Biografia
Lista de Poemas
QUANDO DA INVASÃO DA HOLANDA [para Fernando Tiné]
Em 2024 aportou nas terras baixas um biólogo brasileiro
Humanista, pai, versado em prosa e um exército
Uma armada de um milhão de amigos
Um Garibaldi brasileiro disposto à guerra
Mas só consegue levar a alegria
Amor ao semelhante dissemelhante
A risada na cara
Tantos amigos, família, o amam
Que a saudade corrói-lhe o peito
De alguns é dolorido até lembrar:
O safado do Tiné! É a menção que consigo fazer
Dessa nossa mãe
Meu grande amigo.
Domine os Batavos
Tome as terras Mauricias
Aguente firme, meu véi!
Seu batalhão tá aqui...
A IA, YAYÁ E A MEMÓRIA DO DNA
Em estalo de iluminação
apontei José de Lima no Google
De súbito encontrei alguém
Tão importante que criou uma ponte mágica
Um herói da vida, do bom viver
Da simpatia, Orfeu da bondade
Alegria intrínseca de família
Era como se Açores, Pernambuco e o Rio
Formassem o maior continente do mundo
Faltava essa pessoa na vida de todos nós
aquela gargalhada da gente, nosso melhor gene
A gratidão dele por mim
E ainda maior de mim por ele
Sua gentileza em receber-nos, guiarmo-nos pelo Rio de Janeiro
Unir duas pontas de um terço
Que ainda desvendando-se já tem mais de quinhentos anos
Sem Wilson, não haveria essa ligação direta
Entre o Google e mim
De Izabel Pires a Manoel Cabral, de Açores
Passando por Antonio Marcelino de Lima Meirelles, de Açores
José Marcelino de Lima, Em Timbaúba
As duas contas que se uniram pela rede
Marcio Ulisses de Lima Rufino
E Wilson de Souza Lima
Meu primo? meu tio? meu irmão? todos!
Mas principalmente, a quem a graça de Deus
Pela IA ou Yayá, ou Ciabas, ou mar
Trouxe para nossas vidas com toda sua luz
CASEIRO
Noite é pra pensar
Na felicidade que vem e vai
Vai em quilos, vem em gramas
Cada grama, bom de lembrar
Do amor rudeiral
Como o mato do Sertão
Nasce e cresce verde
Morre cinza
E deixa sementes
Sua alma vai para o céu
Cheio de estrelas de lá
VAMPIRO
Sofri na carne
Em minhas músicas
Meus livros, meus ídolos
As maravilhas e desgraças dos 60 e 70
Criei-me nos 80 e 90
Depois de ler Jorge e Gabriel
E decorar mais de mil canções
E abrir o ouvido
Hoje sou um vampiro
Tenho na cabeça
Mais de cinco mil anos
A DEUSA DO ELEVADOR
Que sentidos usar?
A boca, as mãos, os pelos,
nuca, lábios, cílios,
Folhas, flores, abraços,
Cores, dores, êxtase,
Sintaxe, pé no pé?
Movimentar-se a maré
Parar as ondas, derrubar as pontes,
Paralisar o olhar
Olhar e virar o rosto
Qual será o gosto do teu cheiro?
Paladar, ouvir, gritar, cantar,
Escrever depois apagar
E tentar de encontrar
no elevador.
RUA DO BONFIM
Quando me olhares do Bonfim
Ficarei mais gelado que cerveja
Esquecerei, esquecerás
De quem beijas
Incomodar-nos-emos como pedra no rim
Então lembraremos de quando no meu leito
Nas noites de carnaval
Depois de decifrares as ladeiras, curvas, becos
E vielas do meu peito
SOU
Sou cético e esperançoso
Exigente, despretensioso
Solitário e feliz
Experiente aprendiz
Paciente e ansioso
Leitor de história
A prever que tudo
No mundo, já vi ou fiz
UNIVERSO TEMPO
O tempo é rápido como a luz
Profundo como o pensamento
Eterno como Deus e o amor
De mãe e filho e pai
Se propaga como sementes anemocóricas
Aladas como anjos
É fogo, razão, exatidão
Demora, solidão, euforia
O tempo é o vale por onde o universo se expande.
RENEGAR
Acordo sem sonhar
Trabalho sem perceber
Penso pra não lembrar
Recordo do amanhecer
Revolto ao entardecer
Passo as noites sem luar
Canto a enternecer
Torço em não encontrar
Tremo em não ver chegar
Esqueço sem entender
Durmo em não acordar
Levanto sem remexer
Sonho em saber sofrer
Desejo, o de não pensar
Querendo o que merecer
Ignorando sua luz do olhar
ENTRANDO NA PEDRA DO REINO [homenagem a Ariano e Zélia Suassuna]
Quando cheguei à pedra do reino
Encabulado com medo e respeito
Procurei seguranças e não vi
Um transeunte falou-me
Bate o chocalho... Aí pra chamar
Incrédulo, puxei a corda
Chocalho de bode cantou
Um pedreiro lá de dentro gritou:
Pode entrar
Admirado com as belezas do Mestre
Perguntei pelo responsável
Uma moça da lida falou: vou chamar
Veio de lá de mãos dadas
É dona Zélia? – Sim senhor
É uma honra conhecê-la
Apertou-me a mão e disse: obrigado!
E assim me tomou aquela energia corpo inteiro
O reino mundano de Ariano
O altar, os símbolos, as pedras
As árvores, o casarão, a modéstia
Só sei que foi assim...
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