Escritas

Biografia

Amante da Literatura, Poeta, Biólogo, Mestre em Biologia Vegetal.

Lista de Poemas

Total de poemas: 45 Página 1 de 5

RESILIR

Entre o conforto que enche
Meus dias de amor
Calor, cheiros, cores, sabores
Dormir    acordar

Sonhar pra viver
Atravessar nuvens júlias
Ainda que pai natimorto
Sofro

Sempre me perseguirá
A brisa felicidade  
O acalanto da bondade
Aonde for me procurará

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BURACO DE MINHOCA [Para Cláudia Souto]

Em trinta e quatro
Ver-te em branco, no preto
Guiar teus olhos ou tua flecha
Cantar teus cabelos

Respirar tua fala
Sorver teu suor, teu cheiro
Declarar teu verbo
Esquecer as horas, os dias, as décadas

Não acreditar que exista
Felicidade imensa, intensa,
Terna, palpável, consolidada
No espaço-tempo abstrato-futuro

Do sonho-imaginação 
Vivido a dois, paralelas, algoritmos
Profética poesia concreto-romântica
De um mês ou 34 anos

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QUATROCENTOS CARNAVAIS [Dedicada a Caetano Veloso]

Eu e Deus
Ele e eu
Um anjo vivo
Herói cativo
E música 
E muso
Colorido, zen, simpático, feliz
E uma mulher linda à esquerda
João Franklin me ajudou
adjunto, adjetivo, sublime substantivo

E vivo, vivo, vivo, vivo muito
Vivo muito vivo
A voz do morto
E viva, viva
Vivi Aqui e ali
E vai levando
Água, tenha calma
Quando o vim-vim cantou
Cantei pra ver o Cê

E veio a chuva do Saara
E invadiu Madri
E me mostrou você
A quem entendia todo
De quem amava
Toda sua história

E o coco do recôncavo 
Me trouxe o reconvexo
E nomeou Bethânia 
Primeira poesia
Porque já conhecia dessa o seu destino

E eu, naquele dia tão menino
Peguei a poemática
A prática
Na hora
E a Teoria do Caos
Em mim confabulou

Tudo pelo deus baiano
Do porão do navio negreiro
Recife, Rio de Janeiro
Canavial de usina
De Santo Amaro à Carpina
Dos nossos 400 Carnavais
 

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VOCÊ E EU

Nossos sonhos caminham juntos 
Por toda vida
Inda por caminhos tortuosos 
Não acordaram

Superaram as trincheiras 
Do sofrimento, do desamor 
Permaneceram guardados
Em memórias de crianças

Muito fundo na lembrança 
Vestidos de branco
Em bancas escolares
De sempre entre olhares

Flores diferentes da mesma raiz
E um universo traçando 
Integrais e limites
Palmeiras e leis

Rainhas nem reis
Comparam-se a nós 
Resistentes num país arrasado 
Onde o amor procura sua vez

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A LUZ DO VERDADEIRO AMOR [à Mércia Moraes]

Quando o sol surge no hemisfério
Ela já está sorrindo em luz
Guerreia todo dia

A guerra do justo
A guerra do próximo 
A cuidar do universo ao seu redor

Impossível pensar vendo aquele sorriso

A ti amiga minha e de todos
Coração pro povo de rua
Pro povo carente no Sertão
Ou aonde for

Se todos fossem iguais a você...
Não haveria necessidade de céu

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HOMENAGEM A MÁRCIO

A vida é difícil para você 
Ainda assim és dela, amante 
Como Cesar, apunhalado entre os seus 
Resistes a toda calúnia

Vives dez a cada ano
Amas as pessoas sem distinção 
És distinto, calmo, terno
Moderno, eterno estudante

Nada te custa amar sem ser amado 
Teu legado é tentar ensinar 
Tua visão de mundo que seria feliz

Teus presentes são: sinceridade e paz
Tua fonte é a admiração pela mulher 
Procuras a felicidade não a santidade

Trabalhas para a natureza 
Tuas palavras trabalham pela ciência 
Tua política é a da tolerância 
Democracia é o teu país

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CAMINHOS PARALELOS [para Claudia Souto]

Lembro-te menina
Linda, loirinha
Na igrejinha azul do Janga

Tão inacessível, impossível
De dentro do meu casulo

Amizade de infância
De primeira comunhão
De ética, inteligência, Direito e Ciência 

Das mesmas raízes fortes
De famílias da Mata Norte
 

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Uma Letra de Música

Se você quiser eu penso
Em realizar meus planos
De te procurar num sonho
Te rever... te cheirar...

Ver o teu olhar mirando
Te agasalhar no peito
E afugentar todo medo
Teu calor... desejo...

Nossa história nunca escrita
Na vida real não aconteceu
Mas no universo do prazer
Sempre haverá você e eu


 

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O FIM

Na finitude é que vês a parte mais bela
Quando és capaz de ver como enganou-se
Tudo que era lindo pra ti era nada pra o outro
Não eram tuas e de ninguém além de tudo

Sabotavam-te, galhofavam às tuas costas
Tudo era um jogo psicológico e sádico
Era tua inimiga oculta, e amiga obtusa
Estavas numa gaiola incandescente

Mas saíste, hoje quem não vê-las és tu
Por isso amor não é páreo para a amizade
Mais vale ter o coração vazio e a mente cheia
E escrever bonito sobre o que sonhavas
 

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ESPELHOS

Às vezes causa-te alumbramento
Pressentires que vivestes muito além
Do que conta tua longeva existência 
Encontras pelo caminho repetições

Pareces provar a teoria dos buracos de minhoca
E vês alguém que amastes
Em diferentes pessoas iguais
Os céticos vão dizer: DNA
Os crentes irão dizer: estais louco

Mas tu, dentro de toda tua cátedra
Em filosofia, genética, teologia e astrofísica
Terás tua conclusão estritamente científica
Está provado: hoje somos todos vampiros 

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