Escritas

Lista de Poemas

ALI BABAVAM OS LADRÕES [Manoel Serrão]





Planalto doente.

Congresso demente.
Tribunal sem mente.
Ó Abre-te sésamo?
E ali babavam os ladrões.





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INSTANTE [Manoel Serrão]



Bem-vinda [o]
Ao instante O'Hara.
... E o Tempo Levou!
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CONFIADO [Manoel Serrão]






Amor fiAr.
Amor fiAdo.
Amor afiAdo.
Amor (e)terno ConFiAdo!
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UNI-VERSO [Manoel Serrão]




Ver-so.

UniVer-so.
Uni(co)Ver-so.
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PILECS & DEPRIVAS [Manoel Serrão]




Sem querer-me abraçar,

Me chamou para beijar!
Agora, ansiosa e dê priva?
Irrefreável pulsão, a paixão desatou a engordar!






 

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GEO-AMOR [Manoel Serrão]



As vezes magma ardente.

N'outras rio (de) degelo torrente.
Diz-me: em que canyors, fiordes ou desertos...
O amor de desejos se perdeu?
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F (L)ALL [Manoel Serrão]




Ar-15.

Bomba de efeito moral.
Bala (.) Para que te quero bala?
Oh! O fuzil é f (L) all!

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VERSOS DE PLÁSTICO [Manoel Serrão]


Na lauta do almaço, resenhados versos arranhados, são malucos andarilhos descalços.

Na lona do circense mago, desbotados versos amontoados, são obus apontados de chumbo pesados.

No trapézio (a)rriscado, desequilibrados versos descalibrados, são metáforas de plástico que pululam quebrados.

Eia, hoje tem espetáculo? Tem, sim sinhô. E o aedo manco de quem é? É do Palhaço das letras-de-plástico!E a poesia sonhadora de quem é? É do poeta maluco do pé.

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PÚCARO [Manoel Serrão]






Cristal raro,

Púcaro quebrado?

O meu amor que era... Por ti gela? Partiu-se... Caiu da janela!

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EXÉRCITOS (Manoel Serrão)

Contra o mau e as trevas, a cruz e a espada.
Contra a barbárie que lhes da na fúria?
No front? Sem desertar da bravura? Pus-me à luta, o combate! 


Às armas, sonhos, às armas! Por que sonhos todos sonhos são um despertar, e um amanhecer de alívio!
Ó não vês, que entre sonhos e pesadelos, os meus exércitos venceram mais batalhas que os de Napoleão, Alexandre [rei da Macedônia], Júlio César [imperador romano] e Aníbal [general cartaginês] juntos?


D'alli no front tirou-me os fuzis o húmus das folhas soltas na terra, e a mais profícua poesia que me fora a mais bela. 
D'aqui nas cavas entranhas o combate tirou-me do "sangue" os ideares mais sublimes.

D'alli no front tirou-me os hostis o “heróico” inerme, e os despertares das flores amarelas.
D'aqui nas cavas entranhas o combate, tirou-me o tempo a juventude q’u a velhice encurta as horas.

D'alli no front tirou-me o reboar dos canhões o silente sono, e do leito a esperança dos sonhos.
D'aqui nas cavas entranhas o combate tirou-me das lãs os propósitos, e os teares da paz:
Expiaram-me as culpas; sepultaram-me os pecados mais singelos.


Ó na solidão das noites "brancas", sob um diluvico mar de "rosas" e fuzis; 
Dou-me conta: se d’alli mil navios perdi e d’aqui cem batalhas venci. 


Agora, triunfal co' retumbantes mil Troias: eu que lutas íntimas travei;
Eu que batalhas intimas ganhei. 

Restou-me, o heróico mutilado da última vitória. 
E nada mais que atirando granadas nos meus infernos?
Aqui estão as minhas horas! Aqui acredito-me, minhas espadas!
Mas batalhas que nos esculpem no braço, deixam marcas nos ossos.


 

 

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Comentários (1)

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321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.