Escritas

Lista de Poemas

EX-CALIBUR (Manoel Serrão)




Rei Arthur... Rei Arthur... 
Ó Rei Arthur, rogai por nós, pelo SUS, pelo blues. 
Ó rogai pelos pobres sem voz, pelos dias sem luz.
Rogai... Rogai...
Ó rogai Rei Arthur, e, em apelos, rogai pelos urubus!


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LIVRES ÁTIMOS [Manoel Serrão]




Ó vês, dê-se aos livres átimos.
Dê-se às vós, que o reino vibra.
Sinta-o todo, é tudo corpo vibração.

Não! Não sonheis à não torná-la engano.
O sonhar a vida é perder-se em vão.
É ser vagante lost nas brumas sem visão.

Ó de que vos falo? Falo-vos, então:
O puro há de tão parecer-te ficção,
Quão o iluso há de são parecer-te eclosão.

Vai! Apressa-te aos teus lócus ame nus.
Dê-se da noesis a rés furtiva –, a louca opressão.
Ó covarde crônico de chapéu na mão.

Quae será onde ‘stás? 
A realidade  é uma quimera ilusão.

 



 

 

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Ú’TIL ON DESU'TIL [Manoel Serrão]






Vida ú’til.

Ira inú’til.
Ó Ser-vil desú’til o dogma,
E o desejo fú’til!
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FIGOS SECOS [Manoel Serrão]


Ó quem por não amá-la sem disfarce, haveria de beijá-la? 
Ó quem em mudo pranto e rubora à face, haveria sem disfarce de invenjá-la?
Vês tu, dissimulado, injurioso o teu riso não fora o meu, nem o meu sorriso fora o riso para o teu despudor que ofende tão puro amor sandeu.
Vês tu, ó vetusta que sofre e cala! Quem em desejosa luz que cega e má se espraia,
amaria a vossa alma vil.

Ó estranha de longa fama, inda jacta-se insolente!

Vês tu, zomba de insulto e defenestra.

Vês tu, dias sim, ora sois rosas vermelhas; dias não, ora sois rosas despetaladas;
Dias não, ora sois violetas azuis; dias sim, ora sois violetas desbotadas.
Ó vês tu, inda blasfema-me a dor?
Se alma houver em ti? Então, escuta-me, afoita!
Ó escuta-me! Escuta-me! Calo-me não!

Ei-me, aqui de novo te evoco:

Acaso poupar-me-ia com prudente zelo da sombra a divina luz?
Acaso cremar-me-ia o amor para que a cinza sopre-lhe o minuano?
Acaso roubar-me-ia do preto-e-marrom a força do amuleto o ônix?
Acaso tomar-me-ia da vida o alegre sumo da ambrosia que nutre o homem?

Ó malsão é o teu ódio infecundo de amor que se exprime em furor, quão nem a purga de Hades a vossa ira odiosa abraçou.
Vai! Ó comeis, comeis! Comeis aos ventos os refolhos dos teus figos secos que apodreceram no pomar.

Diz-me quem és, ó miseravel? Quem és tu, que deu-te o céu preclaro sonhos? Ó ficas-te, hóspede, em mágoas?
Aonde vais tu, que não se escuta quanto tudo é  silêncio; que é ausência toda quando tudo é presença; tu que só se vê, quando não se vê mais nada ou a representar o que é! Acaso vós sabeis quem sois? De quem direis que és o vosso amor ateu?
Acaso de quem direis que és? Sabeis vós a quem amareis?
Acaso comprovais vós aquilo que acreditais, vós que não acreditais naquilo que dizeis acreditar.
Ó logo tu, vespa morta que nem dos teus sonhos lembrou-lhes de amar. Ó Amor dê-se libre? Quem te morreu, amou!


 

 



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UNI[CO]VERSO [MANOEL SERRÃO]



Verso.
UniVerso.
Uni (co)Verso.

                                                            
                        

 

 

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FÉ [MANOEL SERRÃO]





















Poeta
Sob a fé de José:
Verso a pé.

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GRÃO [MANOEL SERRÃO]



 


 
Às sós, ou à vista do advérbio “Só”. O Ser do “não sujeito:” É um grão de pó!

 


 
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SANGRIA CARNALE [Manoel Serrão]







Sangria carnale!
Abobrinhas de rima fácil?
Tim! Tim!
A poesia "odeia" alface.


 

Imagem: gravura, Oswaldo Goeldi.

 
 

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IN-FOLIO [Manoel Serrão]

Sangria, dessalga, carne em desosso.
Desalma, inculta verbo ouro de tolo.
Tinta sem borracha em cem in-fólios grosso.
Pena sem revoada em mil abcedários soltos.  
Muda-surda-e-cega?
A minha poesia não quer dizer nada: ela diz!      







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AMIZADE - De João Batista do Lago (para o poeta Manoel Serrão)




PARA O POETA ManoelSerrão SilveiraLacerda
AMIZADE
De João Batista do Lago
(para o poeta Manoel Serrão)

Eterno como anjo
Vagabundo como andarilho
Vivente como Zeus
Translúcido como Apolo
Segredado de sentimentos
Inconfessos
Vagueia – como eu -
Universos inconfessáveis

Belas noites de primavera
Na Ponta d'Areia
Onde a sereia apenas nos compreendia
E nos fazia compreender
Que apenas
A solidão de nós mesmos
Nos tornávamos universos
De sonhos inacabados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João Batista Do Lago

22 de agosto de 2015 ·

 

 

 

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Comentários (1)

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321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.