Escritas

Lista de Poemas

Lágrimas

Lágrimas

Lágrimas queimadas
Por causas amargas
- A solidão, o desespero
A angústia sem termo
O adeus saudoso
O parto doloroso,
Guardai-as no coração
Esquecê-las é que não.

Lágrimas vertidas
Por falhas cometidas
- o descuido, o desleixo,
O escárneo, o motejo
O ar de desdém
Lançado a alguém,
Acolhei-as no coração
Esquecê-las é que não.

Lágrimas em choro
Por penas sem decoro
A humilhação,
a vil traição
o amor desprezado
ou vilipendiado.
Com elas molhai o rosto
O coração é que não.


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Metáfora


Numa jaula de oiro antigo
Um leão está cativo.
O leão é meu amigo
Porque vive, também vivo.

Em tempos era feroz
O meu amigo leão
Amansou-se à minha voz
Hoje é o meu coração.

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Beija-flor

Beija flor

beija com ardor

bate as asas

com vigor.

Bate

cinquenta vezes porsegundo

as asas coloridas.

de flor em flor

a fundo

colhe o néctar

ás flores plácidas

e enlanguescidas.

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Beija-flor

Beija flor

beija com ardor

bate as asas

com vigor.

Bate

cinquenta vezes por segundo

as asas coloridas.

de flor em flor

a fundo

colhe o néctar

às flores plácidas

e enlanguescidas.

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Beija-flor

Beija flor

beija com ardor

bate as asas

com vigor.

Bate

cinquenta vezes por segundo

as asas coloridas.

de flor em flor

a fundo

colhe o néctar

às flores plácidas

e enlanguescidas.

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Chuva de verão

Chuva de verão,
Água fecunda.
Não cai em vão
no solo que inunda.

Vem súbita e inesperada...
Sem prenúncio nem aviso.
Será breve, será demorada
é a pergunta que repiso.

Surpreende-me na noite.
Prolonga-se pela madrugada.
Debaixo de telhas me acoito
desta chuva obstinada.

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Enquanto eles não vêm


(Título do artigo escrito pelo político e jornalista republicano João Chagas , em1891,a seguir à revolta falhada no Porto. Com a casa cercada pela polícia desde o começo da noite esperou continuando a escrever para o seu jornal A Republica Portuguesa).

Enquanto eles não vêm

Não me resigno à espera

Toda a minha força se contém

Na forte decisão que a supera

Mais um artigo para o jornal

Enquanto eles não vêm

Esperar não me coíbe

Nem minha inspiração retém.

As horas deixarei passar

Em trabalho empenhado.

Enquanto eles não vêm

Não espero amedrontado

O ideal que me inspira

Grande futuro tem

Nele ocuparei meu tempo

Enquanto eles não vêm

Enquanto eles não vêm

Em nada me vão inibir

As horas vou preencher

E até deles sorrir.

Não ficarei refém

De ansiosa expectativa

Continuarei meu labor

Enquanto ele não vêm

Sejam cinquenta ou cem

O número não conta

Enquanto eles não vêm

O problema não é de monta

Enquanto eles não vêm

sou eu o dono e o senhor

Nem o mais leve temor

Antes algum desdém

Meu trabalho ou repouso

Nada se vai alterar.

Enquanto eles não vêm

Meu tempo é precioso.

A espera me dá ânimo.

Enquanto eles não vêm

A liberdade é minha

e inalienável bem.

Enquanto eles não vêm

Não é um tempo morto

Aproveitá-lo convém

Como meu desforço.

Quanto mais o cerco se aperta

E a hora se aproxima

Enquanto eles não vêm

Vou manter-me alerta.

Seu poder é limitado.

Enquanto eles não vêm

Não me sinto encurralado

Menos prisioneiro de alguém.

Enquanto eles não vêm

Minha vida continua

A força que eles tem

Não é da liberdade gazua.
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A chama

A chama que aquece.
A chama que deslumbra.
O que a natureza oferece
para vencer a penumbra.

A chama que convida
e a que mais atrai
A chama da vida
que em cinza se esvai.

A chama ilumina
em luzeiro de cor
A chama fascina
Símbolo do amor

Pudera eu inflamar
como chama viva
A todos arrebatar
em arte persuasiva

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Des-décima a Ricardo Salgado

  1.  

    Pelo nome era Ricardo
    Pelo dinheiro ricaço.
    Para ainda maior vistaço
    Acrescentava o Salgado.
    Entre todos afamado
    Mais que todos mandante
    E o país impetrante
    Até lhe beijava os pés.

    Mas como pó se desfez
    Pese seu metal sonante.

    Niso 27.07.2014
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Dos nomes

 

 

Nomes a mais

Nomes a menos

Nomes que tais

Nomes somenos.

 

Nomes, nomes só nomes

Nomes e cognomes

Pronomes em vez de nomes.

Por dentro dos nomes,

As coisas que os nomes

Nomeiam.

 

Renome que nome é?

É apenas o rasto do nome

Que é o nome que é.

 

Nomes a mais

Nomes a menos.

E se todas as coisas

Fossem iguais

Apesar dos nomes

Batismais?

 

O nome não afirma

Nem nega

Até pode ser

o pseudo-nome

(pseudónimo)

Que assim

 outra face enverga.

E mal se enxerga.

 

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Comentários (1)

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2014-08-23

Amigo Niso, Não sei o que é isso de ser poeta, e menos ainda ter como profissão ser poeta. Mas sei o que é ver as coisas com poesia, e pela maneira como escreve o amigo também.