Lista de Poemas

corrida

Enquanto a mente busca um equilíbrio estável sobre os acontecimentos recentes, separar a vontade de tudo, ou quase tudo que sente.
Não é ardendo de vontade que a gente consegue o que quer.. E muito menos se o seu querer for aquele papel, que te promete, te engana e depois desmente.
Dá pra esperar pra ver quem ganha uma corrida, onde todas as apostas são um tiro no escuro? Será que é assim que se tornam atrativos os jogos de azar? em quem você apostaria?
Um coração acelerado
atropelando tudo, correndo com seus pés descalços, acho que nem lembra o porquê de estar aqui. Corre com os olhos baixos, cansados, parece viver constantemente com uma necessidade de dormir. No entanto, é um competidor ágil, tem os seus joelhos ralados, mas corre rápido como ninguém, a sua distração possui uma dualidade, fica quase que hipnotizado com a aglomeração de pessoas, agitadas, eufóricas e, claro, torcendo pelo miocárdio. O que quase lhe faz parar de bater, por alucinar diante de tanta vaidade, também impulsiona a ganhar essa afobada competição. Não vai querer fazer feio em meio a tanta torcida. E dessa maneira, com essas pretensões, ele corre, corre atropelando pernas e bandeirinhas do caminho. Todo mundo ver na pista um coração correndo, com seus repetidos passos rápidos, excêntricos, que ameaçam lhe partir.
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conversa imaginária

o diálogo que a gente não teve
ficou retido dentro da minha cabeça.
e, nas terças feiras de manhã ele ainda me faz vagar nas tuas possíveis e remotas palavras. como um corpo boiando em uma represa cheia de uma água que não existe.
eu, deselegantemente sentada em uma cadeira plástica, espero por um sol mesquinho que não me queima, enquanto sinto que já passei do ponto nesse hobby idílio que é imaginar você referindo-se a mim.
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paleta de cores

Olhando as telas quase quadradas,
esperando ver mais uma vez por um chamado teu que, mesmo tão elaborado, ensaiado, talvez não me queira dizer nada. Mas quando presentes são escaldos
ardentes, aonde eu junto os teus traços e idealizo cada expressão do seu rosto contida no que você diz
e sinto em mim os teus dentes, num mastigar quente que faz aguçar todas as outras sensações que você trás ao meu ventre. Me deixando sem norte pra ir, boquiaberta diante de um estremecer frio que vai das coxas até a nuca. Já não me surpreende me deparar com a minha aquarela interna de sensações, pintando personagens, atores, dores fracas de nuances facilmente apagadas. O que me assombra é a infinidade de tons que a tua aura trás, deixando um aviso, um breve cartaz, que diz-me claro e intenso como do teu feitio, que há grandes possibilidades dessa tinta respingar em mim. De serem espalhadas sobre a minha pele, como uma paleta de cores quebrada em um chão de cerâmica.
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linguagem

De todos os vazios que o teu toque deixa
a minha mais aguda queixa
alcança tonalidades mais altas
do que ouvidos-papéis podem suportar
nas traduções fiéis de dor e palavra
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silêncio

hoje eu passei uma hora exposta à luz solar matinal.
fiz aquela meditação de sete minutos que a minha amiga astróloga me recomendava.
passei a manhã vendo um desenho que aborda temas complexos de um jeito bobo enquanto comia a minha comida favorita pela terceira vez essa semana.
lixei o meu pé que não sabia qual era a sensação de se lixado faz um tempo.
ouvi um podcast sobre uma das minhas possíveis profissões. 
essa tarde eu quis fazer uma pesquisa grandiosa e sútil que mudasse alguma coisa no mundo.
essa tarde eu quis fazer uma pesquisa grandiosa e sútil que mudasse alguma coisa em mim.
também cochilei sem sentir nenhum alerta cognitivo ao acordar, aquele que nos diz que já dormimos demais.
eu flertei com as nuvens em formato de monstro, procurei um post no Instagram que me desse algo em que minha mente se fixasse, achei, durou quinze minutos esse aterramento.
esse seria um dia ideal e propício para descansar e optar por quase nenhuma interação.
uma atmosfera pra se desconectar.
mas por maior distante que eu me submeta a ficar
dos fatos,
dos outros, 
e de qualquer trilha que quisesse fazer hoje à tarde pelos morros, 
sou arrastada até um lugar de subjetiva distração maior.
os emaranhados sentimentais se fazem tímidos quando eu sento, encaro-os e digo: ok, ressoe, eu estou disposta a te ouvir.
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agora não

a vidraça do quarto borrada pela umidade da chuva.
a comparação inusitada com o teu suor.
o cara que cruza a rua e se distrai com a senhora na varanda do prédio ao lado,
um bater de olhares casual.
a tua ausência matinal
o nosso nó.
fatos que não se entrelaçam
acontecimentos que não se cruzam
rodopiam na minha memória antes de eu pegar no sono.
hoje menos barulhentos que outros, de outrora. mas também nenhum com uma sonoridade que me embala, que balance, me cubra e me faça preparada pra dormir.
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veste

a brisa gélida sopra gotas lépidas nas minhas costas desnudas.
o mar foi acalmado pela manhã, as poças de água no chão refrescam o calçamento.
eu vejo gotículas caírem sobre este escrito.
e na medida em que as horas correm, que o céu muda, a temperatura esquenta ou esfria, e me trás o sopro frio de agora, eu te olho cada vez mais como uma roupa. uma peça que eu comprei, caiu-me bem (realçou o meu corpo, até), mas é uma veste que não se adéqua à ocasião, não é uma pedida do momento, não ressoa com o esse novo refrão, nem parece ter mais um caimento tão bom. o teu tecido que confortava, agora gera algo próximo de dor ao encostar em minha pele. então, sem vaidade, amor, hoje eu simplesmente não te visto.
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naquela cadeira tem uma almofada agora

as gotas de vida que a solitude lhe trás, percorre-a pelo corpo, escorrendo no pescoço, como um suor resultante de uma euforia breve, um suar alegre, que nem aqueles que brotam na nossa pele durante um bloco de carnaval. 
os hobby's amenos já não parecem exigir tanto do seu físico, a ausência de interações talvez nem seja assim tão fatal...e, bom, naquela cadeira tem uma almofada agora, o sol ainda permanece somítico, mas é noite, a lua está cheia e dessa cadeira, o panorama do astro não é inteiramente mal.
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conversa imaginária

o diálogo que a gente não teve
ficou retido dentro da minha cabeça.
e nas terças feiras de manhã ele ainda me faz vagar nas tuas possíveis e remotas palavras. como um corpo boiando em uma represa, cheia de uma água que não existe.
eu, deselegantemente sentada em uma cadeira plástica, espero por um sol mesquinho que não me queima, enquanto sinto que já passei do ponto nesse hobby idílio que é imaginar você referindo-se a mim.
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pia entupida, ralo obstruído

As confissões insensatas feitas no interior de uma janela, que costuma ser banhada pela radiação solar da luz do dia, agora se cobrem, enroladas em um manto maracujá. A chamada acabou, meu adultozinho, emissor digital de suas emoções confusas. Agora, traga-às de volta para gruta. Não deixe mais ninguém de fora olhar. Sinta o alívio de ter vivido mais uma exposição, e o conforto silencioso e merecido após as interações difíceis. O quê? Você continua triste? aí, mas você não vai me dizer que acreditou naquelas promessas vagas de que "vai passar!", não é? acho que isso aí não é muito adulto da sua parte. Sabe, tem uns poemas, eu andei vendo umas esculturas e quadros…Enfim, já ouviu falar na conversão de tristeza aguda em arte, loucura inóspita em arte, do seu desespero pouco profundo em arte, do amor palpável em arte? Acho que, pelo que te conheço, esse você converteria ao contrário.
E, bom, ainda são 17 horas da tarde, não me venha com essa angústia fora de horário. O que você queria, não era movimento? pois então, o universo mais uma vez te ouviu e te presenteou com um arsenal de sentimentos embaralhados que te rebolam daqui pra lá, não vá cometer o desdém de olhar com expressão de dúvida aos céus, enquanto carrega toda essa confusão debaixo do braço. Faça um mapa mental, passe a frequentar a casa de uma daquelas moças, as senhoritas que leem Tarot. Meu Deus, é a sua, e, unicamente sua, dor. Inventa um personagem aleatório aí dentro da sua cabeça, pra te dar os sermões que você odiaria ouvir, e que se viessem de alguém orgânico e real, resultaria em uma discussão sem fim. Olha, até pra mim, você exala estar timidamente na defensiva. Mas, eu nem existo sem a tua ajuda, sou apenas um lado seu, querida. A mudança de esquina que você faz pra evitar lidar com os seus pedacinhos, ela te dar uma pilha nova deles. E, eu juro, que notei, que já faz uns meses, desde o último descanso, que o tempo passa e as coisas giram como se alguém te rodasse intensamente e contra a sua vontade em um balanço que tem o assento desconfortável, e as respostas ainda continuam completamente encobertas, por essa cobertura gelatinosa de alguma coisa, que parece deixar um rastro pouco agradável aos olhos, em todas as pessoas que você cruza.
Que grande parte de tudo de mais terno que a gente sente, eventualmente se transforma em uma amontoado gigante de louças sujas, e, ninguém te avisou antes, mas inusitadamente também, você descobriu que apenas você mesmo podia lavar. E a única informação antecipada que te dão é que a probabilidade desse ralo entupir com os restos de comida da tua louça, são enormes.
Ah, mas também não precisa hiperventilar assim, que cara é essa? eu não te dei nenhuma notícia catastrófica. Começa a contar as respirações e chama aquele encanador, o que é conhecido da família, se algo der errado, ele resolve. E, evita esses afetos súbitos, também. Eu sei, você sabe, acho que o encanador que a sua mãe indicou deve ter conhecimento também, que muito antes da hora marcada, eles se dissolvem, antes mesmo que a sujeira da pia (sem querer duvidar da competência de quem a limpou.)
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Parabéns pelas obras!