Lista de Poemas
AYAHUASCA [Manoel Serrão]

Ó Daime um Saint beijo,
E um abraço ayahuasca!
Daime...
Nunca te vi sempre te amei!
PRENDA [Manoel Serrão]
Poesia que versa o vate.Poeminha que asa bateu...
Se gostar do verbo Ter?
Paga prenda com o verbo Se[u]r!
BEM-FEITO [MANOEL SERRÃO]

Ora O pretérito imperfeito sub-stantivo sujeito escorreito.
Ora O exímio adjeto perfeito sobre-o-inábil adverso defeito. Ah! Se a felicidade não tiver-seu-prego...
POÉTICO [MANOEL SERRÃO]





A destra ou a sestra que alinhava Homero e Safo, Nauro, Gullar e Lago,
é a mesma que rebusca a palavra escrita: o verbo – o verso - o poema - que transcende o inefável poético.
É a mesma que contra a luz que se apaga escreve e reescreve; significa e reesignifica o tempo, o espaço, a vida e a morte.
É a mesma que faz medrar do mudo silêncio a poesia endereçada que transforma o mundo que não quer calar.
A sestra ou a destra que alinhava Homero e Safo, Nauro, Gullar e Lago,
é a mesma que escrevinha paisagens sem destino derradeiro.
É a mesma que faz crer-e-imaginar todo homem sonhar,
Que a vida revelada pelo poder da criação: Sempre vale a pena!
CÍNICO [Manoel Serrão]

Ó saia da frente do meu sol.
A poesia quer ser feliz!
Não vês, Camões, quer ser Poeta.
ANFÍBICO [MANOEL SERRÃO]
Ó aqui 'stou! Aqui 'stou nas intolerâncias das tolerâncias que me condenam; nas finitudes dos meus eternos que se dês-combinam; nas entrelinhas, sem começos, meios, e,fins; ó aqui 'stou nos meus estados que se repetem: o retorno sem cessar.
No Filho maldito perdido nos becos; no Homem utente das ruas;
No Anfíbio da lama dos guetos.
Eu hoje sou o Nada. Nada sou! Nada sou!
Nem mesmo a vergonha mais vil do homem.
Nem mesmo O "Pó" – apenas Todo -: sou Um.
Oh! Onde 'stou? Não 'stou quando 'stou na Matrix ilusória que desagrega-me os humanos sujeitos sem igual do Não ser O real sem valor;
Onde O Eu maldizente e os Outros Eus obedientes desobedecem os obedecidos e os deuses esquecidos.
Oh! De resto,- humano -, quando diante da Vida e da Morte, me for em vão toda a paisagem estendida pro norte;
Quando o Nada estiver acima de tudo, e me arda a força do punho no peito;
Lá fora por sorte 'stará o amanhecer da vida sorrindo-me;
Já revelei noutra oportunidade que sou admirador da poética de Manoel Serrão. É-me – aos meus olhos – provavelmente, o poeta mais complexo do Maranhão, na atualidade. Dono de uma larga obra (toda ela socializada na Internet), Manoel Serrão, desde que tive a primazia de conhecê-lo, “espanta-me” com os seus versos, e muitas vezes, me conduz a reflexões dialético-materialista-fenomenológicas.
NAURO & LAGO [Manoel Serrão]

Com uma lírica estilística de vigor verbal criador,
Um me atira de corpo e alma em versos para o alto.
O Outro de uma mestria poética de grandeza abissal,
Me ensina: Baudelaire, Musset, Gaston e François.
Um com a visceral idade do dentro das coisas
E a internalidade fraccionada dos seres,
Me atira nas águas profundas do verbo ser carne.
O Outro num versejado sóbrio e dorido de Quasimodo,
Me ensina a pungente angustia do "Sou um homem só,
Um só inferno" – nas terras entranhas do Ser cavo.
Amo Nauro.
Nauro Machado & João Batista do Lago poetas maranhenses de grande expressão nacional.
KRAKATOA'S [MANOEL SERRÃO]
Opostos dos que versejo estranho?
Para todos os leres sonhares.
Serão zíngaros sonantes.
Não zãibos, versos rasos, antístrofes, penitentes de feiúra face a quem lhes dou-vida,
Não! A vós confesso: de Sumatra à Java,
Vulcano ativo como o mundo que não se acaba assim?
Magma das minhas cavas entranhas...
Só escrevê-los-ei Krakatoas de explosões!
FUMO D'ROLO [MANOEL SERRÃO]

Passe o rolo.
Meu avô falou:
- corta, faca!
- bota, fogo!
- todo, fumo!
E tudo rodopiou!!!!
Ó vô quase o mundo acabou!
Ao meu avô Hidalgo Martins da Silveira: um verdadeiro amante do charuto de fumo de rolo, até que um dia ainda quando criança por achar aquele ritual de fabricação artesanal instigante, tivera eu a infeliz ideia de recolher as sobras daquele fumo picado sobre a tábua e com uma seda após “fabricar” um daqueles preferidos do meu avô, bastou-me apenas uma única e desagradável experiência para nunca mais repeti-la na vida. Ó vô quase o mundo acabou!
ENFERRUJA [MANOEL SERRÃO]

Amor que não se usa?
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
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