Lista de Poemas
DIÓGENES [Manoel Serrão]

Ó quereis um sol?
Tereis dois: ficai com um! Mas vês, nem todo Sol que quereis é luz, embora com (O) Sol da Verdade pareça!
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SAMURAI [Manoel Serrão]

No
Samovar
Do Samurai:
Chá de hai-kai!
Dedico-o ao poeta Paulo Leminski.
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FUGAZ [Manoel Serrão]
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Quando a paixão pica.
O amor fica!
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AMAI-OS [Manoel Serrão]

Ó acalma!
Te dá paz
E calma
Minh’ alma!
E amai-os.
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COXIA [Manoel Serrão]
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias. Eu as vias, do fundo escuro da coxia?
Eu as vias nos rostos disformes dos seres disfarces,
Sujeitos esquálidos de todas as faces;
Nas dores resignadas das suas derrotas;
Nas hóstias comungadas das suas vitórias;
Nos trunfos imundos dos parasitários, o skol da normose reprodutiva.
Eu as vias nas coimas de Themis do “faça-o pagar” os pecados;
Nas ordens impostas pelas mentes estreitas dos governantes aos entes servis, onde os mortos vivos atentam contra a vida;
Nas vãs promessas aos desesperançados que em rompante vão do sublime ao ridículo;
Ó Eu as vias nos extratos divisos dos entes invisíveis de todas as classes.
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.
Do fundo escuro da coxia?
Eu as vias nas consagrações aos tristes espetáculos das condenações;
Nas subjugações apaixonadas do “faça-o sofrer" como Cão;
Nas crucificações dos sonhos pelos poderes das multidões;
Nas ressureições do Cristo traído pelo dízimo da salvação;
Eu as vias nos arrastões dos corpos quão as contas de um rosário pela oração;
Nos todos sem vidas que no Ser só habita caminhões de certezas vazias;
Nas vísceras comungadas daquelas orgias;
Ó Eu as vias que vida no ser mais profundo daquelas entranhas que vidas consumidas e "intestinas" não havia.
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.
Do fundo escuro da coxia?
Ó Eu as vias nas vidas dos seres incapazes de serem vidas reconstruídas;
Nas vidas hospides dos ócios e dos nojos sem os remorsos de "amores" apartados pelas bocas mais pobres do destino.
Ó Eu as vias na feal brutidão repulsiva do ser a matéria fria, com seus brilhos de purpurina de personas postiças;
Eu as vias nos rostos descarnes dos seres o Mau, nunca dos seres ao Bem o desate;
Nos todos os egos anônimos, invidos, acídias e ciosos sem a bossa das notas dissonantes;
Na plateia eu as vias o mote que importa? Importa é o que se vê, não o que se crê, ó eu as vias;
Ó Eu as vias quão vida não havia na flacidez esbranquiçada da carne morta uma só mórbida última despedida.
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.
Do fundo escuro da coxia?
Eu as vias entre berros sonoros e ébrios aplausos, outra plateia caricata fora do pano de boca e a ribalta contra os aplausos.
Entre germes a vida aos fortes todo o combate, e aos fracos todos covardes os mais desprezíveis apupos da gare!
Entre rostos disformes de todas as faces,
Eu as vias contra faces desossadas de austera face, almas em sobras descarnes.
E ei-los! Ei-los até que os impassíveis por antífrases no Cine o cartaz anunciasse: Hoje estréia no neocinismo triunfante!
“Um alguém sem rosto na plateia do mundo”. Ó não as vias
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LIVRE ARBÍTRIO [Manoel Serrão]

Quereriam.
Poderiam querer.
Mas o livre não quer.
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JÁ-CAMA [Manoel Serrão]
Jaca mole.
Jaca dura.
Mas come calada
Dama gamada?
Porque já cá...
Não está quem falou!!
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BASTILHA [Manoel Serrão]

Às armas, sonhos, as armas!
Mas é uma revolta?
Não, majestade, é o amor em revolução!
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AB (SINTHE) FADA ARTEMÍSIA [Manoel Serrão]

Ó sintho muito,
Doce amargo ab-sinthe, não sinto nada!
Mas [In] dependente do que sintho?
Sou o teu ópio (r) ide-amante, Artemísia?...
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E-PÍ-TO-ME [Manoel Serrão]

Uns para a epístola.
Outros para o epitáfio.
Mas alfin,
todos com a epítome: Saudosas lembranças!
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Comentários (1)
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321alnd
2019-03-06
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
Perfil
Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.
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