga matéria que se desfaz
Nem no produto que se compõe risível
No entorno das tuas razões
O valor que tu tens
Mora num lugar visível aos espíritos que te cercam
Longe dos bens passageiros
Para que não se percam
Na geleira das tuas inseguras mãos
Nenhuma matéria perpetua
Nem perpétua é a sabedoria
Que se converte na tua frágil figura
Se te banhas o corpo nestas águas puras
Lava de verdade a alma
Criatura
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POEMA TORTO
Já não me importam as sentenças
Cozinhando palavras incabíveis
Embaralhando estrofes desconexas
Fazendo desfeitas entre as letras
Pelas cabeças
Eu sempre tão zeloso com as rimas
Que no espaço se ajeitam incólumes
Não entendia porque se desalentam
Desse jeito incerto
Quando a ideia torna o ágil diferente
Do sopro de realidade das cismas
Serão os olhos que não leem direito
Seriam os pensamentos imperfeitos
Os caminhos estreitos
Ou o que se decompôs transigente?
Completem-se os dilemas
Se do poeta devem estar rindo à toa
Por seus indecifráveis poemas loucos
O livro poderá ser ainda mais doido
Se ao abri-lo existir um só risco apenas
O de ainda assim a arte sobrevir
No entanto eu
Talvez morto
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DORES
Nem retires as dores destas linhas
Segue com as tuas
Bem mais leves que as minhas
Dor vem do repente
Surge perfeita na medida densa
Da magnitude de quem a sente
Não aparenta nem ostenta
Quem se ilude ou pensa
Que a suporta ou divide
Dolorir-se entre o alívio e a pena
Entretanto admito que sintas
Que roubo tuas dores mesquinhas
Para torna-las amenas
Sobre teus ombros doídos
Segue então com as que te restarem
Certamente mais brandas
Quão as minhas
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De sentir saudade tua
Talvez você até riria do que digo
Mas creio que assim também seria
Se acontecesse antes comigo
Lógico andamos tanto juntos pelas ruas
Trocamos livros discutindo literatura
Admirando ideias saudando os personagens
Que a janela dos sonhos nos impunha
Fotografamos a vida alheia dos corais
Como se estampássemos em revistas e jornais
As notícias que nas bancas depois você vendia
Confidenciávamos nada de nada
Apenas para demarcar a confiança que nos unia
Pois é esse direito de ausência lhe confesso
É sobretudo simples profissão de fé
Assim me despeço
Até!
MORENICES
Ele expõe tua beleza em nuvens alvas
Recobre de assomos transparências e nuanças
O que em ti arrepia e intensivamente pulsa
Em névoas brancas te envolve
Como se estrelas e miçangas espalhasse
Realçando tua face e teus enlaces
Entrecortando as linhas das lisas alças
Da blusa que te avoluma o colo enfeita e veste
Chuleia barras e dobras ágeis
Mansas frágeis fáceis no teu espanto
Sustentando aos ombros entre as alças
Perdendo-se por entre as ancas
Despertando os ventos
Nos alvoroços das tuas andanças
O torpor te assanha e acende a alma
Colore com nuvens ralas desejosas cinzas
O que estava calma te acelera os sonhos
E tu te assanhas inevitável feminina
Amo estas tuas brandas reticências
Reveladas em tua morenice acesa de menina
Como fossem brasas em avermelhadas ânsias
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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