Biografia
Lista de Poemas
RESILIR
Entre o conforto que enche
Meus dias de amor
Calor, cheiros, cores, sabores
Dormir acordar
Sonhar pra viver
Atravessar nuvens júlias
Ainda que pai natimorto
Sofro
Sempre me perseguirá
A brisa felicidade
O acalanto da bondade
Aonde for me procurará
BURACO DE MINHOCA [Para Cláudia Souto]
Em trinta e quatro
Ver-te em branco, no preto
Guiar teus olhos ou tua flecha
Cantar teus cabelos
Respirar tua fala
Sorver teu suor, teu cheiro
Declarar teu verbo
Esquecer as horas, os dias, as décadas
Não acreditar que exista
Felicidade imensa, intensa,
Terna, palpável, consolidada
No espaço-tempo abstrato-futuro
Do sonho-imaginação
Vivido a dois, paralelas, algoritmos
Profética poesia concreto-romântica
De um mês ou 34 anos
QUATROCENTOS CARNAVAIS [Dedicada a Caetano Veloso]
Eu e Deus
Ele e eu
Um anjo vivo
Herói cativo
E música
E muso
Colorido, zen, simpático, feliz
E uma mulher linda à esquerda
João Franklin me ajudou
adjunto, adjetivo, sublime substantivo
E vivo, vivo, vivo, vivo muito
Vivo muito vivo
A voz do morto
E viva, viva
Vivi Aqui e ali
E vai levando
Água, tenha calma
Quando o vim-vim cantou
Cantei pra ver o Cê
E veio a chuva do Saara
E invadiu Madri
E me mostrou você
A quem entendia todo
De quem amava
Toda sua história
E o coco do recôncavo
Me trouxe o reconvexo
E nomeou Bethânia
Primeira poesia
Porque já conhecia dessa o seu destino
E eu, naquele dia tão menino
Peguei a poemática
A prática
Na hora
E a Teoria do Caos
Em mim confabulou
Tudo pelo deus baiano
Do porão do navio negreiro
Recife, Rio de Janeiro
Canavial de usina
De Santo Amaro à Carpina
Dos nossos 400 Carnavais
VOCÊ E EU
Nossos sonhos caminham juntos
Por toda vida
Inda por caminhos tortuosos
Não acordaram
Superaram as trincheiras
Do sofrimento, do desamor
Permaneceram guardados
Em memórias de crianças
Muito fundo na lembrança
Vestidos de branco
Em bancas escolares
De sempre entre olhares
Flores diferentes da mesma raiz
E um universo traçando
Integrais e limites
Palmeiras e leis
Rainhas nem reis
Comparam-se a nós
Resistentes num país arrasado
Onde o amor procura sua vez
A LUZ DO VERDADEIRO AMOR [à Mércia Moraes]
Quando o sol surge no hemisfério
Ela já está sorrindo em luz
Guerreia todo dia
A guerra do justo
A guerra do próximo
A cuidar do universo ao seu redor
Impossível pensar vendo aquele sorriso
A ti amiga minha e de todos
Coração pro povo de rua
Pro povo carente no Sertão
Ou aonde for
Se todos fossem iguais a você...
Não haveria necessidade de céu
HOMENAGEM A MÁRCIO
A vida é difícil para você
Ainda assim és dela, amante
Como Cesar, apunhalado entre os seus
Resistes a toda calúnia
Vives dez a cada ano
Amas as pessoas sem distinção
És distinto, calmo, terno
Moderno, eterno estudante
Nada te custa amar sem ser amado
Teu legado é tentar ensinar
Tua visão de mundo que seria feliz
Teus presentes são: sinceridade e paz
Tua fonte é a admiração pela mulher
Procuras a felicidade não a santidade
Trabalhas para a natureza
Tuas palavras trabalham pela ciência
Tua política é a da tolerância
Democracia é o teu país
CAMINHOS PARALELOS [para Claudia Souto]
Lembro-te menina
Linda, loirinha
Na igrejinha azul do Janga
Tão inacessível, impossível
De dentro do meu casulo
Amizade de infância
De primeira comunhão
De ética, inteligência, Direito e Ciência
Das mesmas raízes fortes
De famílias da Mata Norte
Uma Letra de Música
Se você quiser eu penso
Em realizar meus planos
De te procurar num sonho
Te rever... te cheirar...
Ver o teu olhar mirando
Te agasalhar no peito
E afugentar todo medo
Teu calor... desejo...
Nossa história nunca escrita
Na vida real não aconteceu
Mas no universo do prazer
Sempre haverá você e eu
O FIM
Na finitude é que vês a parte mais bela
Quando és capaz de ver como enganou-se
Tudo que era lindo pra ti era nada pra o outro
Não eram tuas e de ninguém além de tudo
Sabotavam-te, galhofavam às tuas costas
Tudo era um jogo psicológico e sádico
Era tua inimiga oculta, e amiga obtusa
Estavas numa gaiola incandescente
Mas saíste, hoje quem não vê-las és tu
Por isso amor não é páreo para a amizade
Mais vale ter o coração vazio e a mente cheia
E escrever bonito sobre o que sonhavas
ESPELHOS
Às vezes causa-te alumbramento
Pressentires que vivestes muito além
Do que conta tua longeva existência
Encontras pelo caminho repetições
Pareces provar a teoria dos buracos de minhoca
E vês alguém que amastes
Em diferentes pessoas iguais
Os céticos vão dizer: DNA
Os crentes irão dizer: estais louco
Mas tu, dentro de toda tua cátedra
Em filosofia, genética, teologia e astrofísica
Terás tua conclusão estritamente científica
Está provado: hoje somos todos vampiros
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