Escritas

Biografia

Amante da Literatura, Poeta, Biólogo, Mestre em Biologia Vegetal.

Lista de Poemas

Total de poemas: 45 Página 5 de 5

ESCORPIÃ

Escorpiã, escorpião serei eu ao flamejar em teus olhos
Oh como quero, como quero
ser feliz envolto ao teu ferrão

Ao lado de ti
Assim que tu me queiras
E que o mar tenha me elegido para te amar
Uma paixão arrebatadora

Como em nossa juventude no Janga
Você tão mulher
Eu tão triste, tão fraco
Não podia com um ser como o teu

Saudade do tempo que não volta
Do corpo que não volta
Das conversas perdidas
Do amor que não existe mais em mim
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LUA COBRA DE PRATA

No canavial, nas noites de lua cheia
As cobras, graças a Deus, ficam prateadas
E a nossa solidão bonita

E quando as línguas de fogo vêm
A gente fica tentando sorrir e não chora
Quando o dia vem
A gente fica triste
E extenuada

E vem o clarão
Nos queimando, fortalecendo
A fome também chega
A gente come saudade

Não há prato mais saboroso
Para nossa tropa faminta
Vinda da terra vermelha
Como pés de cana encarnados
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O MARACAIBO

Em Maracaibo ficas
E aqui mareio eu
No luar alguma carta foi transcrita
E no mar as contas dos teus olhos caíram

A superfície do sol fica azul
Toda vez que te mostras a mim
E o mundo sul ou norte
Enfim, o tudo em mim

Clareia então o horizonte
E a margem do rio Capibaribe se transfere pra ti
E suas luzes trafegam pelas noites da Venezuela
E ficam nossos bêbados poetas a cegueira

Enquanto as gôndolas se aglomeram em Veneza
A nossa Veneza do Brasil ficava triste
Por não ter por aqui teu ventre a mostra
E assim te digo em prosa

Não feche seus olhos nem o sorriso
E assim fique sempre feliz
E não se preocupe com o pobre poeta
Pois este vive por viver e por isso é feliz

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CONTROVERSO

Se existisse o amor
Qual modo o mundo seria?
Sem que exista é tudo tão mau
Quiçá se houvesse essa derradeira dor

Melhor colecionar vontades
Absorver olhares procurando o teu
Stalkear tua voz, relembrar teu corpo
Sem jamais esperar me amares

Vasculho os bairros do Recife
Tentando interceptar teu caminho
Gostando a lembrança do carinho
Rua da Guia, Aurora, Beberibe

 Mais uma madrugada sem sucesso
Da janela do carro de aplicativo
Vejo a cidade pela qual vivo
Reavivando minha descrença, controverso
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ARRECIFE

Da cidade invisível
Se encobriu a cruz do patrão
Por agrotóxicos
Do centro nem mais a pena de Carlos é tangível

A linda Ilha de Antônio Vaz
Hoje Egito para os capitalistas, tal qual o fora aos Hebreus
Boa vista, Santo Antônio, São José
Guetos murados por palacetes de 40 andares

A imagem histórica quase quinquincentenária do Recife
Invisível por trás do muro de arranha-céus estelicianos
O nosso solo outrora sagrado, hoje feudo de canteiros de obras
Aproveitou-se astutamente do incentivo da Caixa para multiplicar-se os preços
Nosso povo pernambucano hoje é sem-teto – e ainda paga aluguel

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