Lista de Poemas
Amor sagrado
“L’amour est ta dernière chance.
Il n'y a vraiment rien d'autre
sur la terre pour t'y retenir."
( Aragon)
(O amor é sua oportunidade final.
Na verdade, nada mais existe
para prendê-lo à Terra.)
Ao começar, a minha voz já anuncia,
amo as palavras, elas são meu alimento.
E amo amar, viver de amor, porém comento
que, com certeza, meu amor traz alegria ...
Mas, se o amor dá sempre o tom do que é real,
então eu amo, amo sempre, mesmo quando
estou desperta, ou mesmo, quando estou sonhando.
Às vezes sim, às vezes não. Isso é normal.
Assim desvela a realidade do viver,
o que aparece no exterior é tão somente,
da vida interna, só uma ponta pertinente,
ao vasto mundo que faz parte do meu ser.
Pois o alimento mais profundo, esse, retive-o,
é o bem sagrado, o bem restrito, o indizível.
Nilza Azzi
Il n'y a vraiment rien d'autre
sur la terre pour t'y retenir."
( Aragon)
(O amor é sua oportunidade final.
Na verdade, nada mais existe
para prendê-lo à Terra.)
Ao começar, a minha voz já anuncia,
amo as palavras, elas são meu alimento.
E amo amar, viver de amor, porém comento
que, com certeza, meu amor traz alegria ...
Mas, se o amor dá sempre o tom do que é real,
então eu amo, amo sempre, mesmo quando
estou desperta, ou mesmo, quando estou sonhando.
Às vezes sim, às vezes não. Isso é normal.
Assim desvela a realidade do viver,
o que aparece no exterior é tão somente,
da vida interna, só uma ponta pertinente,
ao vasto mundo que faz parte do meu ser.
Pois o alimento mais profundo, esse, retive-o,
é o bem sagrado, o bem restrito, o indizível.
Nilza Azzi
👁️ 51
vida
o que dizer dessa festa
tão selvagem
que mistura e confunde
coragem e covardia
e coloca assim juntos
o joio e o trigo
não tão indistintos
nem tão emaranhados
diante do olhar adormecido
que desperta quando chega o dia!
nilza azzi
tão selvagem
que mistura e confunde
coragem e covardia
e coloca assim juntos
o joio e o trigo
não tão indistintos
nem tão emaranhados
diante do olhar adormecido
que desperta quando chega o dia!
nilza azzi
👁️ 35
Flores
Vou compor um ramalhete
Com flores do meu amor
Desisti, vão sem bilhete
Apenas aroma e cor
Não vou mandar entregar
Nem mesmo escolhi um cartão
Prefiro eu mesma levar
Vão da minha pra tua mão
E no palco de minh'alma
Onde a faina tem efeito
A primeira que se espalma
O antúrio é o eleito
Diz ele da tua fé
Cumprir a lei do serviço
De uma entrega que assim é
Um divino compromisso
Em seguida o girassol
Flor de grande intensidade
Da manhã ao arrebol
Fala sobre a dualidade
A camélia é aquela
Que ensina pelo exemplo
Não se toca em flor tão bela
Respeita-se como um templo
Vai também maracujá
Já entre nós exaltada
Unindo os lados que há
Na identidade apartada
Magnólia e açucena
Pelo perfume que exalam
Da verdade sempre plena
E da confiança falam
Hibiscos em várias cores
Chamado da existência
A vivermos os amores
Cuidar da sobrevivência
Um mandacaru colhido
Nos albores da manhã
Coloquei sem alarido
Por mostrar da alma o afã
Orquídeas, singelas, raras
Trazem noção da unidade
Por todas as vidas caras
Busca da fraternidade
E finalmente vêm rosas
Rosas todas, cores mil
Das singelas às pomposas
dizem do amor mais gentil
Nilza Azzi
Com flores do meu amor
Desisti, vão sem bilhete
Apenas aroma e cor
Não vou mandar entregar
Nem mesmo escolhi um cartão
Prefiro eu mesma levar
Vão da minha pra tua mão
E no palco de minh'alma
Onde a faina tem efeito
A primeira que se espalma
O antúrio é o eleito
Diz ele da tua fé
Cumprir a lei do serviço
De uma entrega que assim é
Um divino compromisso
Em seguida o girassol
Flor de grande intensidade
Da manhã ao arrebol
Fala sobre a dualidade
A camélia é aquela
Que ensina pelo exemplo
Não se toca em flor tão bela
Respeita-se como um templo
Vai também maracujá
Já entre nós exaltada
Unindo os lados que há
Na identidade apartada
Magnólia e açucena
Pelo perfume que exalam
Da verdade sempre plena
E da confiança falam
Hibiscos em várias cores
Chamado da existência
A vivermos os amores
Cuidar da sobrevivência
Um mandacaru colhido
Nos albores da manhã
Coloquei sem alarido
Por mostrar da alma o afã
Orquídeas, singelas, raras
Trazem noção da unidade
Por todas as vidas caras
Busca da fraternidade
E finalmente vêm rosas
Rosas todas, cores mil
Das singelas às pomposas
dizem do amor mais gentil
Nilza Azzi
👁️ 55
Espaço sagrado
Um canto em mim, eu reservei, desde pequena,
e ali guardei tudo de bom, que à vida trouxe
(a minha alma) e disfarcei a minha pena,
pra proteger do mundo insano a parte doce,
o bem sagrado. Terei eu alguma essência,
a depurar, neste viver equivocado?
Guardei pra ti o bem maior, a excelência,
a poesia, a alegria, a voz do bardo.
Mas tu não chegas, o Olimpo fica longe,
como Abelardo pode ser, sejas um monge,
e Heloísa só te ama porque quer.
Se num passado estivemos lado a lado,
na imagem pura desse espaço consagrado,
és o meu homem e eu sou tua mulher.
Nilza Azzi
e ali guardei tudo de bom, que à vida trouxe
(a minha alma) e disfarcei a minha pena,
pra proteger do mundo insano a parte doce,
o bem sagrado. Terei eu alguma essência,
a depurar, neste viver equivocado?
Guardei pra ti o bem maior, a excelência,
a poesia, a alegria, a voz do bardo.
Mas tu não chegas, o Olimpo fica longe,
como Abelardo pode ser, sejas um monge,
e Heloísa só te ama porque quer.
Se num passado estivemos lado a lado,
na imagem pura desse espaço consagrado,
és o meu homem e eu sou tua mulher.
Nilza Azzi
👁️ 46
Laços
Caminhada rumo aos céus,
momento do nada.
Sem definição a nos unir,
morre minha vida ao longe.
Invade-me a força do teu ser.
Esmoreço. Entrego minha morte.
Incita-me o amor.
Reconheço razão no prosseguir...
À criança assustada, a mão,
um olhar. A voz muda
determina a liberdade.
Me apago.
Teus pés, pegadas fortes, beijo
e choro em solidão.
Afagos tentam suprimir
cansaço longo (com esmero).
Sei a despedida a aprender.
Sempre possibilidade
novo laço. Amar e desatar.
Nilza Azzi
momento do nada.
Sem definição a nos unir,
morre minha vida ao longe.
Invade-me a força do teu ser.
Esmoreço. Entrego minha morte.
Incita-me o amor.
Reconheço razão no prosseguir...
À criança assustada, a mão,
um olhar. A voz muda
determina a liberdade.
Me apago.
Teus pés, pegadas fortes, beijo
e choro em solidão.
Afagos tentam suprimir
cansaço longo (com esmero).
Sei a despedida a aprender.
Sempre possibilidade
novo laço. Amar e desatar.
Nilza Azzi
👁️ 34
Pena capital
Faz frio. É noite. Há fogo aceso.
A chama em claridade brinda.
Ao penetrar o corpo ileso
o lume se desfaz e finda
em sombra. No espaço sem peso,
a mente descansa. Bem-vinda,
a certeza de ser coeso
o ardor de vê-la assim tão linda,
em contraponto àquele céu
anil. Sentir tão dentro tal
espanto. Procurar seu mel,
aspirar à entrega total,
apenas ser um simples réu:
o amor a pena capital.
Nilza Azzi
👁️ 109
Trilha
se nas reviravoltas me cansei das luas
e se dos girassóis já se perdeu o encanto
é que uma primavera foi embora um dia
e nunca num verão eu soube o que era amar
pintei minha loucura em cor bem transparente
deixei no céu o adeus sem mesmo refletir
nos braços que partiram já não choro mais
se os restos de um poema são de cor brilhante
e a trilha das palavras vem do pensamento
além do imaginário tine a realidade
certeira e mais cruel do que qualquer inferno
mas se numa recusa há sempre uma esperança
repousam vinho e mel nos campos semeados
nilza azzi
👁️ 134
Quando...
Quando chove, e a chuva manda,
um ar fresco, limpo e úmido,
leio um livro na varanda,
enquanto me olhas, tímido.
Nilza Azzi
um ar fresco, limpo e úmido,
leio um livro na varanda,
enquanto me olhas, tímido.
Nilza Azzi
👁️ 23
Sem medidas
É quando a tarde cai, e o Sol se esconde,
e a noite chega rápido, e me alcança,
que não posso esquecer-me da criança
perdida, não sei quando, não sei onde.
Não é tristeza, não, ou dor que vaza,
também não é saudade o que me agarra.
É mais a nostalgia... Aquela farra,
na rua, ao fim do dia, em frente à casa.
O espectro da noite, e não me iludo,
era uma ruptura, o adeus à vida,
a forma de aprender que, descabida,
um dia chega a morte e leva tudo.
Enfim, quando declina, em seu processo,
o dia, e só nos sobra a escuridão,
as mágoas, uma a uma, todas vão
juntar-se desmedidas, pois não meço
o tempo, pelos frutos da estação.
Nilza Azzi
👁️ 140
Divagação
Para falar da dor, uma palavra: – Basta!
mas ao falar de mim, confesso que não sei,
se aquela que busquei foi pecadora ou casta,
contida ou arrojada, em vidas que sonhei.
Ao se falar do amor, despreze-se à Jocasta
que ao filho se entregou, desrespeitando a Lei
e a sorte lamentou, na sina tão nefasta.
Eu já não sofro a pena, a sorte revirei.
Em busca da Palavra, eu sigo vida afora
e já não tenho filho ou homem que me atarde,
não creio na ilusão, nem Édipo me castra.
Das vinhas colher mel, é o meu desejo agora
e ao mestre tão atento, eu digo com alarde:
– Na fala do Poeta, há um sonho que se alastra.
Nilza Azzi
👁️ 163
Comentários (4)
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petrillipoesia
2020-03-23
Belos sonetos!
sergios
2020-01-23
Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!
filipemalaia
2019-12-31
Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.
Maria Lima
2019-08-02
Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!
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