Escritas

I-LXXVII Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Não percebo mais trilhas sobre a terra,

já vou-me perdido desde que me apontaram o caminho.

Giro sem norte, tudo que reconheço já vi, e lembram-me morte.

Mas sempre que ouso perder-me, pergunto o porquê de aqui perecer-me:

Se é pela selva húmida, ou pelo frio incessante,

se é por capricho ou por minha ânsia de ser amante.

 

Mal tenho o tempo de existir,

nem dinheiro que lapide a carcaça que nasci.

Tenho poucos sonhos humanos, vejo-me sempre

como alvo dos assombros do cotidiano.

Temo a vergonha, o vexame,

temo confiar as fraquezas em quem,

por direito, vive sob seus ânimos.

 

Há dias que amo sem retorno.

Hoje o revejo, para que recupere um pouco do anelo,

atando meu mundo de palavras gamadas,

para que o excesso não nos desfaça.