Biografia
Lista de Poemas
ESCORPIÃ
Oh como quero, como quero
ser feliz envolto ao teu ferrão
Ao lado de ti
Assim que tu me queiras
E que o mar tenha me elegido para te amar
Uma paixão arrebatadora
Como em nossa juventude no Janga
Você tão mulher
Eu tão triste, tão fraco
Não podia com um ser como o teu
Saudade do tempo que não volta
Do corpo que não volta
Das conversas perdidas
Do amor que não existe mais em mim
LUA COBRA DE PRATA
As cobras, graças a Deus, ficam prateadas
E a nossa solidão bonita
E quando as línguas de fogo vêm
A gente fica tentando sorrir e não chora
Quando o dia vem
A gente fica triste
E extenuada
E vem o clarão
Nos queimando, fortalecendo
A fome também chega
A gente come saudade
Não há prato mais saboroso
Para nossa tropa faminta
Vinda da terra vermelha
Como pés de cana encarnados
O MARACAIBO
Em Maracaibo ficas
E aqui mareio eu
No luar alguma carta foi transcrita
E no mar as contas dos teus olhos caíram
A superfície do sol fica azul
Toda vez que te mostras a mim
E o mundo sul ou norte
Enfim, o tudo em mim
Clareia então o horizonte
E a margem do rio Capibaribe se transfere pra ti
E suas luzes trafegam pelas noites da Venezuela
E ficam nossos bêbados poetas a cegueira
Enquanto as gôndolas se aglomeram em Veneza
A nossa Veneza do Brasil ficava triste
Por não ter por aqui teu ventre a mostra
E assim te digo em prosa
Não feche seus olhos nem o sorriso
E assim fique sempre feliz
E não se preocupe com o pobre poeta
Pois este vive por viver e por isso é feliz
CONTROVERSO
Qual modo o mundo seria?
Sem que exista é tudo tão mau
Quiçá se houvesse essa derradeira dor
Melhor colecionar vontades
Absorver olhares procurando o teu
Stalkear tua voz, relembrar teu corpo
Sem jamais esperar me amares
Vasculho os bairros do Recife
Tentando interceptar teu caminho
Gostando a lembrança do carinho
Rua da Guia, Aurora, Beberibe
Mais uma madrugada sem sucesso
Da janela do carro de aplicativo
Vejo a cidade pela qual vivo
Reavivando minha descrença, controverso
ARRECIFE
Da cidade invisível
Se encobriu a cruz do patrão
Por agrotóxicos
Do centro nem mais a pena de Carlos é tangível
A linda Ilha de Antônio Vaz
Hoje Egito para os capitalistas, tal qual o fora aos Hebreus
Boa vista, Santo Antônio, São José
Guetos murados por palacetes de 40 andares
A imagem histórica quase quinquincentenária do Recife
Invisível por trás do muro de arranha-céus estelicianos
O nosso solo outrora sagrado, hoje feudo de canteiros de obras
Aproveitou-se astutamente do incentivo da Caixa para multiplicar-se os preços
Nosso povo pernambucano hoje é sem-teto – e ainda paga aluguel
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