POÉTICO [MANOEL SERRÃO]





A destra ou a sestra que alinhava Homero e Safo, Nauro, Gullar e Lago,
é a mesma que rebusca a palavra escrita: o verbo – o verso - o poema - que transcende o inefável poético.
É a mesma que contra a luz que se apaga escreve e reescreve; significa e reesignifica o tempo, o espaço, a vida e a morte.
É a mesma que faz medrar do mudo silêncio a poesia endereçada que transforma o mundo que não quer calar.
A sestra ou a destra que alinhava Homero e Safo, Nauro, Gullar e Lago,
é a mesma que escrevinha paisagens sem destino derradeiro.
É a mesma que faz crer-e-imaginar todo homem sonhar,
Que a vida revelada pelo poder da criação: Sempre vale a pena!