veste

a brisa gélida sopra gotas lépidas nas minhas costas desnudas.
o mar foi acalmado pela manhã, as poças de água no chão refrescam o calçamento.
eu vejo gotículas caírem sobre este escrito.
e na medida em que as horas correm, que o céu muda, a temperatura esquenta ou esfria, e me trás o sopro frio de agora, eu te olho cada vez mais como uma roupa. uma peça que eu comprei, caiu-me bem (realçou o meu corpo, até), mas é uma veste que não se adéqua à ocasião, não é uma pedida do momento, não ressoa com o esse novo refrão, nem parece ter mais um caimento tão bom. o teu tecido que confortava, agora gera algo próximo de dor ao encostar em minha pele. então, sem vaidade, amor, hoje eu simplesmente não te visto.
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