Lista de Poemas

EXECRA [Manoel Serrão]


Inda qu’hoje o orgulho o debulhe no mármore da zuda,
E ofegante a execre dês daqui a mil anos sem cura.
Inda qu’amanhã o colha na lama ou no cascalho das ruas,
E sem que o Ih' importe sê-lo o mais infiel que ostente.
Inda quão deveste da tez viçosa que desencantam os olhos da carne.
E sem que o Ih' importe a d’outra face mais bela com que se disfarça um abismo?
Ó infiel é o teu amor de ofício!

Nest’hora? Ó ide longe d'aqui, vil astuta, ide?

O amor, se o conheço e, ostento, é apreço.
Não tem fim, o amor, se tem começo. Ó que queres tu d’eu?
O amor, se o reconheço? Quiseras tê-lo! Ó quiseras!
Quiseras tê-lo o amor de tão destemida bravura.
Quiseras tê-lo o amor de sonho e encanto, calma e beleza, ó quiseras!

Nest’hora? Ó ide longe d'aqui, ímpia e má, ide?

O amor se viveu a seu lado, a ele tu lhes deves:
E esse a deve tu a si mesma! O amor que lhes sempre foi, é o que tu conheces:
Vulgar e sôfrego a teus pés.


Inda que a negue "amor" de vida mais curta! Ó deixai-me crer o qu'teu derreteu-se,
Como derrete uma Geleira que se perdeu! Porque amor infinito, inté daqui a mil anos, é:

A tua mais bela e terrível mentira sem cura.
















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SAMURAI [Manoel Serrão]



No  
Samovar
Do Samurai:
Chá de hai-kai!


Dedico-o ao poeta Paulo Leminski.




 

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Amor D’Cardeal & O’Hara [Manoel Serrão]


Amor d’aurĕu-, d’elmo - e pureo!
Amor d’almo -, d’sal - e salma.
Amor d’arca -, d’palma – e calma.         
Amor d’Clark Gable & O'Hara.
 
Amor d’áurea, dahlia - e d’Odara.
Amor d’almas afins -, e d’alvejura rara.
Amor d’imago - e maga -, d’sétima arte.         
Amor d’vida -, amor de Cardeal & Scarlet. 

Amor descapado impress copidescado.
Amor impresso em offset declarado.
Amor impress no mancheado: Extra! Extra!
Amor à procura do Amor no infólio do  classificado: Extra! Extra! O Amor impress e expresso anunciado: que infinito o amor sobrevive eterno a tudo que o Tempo e o Vento Levaram!



AVISO & EDITAL - CLASSIFICADO TRANSCRITO DO JORNAL O ESTADO DO MARANHÃO - PÁGINA 06 - PUBLICADO NO DIA 05 DE SETEMBRO - SEXTA-FEIRA - 2003. [AVISO. T.3235-0000]:
PROCURO "ESCARLET O'HARA", QUALQUER INFORMAÇÃO SOBRE ESTA PESSOA ENTRAR EM CONTATO NA RUA DOS AMORES, NÚMERO DA SAUDADE E DA RECORDAÇÃO - RIBEIRÃO. [HUMPHREY BORGAT].

NOTA DE ESCLARECIMENTO: POR SE TRATAR DE UM CASO VERÍDICO, OBJETIVANDO RESGUARDAR AS PESSOAS ENVOLVIDAS, MORMENTE, AS RESPECTIVAS FAMILIAS, É QUE TODOS OS NOMES AQUI MENCIONADOS NO BOJO DO TEXTO SÃO FICTICIOS.
O POEMA TEM COMO FOCO O AMOR ENTRE DUAS PESSOAS QUE NÃO OBSTANTE SE AMAREM VERDADEIRAMENTE, POR DESÍGNIOS DE DEUS E DO DESTINO NUNCA MAIS SE REENCONTRARAM.  O CERTO É QUE AMBOS AINDA BEM JOVENS FORAM ENAMORADOS, CONTUDO, ALGUM TEMPO DEPOIS, POR MEXERICOS [TERMO MUITO USADO NA ÉPOCA] ROMPERAM COM A RELAÇÃO. ELA CASOU-SE, TEVE FILHOS E FICOU VIÚVA, PORÉM SEMPRE NA ESPERANÇA DE REENCONTRÁ-LO E VIVER AO LADO DO SEU VERDADEIRO AMOR. 
INFELIZMENTE ELA NO ANO DE 2000 VIERA FALECER SEM TÊ-LO REENCONTRADO. ELE, POR SUA VEZ À ESPERA DO SEU AMOR, ATÉ HOJE COM MAIS DE 80 ANOS NUNCA SE CASARA. 
UM DETERMINADO DIA SEM O HÁBITO DA FREQUENTE LEITURA AO CADERNO DOS CLASSIFICADOS DE JORNAL, SEM QUALQUER EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL QUE O LEVASSE DIANTE DAQUELE JORNAL POSTO SOBRE A MESA EM ATO CONTÍNUO FORA DIRETO AO CADERNO DOS CLASSIFICADOS. TODAVIA, ENTRE UMA FOLHA E OUTRA DO CADERNO AO CORRER OS OLHOS NA PÁGINA 06 DO MENCIONADO JORNAL, DERA COM NOME DA SUA MÃE IMPRESSO E POR ELE ANUNCIADO. 
INCRÉDULO, RETORNARA À PÁGINA QUANDO ENTÃO DEPAROU-SE COM O INUSITADO ANÚNCIO [CLASSIFICADO] ACIMA TRANSCRITO.
OBS: O ANÚNCIO FORA TÃO SOMENTE PUBLICADO APÓS TRÊS ANOS DA MORTE DA MESMA. ATÉ ENTÃO, COMO ELE APÓS O ROMPIMENTO DO NAMORO AINDA NA MOCIDADE NUNCA MAIS VIERA ENCONTRÁ-LA OU TIVERA QUALQUER NOTÍCIAS DA SUA AMADA, TAMBÉM NÃO SABIA DA SUA MORTE. HOJE, AINDA À ESPERA DO SEU ÚNICO E VERDADEIRO AMOR, SOLUÇA E CHORA.
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LIVRE ARBÍTRIO [Manoel Serrão]




Quereriam.

Poderiam querer.
Mas o livre não quer.

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E-PÍ-TO-ME [Manoel Serrão]






Uns para a epístola.

Outros para o epitáfio.
Mas alfin,
todos com a epítome: Saudosas lembranças!
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AB (SINTHE) FADA ARTEMÍSIA [Manoel Serrão]







Ó sintho muito,
Doce amargo ab-sinthe, não sinto nada!

Mas [In] dependente do que sintho? 
Sou o teu ópio (r) ide-amante, Artemísia?...

 

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JÁ-CAMA [Manoel Serrão]


Jaca mole.
Jaca dura.
Mas come calada
Dama gamada?
Porque já cá...
Não está quem falou!!




 



 

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COXIA [Manoel Serrão]




D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.

Eu as vias, do fundo escuro da coxia?
Eu as vias nos rostos disformes dos seres disfarces, 
Sujeitos esquálidos de todas as faces;
Nas dores resignadas das suas derrotas; 
Nas hóstias comungadas das suas vitórias;
Nos trunfos imundos dos parasitários, o skol da normose reprodutiva.

Eu as vias nas coimas de Themis do “faça-o pagar” os pecados;

Nas ordens impostas pelas mentes estreitas dos governantes aos entes servis, onde os mortos vivos atentam contra a vida;
Nas vãs promessas aos desesperançados que em rompante vão do sublime ao ridículo;
Ó Eu as vias nos extratos divisos dos entes invisíveis de todas as classes.

D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.

Do fundo escuro da coxia?
Eu as vias nas consagrações aos tristes espetáculos das condenações;
Nas subjugações apaixonadas do “faça-o sofrer" como Cão;
Nas crucificações dos sonhos pelos poderes das multidões; 
Nas ressureições do Cristo traído pelo dízimo da salvação;
Eu as vias nos arrastões dos corpos quão as contas de um rosário pela oração; 
Nos todos sem vidas que no Ser só habita caminhões de certezas vazias;
Nas vísceras comungadas daquelas orgias;
Ó Eu as vias que vida no ser mais profundo daquelas entranhas que vidas consumidas e "intestinas" não havia.

 
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.
Do fundo escuro da coxia?
Ó Eu as vias nas vidas dos seres incapazes de serem vidas reconstruídas;
Nas vidas hospides dos ócios e dos nojos sem os remorsos de "amores" apartados pelas bocas mais pobres do destino. 
Ó Eu as vias na feal brutidão  repulsiva do ser a matéria fria, com seus brilhos de purpurina de personas postiças;
Eu as vias nos rostos descarnes dos seres o Mau, nunca dos seres ao Bem o desate;
Nos todos os egos anônimos,  invidos, acídias  e ciosos sem a bossa das notas dissonantes;
Na plateia eu as vias o mote que importa? Importa é o que se vê, não o que se crê, ó eu as vias;
Ó Eu as vias quão vida não havia na flacidez esbranquiçada da carne morta uma só mórbida última despedida.
 
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.
Do fundo escuro da coxia?
Eu as vias entre berros sonoros e ébrios aplausos, outra plateia caricata fora do pano de boca e a ribalta contra os aplausos.
Entre germes a vida aos fortes todo o combate, e aos fracos todos covardes os mais desprezíveis apupos da gare!
Entre rostos disformes de todas as faces,
Eu as vias contra faces desossadas de austera face, almas em sobras descarnes. 
E ei-los! Ei-los até que os impassíveis por antífrases no Cine o cartaz anunciasse: Hoje  estréia no neocinismo triunfante!
“Um alguém sem rosto na plateia do mundo”. Ó não as vias
 

 
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BASTILHA [Manoel Serrão]





Às armas, sonhos, as armas!

Mas é uma revolta? 
Não, majestade, é o amor em revolução!
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AMAI-OS [Manoel Serrão]



Ó acalma!
T
e dá paz

E calma
Minh’ alma!
E amai-os.
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Comentários (1)

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321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.