Biografia
Lista de Poemas
COMBATE E SOLIDÃO
A solidão é a única propriedade que levarás além-túmulo
Não necessariamente triste, te reveste de armadura
Da couraça dos vaqueiros, dos cangaceiros,
Do povo de rua, que sob sol e sob lua
Não sabe a data de hoje nem o dia de amanhã
Te guiará com cuidado, confortará o frio da alma
Te lembrará que a saudade é o perfume de verões passados
Antes e depois de passada a tua memória
Do último ente se negar a ver tua desgraça
Mas solidão nem saudade é desgraça
Aprendes que não precisa de outrem pra viver
E ser uma ilha propensa a receber visitantes
Estarás sempre pronto à chuva ou batalha que vier
Ama aos outros, mas ama-te em primeiro
Tanto o bem quanto o mal é passageiro
E o amor como a vida é viagem
Segura o teu papel com arte e coragem
Até o ato derradeiro
AMAR CALMAMENTE
Quero viver contigo simples
Do desejo do teu olhar alegre
Do teu tom de pele, o meu
Crescer, vencer em tua história
Respirar teus ares
Arrancar-te olhares
Assistir ao teu caminhar
E no teu trajeto estar
Nos teus caracóis
Nos dentes, tantos, brancos
Na íris cor mel de engenho
Entre os tantos e a sós
Ver tua evolução de mulher
Guerreira estudante de leis
Refinada forma de tratar
Me inspirando a trabalhar
Aspirar um dia sentir
Teu cheiro de flor
E tua forma esculpir
Te proteger, te dar calor
AMOR DE CARNAVAIS
Ilusão, fascinação, alegria
Tudo brilha
Confete e serpentina
E o mundo gira
E após uma década
O amor voltou com a translação do mundo
O surto, o impulso, o cheiro
Do travesseiro, do cavalheiro, da dama amada
Sim, amor de carnavais
De um, de dois e de muitos mais
A saudade, a vontade, as lembranças
Olinda, Itamaracá, Caruaru, esperanças
A certeza de um amor de ternura
De felicidade futura
De espelhos, de pelos, de pluma
Da alma dos palhaços que é pura
LUZ AZUL DE OLINDA
O sorriso ou os cabelos
A meiguice, simpatia
A luz, o mistério,
Sabe-los
O traço, o artesanal
O abraço, o carnaval
O cheiro das meninas
Os olhos negros
Como a pedra de Medina
O intocável
O desejo da alma
O calor da Calma
Do inatingível
NOS AMAMOS NA PRAÇA
Era ela
Era eu
Era a praça
A rua, a lua, o mar
Era perigo
Era abrigo
Meu e dela
Abrigo sim
Sem teto
Forrado de estrelas
Foi
És
Foi assim:
Na praça
Defronte ao mar
Como animais
Como o sal
Com o vento
Foi sim
Sim foi
Se foi
Ainda vive
Aqui nas minhas entranhas
Nas minhas narinas
No meu órgão sagrado
Não... Ou melhor sim
Sim e não
Não e sim
Inicio
Não fim
Oh please
Please
No speak
Eu explico
Explicito
Tudo
Todo mar que fizemos naquela noite
Enquanto as estrelas caíam sobre o mar...
AMAR NO MAR
Ele voou pelas estradas de Paraíba a Pernambuco
Voava acima um coração resoluto
O pensamento corria a largo à ela
Chegou ao obelisco da ponta às nove
Olhou a imensidão verde, o sol alto
Até ver de súbito o clarão da estrela
Eunice chega depois, como de costume
Como de costume, sua beleza... surpresa!
Então a felicidade banhou a todos da praia
Foi impossível escapar daquela força
Era amor? Era paixão? Era ciúme? Era explosão!
Mãos dadas de fronte ao mar sempre tão companheiro
Pernas entrelaçadas, corpos um
Namoro, adolescentes, brincadeiras
Falésias, pedras de corais, bichinhos...
Olhos, bocas, mãos, multidão admirada
Não dá pra sair da água
O tempo parou em volta deles
Os outros deixaram de existir
O melhor dia primeiro do segundo ano
De nossa vida...
NARCISISTAS
A desilusão foi meu egoísmo
De projetar em ti a musa que queria
De tentar aprisionar teu olhar
E guardar pra mim teu sorriso
Te imaginar como não és
Escrever uma história a sós
Estupidamente atirar-me ao convés
Domesticar uma ave feroz
Nada de flores nem árvores
Tampouco abraços estelares
Nem mel, carinho ou ternura
Atração, não paixão sem cura
Aprender as mudanças
Respeitar as diferenças
Entender que não há mais poesia
E esquecer de fato o que não merecia
ÁCIDO
É o que machuca com palavras
Soltas ao vento pra cara
Ditas como pedras em saraivadas
Que se escondem atrás da alma
Paixão irresoluta, tortura no peito
Ciúme calado, trancado e feroz
Duro imaginar o passado imperfeito
E ter que se esconder da sombra do algoz
E ter esse sentimento como defeito
Dentro do tronco da aorta
Qual dor do ciático, ou num osso estreito
Entalado como bacteriose na garganta
Mas tudo começou com alumbramento
Olhos queimantes, presenças ardentes
Doces gestos, cortesia, encantamento
Sonho, sorrisos, desejo instigante e reprimido
O FURACÃO DE GARRAFA
Quero ver-te andando pelas ruas
Pelas pontes, colorindo jardins
Sorrindo nas lojas
Sugando o meu olhar
Esquentando meu corpo
Destruindo meu juízo
Me excitando num abraço
Mostrando-me o êxtase
Me dando o doce travoso
O mel amargo raivoso
E o prazer de verdade
Feito à tua ambiguidade
MAURITIA
Enxergo verde, azul, amarelo
Lembro das noites de Madri
Mesmo sem nunca tê-las bebido
Sinto o frio de Barcelona
As cores do Picasso
As ondas de Van Gogh
E o calor das nossas vozes
Espreguiço-me e vejo tua silhueta
Quero detê-la sob as minhas intenções
Respiro e me engasgo de perfume
Regurgito e me vem na testa teu nome
Ó querida amada, amiga, feliz, e que me faz cantar
Me deixa tocar minha música sob tua influência
E me permitas as noites de onde fores
Que te prometo a eternidade do meu sorriso
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