Lista de Poemas
ADIVINHADOR
Revela um mundo que talvez nem há
Apalavra os suspiros os cheiros e as cores do ar
Desvenda mistérios que o olhar não alcança
Preconiza em versos
Fomenta a essência
Dizem que desvenda as facetas
Desafia o tempo que sempre tenta impactar
Solta as amarras díspares e os véus
E nos convida a enxergar além dos olhos seus
Mas o poeta retrata somente o que acontece
Por vezes apenas junta ingredientes
Faz as massas
Amassa-as
A poesia sim com precisa elegância as assa
E o coração se alimenta da saga
Que permanece
Todo o resto passa
VAZIOS
Tudo era vazio
O ar se deu no meu peito
Não sei se doeu ou ardia
Sei que gritei furibundo
Como apavoramos todos
Quando chegamos ao mundo
Se nasci ligado a um fio
Sobrevivi preso à poesia
LAGOAS
De braços abertos a esperar
Tantas águas que hão de vir
Às minhas águas
Se misturar
Águas límpidas
Águas boas
Vivas águas que hão de vir
Às minhas águas se misturar
Doutros rios e riachos
Córregos fontes nascedouros
E principalmente das lagoas
Destas lagoas felizes
Repletas das íris e matizes
Da natureza farta que as ilumina
Eu quero que as três lagoas
Docemente mesclem suas belezas meninas
Enquanto eu rio a me completar
AO SOL
Carinhoso o sol lhe desenha
Sinuosas marcas ligeiras
Pincelando dourados
Sobre sua ousada beleza
No bronzeado corpo a arte que arde
Extravasa e anseia
Esses traços sutis tatuados
Fazem dela emoldurada tela
Cujo artista à mão livre tinge
Sedutores rastros de pintura a óleo
Vestígios de sedução de aquarela
É como se ela implorasse ao sol
Que se desenhasse nu em seu corpo
E a tomasse inteira
Entre a linha a sombra e a pele
Amo a leveza da luz arteira
EFÊMERA
Buscar a flor
Já não estava mais inteira
Apenas pétalas desfolhadas
Esparsas
Pelo jardim esparramadas
Mas permaneciam vivas
Coloridas
Aveludadas
Repletas de único perfume
Como a natureza as fez
Recolhi uma a uma
Espalhei-as sobre a colcha
E nos deitamos encantados
Como da primeira vez
SEM PALAVRAS
Quase sem palavras
E os versos formam
Sobre a folha nua
Como fosse tela
Aguardando cores
Nos carinhos dos pinceis
Compondo a pintura
Algo me inspira
Incendeia rimas
Acaricia a textura
Traça a língua nos lábios
Aprontando beijo
Molhando-os
Oleados
O desejo atrai
Deixa rastos
Insinua
Contudo
Quando encerro a estrofe
Exausto do êxtase
Vejo-me de novo
Mudo
TOLICE SEM FIM
Não faço mais isso
Não sou mais criança
Fui de uma tolice sem fim
Pensei ter crescido
Me tornado sábio e preciso
Eu havia me esquecido
Que estava no princípio
Nos primeiros passos da dança
Ah se eu pudesse voltar ao início!
ENCANTOS
Paulo Sérgio Rosseto
Por namorar-te tanto
E mais e sempre mais
Depois de tantos encontros e encantos
Depois de encontros e encantos tantos
Momentos diversos e únicos
Compartilhados a dois
Enamorados
Sacramentados
Amada
Efetivamente agora
É o amor quem nos namora
@psrosseto
TODO TEMPO
É porque seu guardião juntando os dedos
Repousa o sol em suas mãos
E após algumas horas
Vai soltando as garras
E o lança de novo ao espaço
Para iluminar o firmamento
Se as tardes nos privam a luz intensa
As noites fazem parir auroras
Assim eu vou contando o tempo
Até me ir embora
TRATADO SOBRE A AMIZADE
Nem fórmula pronta
Para amizade perfeita
Ser amigo é um perigo
Poderá virar vício
Até parecer permissivo
Tão saboroso estarmos juntos
Às vezes serei remissivo
Transparecerei insano
Imprevisível
Evasivo
- Coisas de humano
Mas amizade é isso
Amigo
Escolherei esses dias claros
E também os dias tristes
Para estar contigo
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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