Escritas

Lista de Poemas

Manhã Insular

A manhã espreita por entre brumas e neblinas baças. O céu mal se ajeita às núvens de chumbo que nada ultrapassa. A noite que acabou deixou-nos como herança um dia opaco espesso denso sombrio compacto e para viver a contrapasso. Niso 4.7.2014
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Coisas da bola!

Quem diz sete diz Ronaldo

Quem diz sete por cento

É como lançar ao vento

Da copa, o desejado alvo.

Tem fama de portento

O número sete da seleção

Mesmo suando as estopinhas

Tanto as dele como as minhas

O pássaro parecendo na mão

Perdeu-se dentro das quatro linhas

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Ora bolas!

Bola cá
bola lá
Assim não dá
Bola vai
Bola Vem
Tio Sam
sobressai
Bola no ar
Bola no chão
Resta-nos a consolação
das contas de somar
Arrancadas à Nani
Fintas à Ronaldo
Nem nos põe a salvo
O Varela como nunca o vi
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Rio de palavras

Sou um rio de palavras

Em luta constante

 contra a violência das suas margens

 que são as ideias.

 

Sou um rio de palavras

Que teima em desmentir

Heraclito – o obscuro.

Banho-me uma e outra vez

Nas mesmas águas deste rio.

 

Sou um rio de palavras

 que nunca chega

a pressentir a sua foz.

Tanto pode desaguar

 Num mar vasto  de ideias

Ou num turbulento lago de emoções

 

Sou um rio de palavras

qual dicionário de milhões de entradas

mas demandando umas às outras

a riqueza dos seus signos

ou a pobreza das suas significações

 

Sou um rio de palavras

que desconhece a sua nascente

as palavras não nascem

derivam ao sabor da  corrente.

Niso 3.6.2014

 

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Endecha ao homem insubstituível


segundo Bertolt Brecht e Niso de Sousa

 

Se este homem insubstituível

se irrita,

 o céu e a terra se agita

 

Se este homem insubstituível

Espirra

Todo o mundo se constipa

 

Se este homem insubstituível

Dorme a sesta ou se distrai a olhar o mar

O mundo vacila nos seus alicerces

 

Se este homem insubstituível

tem dores abdominais

todo o mundo desata em grandes ais

 

Se este homem insubstituível

por momentos desfalece

a linha do equador estremece

a até o polo norte aquece

 

Se este homem insubstituível

Adoece

Põe toda a Igreja em prece

E toda a nação empobrece

 

Mas, se este homem insubstituível

Falece

No céu ninguém o reconhece

E na terra o seu corpo rapidamente

arrefece

E pala acção da  vérmina

- Única  que o  reconhece-

Apodrece

Da memória

Se esvaece

E no olvido

perece.

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Décima para o dia internacional da Ideia


 

Quem o dia da ideia inventa

Talvez sem mesmo o saber

Muito menos aperceber

Da pequenez do que tenta

Pois  com pouco se contenta

Ao contrário do velho Platão

Que com mais fé na razão

O mundo das ideias criou

E para cada coisa encontrou

Nas ideias a sua expressão

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Mau fado


 

O mau fado e a hora má

Minha vida marcaram

O mau fado sempre será

A herança que me deixaram

 

O mau fado e a hora má

Aprazaram um encontro

O destino decidirá

De tão fatal confronto

 

O mau fado e a hora má

Sempre juntos se conjugam.

Nenhum bem advirá

De tais forças que me subjugam

 

O mau fado e a hora má

São minha companhia astral

O mau fado comigo está

E estará para meu mal.

 

D.S. 21.5.2014

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Ilha ao perto

A ILHA AO PERTO

 

 

 

 

Pedra torrada

Transtorno do mundo

Do mar profundo

A custo arrebatada

 

Terra queimada

De solo fecundo

Contigo me confundo

Na vida insulada

 

Sentir de ausência

Rosto da saudade

Em que me revejo.

 

Assomo de consciência

Sonhando a eternidade

Ao menor ensejo.

 

 

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Falo ou não falo?

Não falo de sonhos. Não falo de pesadelos. Falo de pessoas. Pessoas que por mim passam e não as vejo. Pessoas que deviam estar perto mas estão longe. Que deviam ter um sorriso, mas não tem nem um esgar .Pessoas que nem amo nem odeio. Que não me são caras nem adversas. Que tem a alma das coisas perdidas. A tristeza no porte e no olhar. Pessoas que olham para dentro e tem nuvens no semblante. Pessoas que não rasgam caminhos, mas que passam a vida a andar. Pessoas sem rumo definido e sem passado vivido. Pessoas que são vidas perdidas e nem sentem desejo de se reencontrar .Pessoas sem partir nem chegar. Pessoas sem dar nem receber. Pessoas a quem faltou o sonhar.

 

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Amor Antigo

O amor antigo

É aquele que não te digo

E não é porque de longe te sigo

Que me esqueço do amor antigo

 

O amor antigo

sólido abrigo

Contra o olvido.

Com ele sempre consigo

O dom não merecido

Mas que nunca desdigo

 

O amor antigo

Não é jazigo

Mas um postigo

Onde sem perigo

E debruçado digo:

Fica comigo

Meu amor antigo.

 

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Comentários (1)

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2014-08-23

Amigo Niso, Não sei o que é isso de ser poeta, e menos ainda ter como profissão ser poeta. Mas sei o que é ver as coisas com poesia, e pela maneira como escreve o amigo também.