O nada que é tudo
Não estou pensando em nada
Meu cogitar é do nada
Estou vivendo o nada
Na sua nudez emplumada
O nada antes de tudo
O nada acima de tudo
Não é nada, contudo
É tudo, sobretudo
O nada não é o que resta
Da soma nula da vida.
O nada é o que lhe empresta
A dimensão e a medida
O nada não é o limite
Não é nenhuma fronteira
Não é a negação, existe
Como o gonzo na ombreira
Do nada fez o criador
As coisas e o mundo
Matéria prima e valor
De todas as coisas o fundo
O ser e o nada
Se igualam
Na sua indeterminação.
O ser, o imediatamente
Determinado
É na realidade o nada
E não a sua contraposição.
Não estar pensando em nada
É pensar o nada
Como objecto em geral
É dar a primeira passada
No domínio do transcendental.
Niso. 18.5.2014
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