Escritas

Biografia

Amante da Literatura, Poeta, Biólogo, Mestre em Biologia Vegetal.

Lista de Poemas

Total de poemas: 45 Página 3 de 5

COMBATE E SOLIDÃO

A solidão é a única propriedade que levarás além-túmulo

Não necessariamente triste, te reveste de armadura

Da couraça dos vaqueiros, dos cangaceiros, 

Do povo de rua, que sob sol e sob lua

Não sabe a data de hoje nem o dia de amanhã

 

Te guiará com cuidado, confortará o frio da alma

Te lembrará que a saudade é o perfume de verões passados

Antes e depois de passada a tua memória

Do último ente se negar a ver tua desgraça

 

Mas solidão nem saudade é desgraça

Aprendes que não precisa de outrem pra viver

E ser uma ilha propensa a receber visitantes

Estarás sempre pronto à chuva ou batalha que vier

 

Ama aos outros, mas ama-te em primeiro

Tanto o bem quanto o mal é passageiro

E o amor como a vida é viagem

Segura o teu papel com arte e coragem

Até o ato derradeiro

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AMAR CALMAMENTE

Quero viver contigo simples
Do desejo do teu olhar alegre
Do teu tom de pele, o meu
Crescer, vencer em tua história

Respirar teus ares
Arrancar-te olhares
Assistir ao teu caminhar
E no teu trajeto estar

Nos teus caracóis 
Nos dentes, tantos, brancos
Na íris cor mel de engenho
Entre os tantos e a sós

Ver tua evolução de mulher 
Guerreira estudante de leis
Refinada forma de tratar
Me inspirando a trabalhar

Aspirar um dia sentir
Teu cheiro de flor
E tua forma esculpir
Te proteger, te dar calor


 

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AMOR DE CARNAVAIS

Ilusão, fascinação, alegria
Tudo brilha 
Confete e serpentina
E o mundo gira

E após uma década
O amor voltou com a translação do mundo
O surto, o impulso, o cheiro
Do travesseiro, do cavalheiro, da dama amada

Sim, amor de carnavais
De um, de dois e de muitos mais
A saudade, a vontade, as lembranças
Olinda, Itamaracá, Caruaru, esperanças

A certeza de um amor de ternura
De felicidade futura
De espelhos, de pelos, de pluma
Da alma dos palhaços que é pura

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LUZ AZUL DE OLINDA

O sorriso ou os cabelos
A meiguice, simpatia
A luz, o mistério,
Sabe-los

O traço, o artesanal
O abraço, o carnaval
O cheiro das meninas
Os olhos negros
Como a pedra de Medina

O intocável
O desejo da alma
O calor da Calma
Do inatingível

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NOS AMAMOS NA PRAÇA

Era ela
Era eu
Era a praça
A rua, a lua, o mar
Era perigo
Era abrigo
Meu e dela
Abrigo sim
Sem teto
Forrado de estrelas
Foi
És
Foi assim:
Na praça
Defronte ao mar
Como animais
Como o sal
Com o vento
Foi sim
Sim foi
Se foi
Ainda vive
Aqui nas minhas entranhas
Nas minhas narinas
No meu órgão sagrado
Não... Ou melhor sim
Sim e não
Não e sim
Inicio
Não fim
Oh please
Please
No speak
Eu explico
Explicito
Tudo
Todo mar que fizemos naquela noite
Enquanto as estrelas caíam sobre o mar...

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AMAR NO MAR

Ele voou pelas estradas de Paraíba a Pernambuco
Voava acima um coração resoluto
O pensamento corria a largo à ela
Chegou ao obelisco da ponta às nove

Olhou a imensidão verde, o sol alto
Até ver de súbito o clarão da estrela
Eunice chega depois, como de costume
Como de costume, sua beleza... surpresa!

Então a felicidade banhou a todos da praia
Foi impossível escapar daquela força
Era amor? Era paixão? Era ciúme? Era explosão!
Mãos dadas de fronte ao mar sempre tão companheiro

Pernas entrelaçadas, corpos um
Namoro, adolescentes, brincadeiras
Falésias, pedras de corais, bichinhos...
Olhos, bocas, mãos, multidão admirada

Não dá pra sair da água
O tempo parou em volta deles
Os outros deixaram de existir
O melhor dia primeiro do segundo ano
De nossa vida...

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NARCISISTAS

A desilusão foi meu egoísmo
De projetar em ti a musa que queria
De tentar aprisionar teu olhar
E guardar pra mim teu sorriso

Te imaginar como não és
Escrever uma história a sós
Estupidamente atirar-me ao convés
Domesticar uma ave feroz

Nada de flores nem árvores 
Tampouco abraços estelares
Nem mel, carinho ou ternura
Atração, não paixão sem cura

Aprender as mudanças 
Respeitar as diferenças
Entender que não há mais poesia
E esquecer de fato o que não merecia

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ÁCIDO

É o que machuca com palavras

Soltas ao vento pra cara

Ditas como pedras em saraivadas

Que se escondem atrás da alma

 

Paixão irresoluta, tortura no peito

Ciúme calado, trancado e feroz

Duro imaginar o passado imperfeito

E ter que se esconder da sombra do algoz

 

E ter esse sentimento como defeito

Dentro do tronco da aorta

Qual dor do ciático, ou num osso estreito

Entalado como bacteriose na garganta

 

Mas tudo começou com alumbramento

Olhos queimantes, presenças ardentes

Doces gestos, cortesia, encantamento

Sonho, sorrisos, desejo instigante e reprimido

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O FURACÃO DE GARRAFA

Quero ver-te andando pelas ruas
Pelas pontes, colorindo jardins
Sorrindo nas lojas
Sugando o meu olhar

Esquentando meu corpo
Destruindo meu juízo 
Me excitando num abraço
Mostrando-me o êxtase

Me dando o doce travoso
O mel amargo raivoso
E o prazer de verdade
Feito à tua ambiguidade

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MAURITIA

No fundo de teus olhos não vejo só a retina
Enxergo verde, azul, amarelo
Lembro das noites de Madri
Mesmo sem nunca tê-las bebido

Sinto o frio de Barcelona
As cores do Picasso
As ondas de Van Gogh
E o calor das nossas vozes

Espreguiço-me e vejo tua silhueta
Quero detê-la sob as minhas intenções
Respiro e me engasgo de perfume
Regurgito e me vem na testa teu nome

Ó querida amada, amiga, feliz, e que me faz cantar
Me deixa tocar minha música sob tua influência
E me permitas as noites de onde fores
Que te prometo a eternidade do meu sorriso
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