Lista de Poemas
As Nuvens
Maravilhosas vão as nuvens,
Maravilhosas vão;
Claras águas vão buscar,
Maravilhosas vão:
Que as vão buscar ao mar
Maravilhosas vão
Maravilhosas vão as nuvens
Maravilhosas vão;
Sulcando rápidas o céu
Maravilhosas vão
Como vaporoso véu
Maravilhosas vão
Maravilhosas vão as nuvens
Maravilhosas vão
Na sua cor carregada
Maravilhosas vão
Na tarde ensolarada
Maravilhosas vão
Maravilhosas vão as nuvens
Maravilhosas vão
No ar flutuando
Maravilhosas vão
Juntas em bando
Maravilhosas vão
Uma brincadeira do catano!
Ao meio dia
Com fulano
Tive um encontro
Do catano
Não fiquei ufano
Nem infeliz.
Mas foi um azar
Do catano.
Não se chama Elmano
Que nome terá?
Tem aspecto insano
Este catano
Como nódoa no pano
Sempre provoca
Um dano
Do catano
É humano
Ou sobre humano?
Este figurão
Do catano.
A este carcamano
Não fico preso
Mas também não desprezo
Co catano
Greco-romano
Não parece
Mas é antigo
Comó catano
Citadino ou paisano
De ano para ano
Parece mais balzaquiano
este catano!
Não sei se é muçulmano
Ou caucasiano
Mas tem um aspecto
Do catano
Com ar provinciano
E parecer leviano
Não passa dum marçano
Este catano
Seja moicano
Seja americano
Dá- se ares de soberano
Este catano.
Niso 22.5.2014
Antevisão
Domingo
É um Domingo às avessas.
Escondes, não confessas.
Primeiro ou último dia da semana?
Resposta não me peças.
É um domingo às avessas.
Eu findo, tu começas
É um domingo às avessas
Pelas casas, pelas ruas, pelas travessas
É um domingo às avessas
Se caminhas, tropeças
Se páras não recomeças.
É um domingo às avessas
Com vagar , sem pressas
Com mortos e com essas
Com caixões sobre tripeças
É um domingo às avessas
Mas da vida não te despeças.
Porque assim cessas
Com os domingos às avessas.
Niso 18.5.2014
Passado
Sonetilho
Passado
Reviver o passado
Na paz
Que traz
O tempo recordado.
A memória do passado
Faz
E refaz
Mesmo o facto olvidado.
Dias que passaram
Recordações que não esquecem
Da vida vivida.
Momentos que recuperam
As horas, na margem
Da experiência esquecida.
O nada que é tudo
Não estou pensando em nada
Meu cogitar é do nada
Estou vivendo o nada
Na sua nudez emplumada
O nada antes de tudo
O nada acima de tudo
Não é nada, contudo
É tudo, sobretudo
O nada não é o que resta
Da soma nula da vida.
O nada é o que lhe empresta
A dimensão e a medida
O nada não é o limite
Não é nenhuma fronteira
Não é a negação, existe
Como o gonzo na ombreira
Do nada fez o criador
As coisas e o mundo
Matéria prima e valor
De todas as coisas o fundo
O ser e o nada
Se igualam
Na sua indeterminação.
O ser, o imediatamente
Determinado
É na realidade o nada
E não a sua contraposição.
Não estar pensando em nada
É pensar o nada
Como objecto em geral
É dar a primeira passada
No domínio do transcendental.
Niso. 18.5.2014
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