Escritas

Lista de Poemas

GESTO FRATERNO (MANOEL SERRÃO)





Às vezes basta um
Gesto fraterno pro
Mundo ficar em paz
👁️ 325

BABA-DE-QUIABO [A] 3X4 [Manoel Serrão]












Não me babe, Baby!

Nem me maltrate com essa baba de quiabo!
Ó nunca fui teu “quiabo” a 3X4!
Rasguei da porta retrato,
A foto e o nosso trato.



 

 
👁️ 225

CAIXA-ESTANTE [MANOEL SERRÃO]




Da caixa-estante... 

Avoante pipa sem barbante!
A vida na zero são instantes.


* Nota: linha zero.
👁️ 227

ESQUECE-DOR [MANOEL SERRÃO]





O homem é mesmo um esquecedor.

De tanto merecer-dor: esqueceu-se do bem e do amor.

 
👁️ 231

SERVENTIA [Manoel Serrão]




Vós sabeis do óbvio tanto quanto o fogo n’água sem [o] OX que a chama o apaga.
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o rancor cego, e a inveja põem venda nos olhos.
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o amor debela a ira, e o ódio sem razão o acaba.


A debalde não julgueis bastardias tão venais, tampouco as mil vis adularias ancestrais.
A debalde não forjeis aos consanguíneos e afins, idílios em távola festivos.


Vês, não deixeis celebrarem a injúria sussurrada aos ouvidos pelas bocas venenosas.
Vês, não deixeis impor-lhe o triste espetáculo dos carcinomas mentirosos, e o mal imanente da servidão.


Não os dês aos malditos convivas de aparências luminosas, ornados de jaeses e fantasias,
A glória de impor-lhe as vestes difamantes.
Não os dês aos pares sem igualha ancestral? Ó vês tu, tudo é caótico, apressa-te?
Não os dês como "deter" a marcha da glória! Ó quisera Deus, qualquer Deus...
Oh! como fede a inumanidade dos valores. D'us nunca mais!


Ide, sejais vós um único sujeito posto como sempre foras no tempo presente do verbo ser, uma só digna pessoa.
Ide, sejais vós único entre os diversos desiguais, e finca-te o pé por todos os dias, Deus enxerga!
Apressa-te! Um novo homem é possível! Tu, que és nobre, brilho proibido para seres d'almas menores. Vês, como a boca das trombetas o solo da terra lhes porá adubo nos pés, há um silêncio pronto a falar!


Alfim, inda cego por deixar de olhar? Ou por olhar e não ver, pulsante o coração? Aos embusteiros, serve-lhes só o olhar do "pavê" como sobremesa, e a porta como a serventia da casa! E vós, ó ditoso a todos dirás dos arreados e muares que julgam-te e condenam-te, à purga quem os são! Ó mais que mundo tão imundo os homens aqui nos dão?
👁️ 188

IRMÃO DO MEU TEMPO [Manoel Serrão]






[in memória do meu irmão Idalgo da Silveira Lacerda]


Pétala arrastada pelo vento,
A vida como um sopro enlanguesce.
Murcha, e seca, e consumada no irmão eterno do meu tempo: em instantes, emudece...

 
👁️ 146

RIO CAAPIAUR-Y-BE [RIO DAS CAPIVARAS EM TUPI] - RIO CAPIBARIBE DAS ÁGUAS [Manoel Serrão].




Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio que abranda rudes sertões rubros secos em brasa.
Rio que abunda burgos quão silos e Orbes em safras.
Rio que afoga bilhas, e dessedenta as bocas da casa.
Rio que decanta no polígono da seca, ó berro d’água.

Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio doente marcado, dorido, ó rio ferido em chagas.
Rio fosso que a morte enxota, rio que a vida enxágua.
Rio salvador, redentor, rio tutor da Zona da Mata.

Rio alma da lavra, rio que o agreste exorta, exalta.
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio serpente a cura do ente, rio que salva urgente.
Rio sangria vertente, rio alma banhado de lágrimas.

Rio semente valente, rio no cio corrente da Várzea.
Rio vazante enchente, rio, rio o milagre das raças.
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio mangue, rio doce, rio outrora imaculado e moço.

Rio lama, rio podre, rio esgoto, sujo, mal cheiroso.
Rio lixo, rio luxo, rio fruto do concreto vil porco.
Rio morto, cria nossa, gesta uterina do mau imposto.
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.

Rio a jorro, rio arrojo, rio arroubo, o rei maroto.
Rio rumo adentro parcel até o arrecife belo quebrar.
Rio a voz no alto, a paz no médio e da foz no baixo.
Rio da cais do porto O Apolo, Rio Capibaribe ao mar.

Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Passa a ponte Apipucos, Casa Forte, Madalena passa.
Passa a ponte a Joana [Bezerra], o Derby, e Capungá.
Passa o Curado, Caxangá, o Retiro, e passa Afogados.

Passa a ponte Santana, São José, corre Santo Amaro,
Passa a Torre, passa o Poço da Panela, e Princesas.
Passa a ponte o Monteiro, Boa Vista, banha a Várzea.
Rio que vem, rio que verte, rio que vai, rio passa.

Rio extenso, rio fausto, rio infausto, rio exausto.
Rio o elo veio evo, rio mor, rio sangria que passa.
Rio que vem, rio que verte, rio que vai, rio passa.
Rio Santo que a fé é [a]cura, rio serpente que salva.

Rio amado. Rio te quero vida, rio te quero cuidado.
Rio te quero belo amado, rio te quero vivo,  Ó Rio!
Rio te quero Capivaras curado! Viva Capibaribe! Viva
O rio Caapiau-y-be das águas!



 

 

 

 
👁️ 247

SIBÉRIA [MANOEL SERRÃO]


Numa’ hora, a recidiva vazia, a senectude em úmbrias varridas. 
O deveio grunhido – o gorjeio cavo - o gemido balido.
Noutrora, o Avata engessado – o rato enriado -  o pio na apostasia.
A esquarteja descarne, a carniça pelos urubus devorado.

Numa’ hora, o antípoda -  os "pés opostos" –, o Tzara do passado.
O idolatra – o ego-rex -  o vil gregário dominado.
Noutrora, o parasitário – o cão raivoso – a fúria do verbo cavo.
O esmalte raso – o tapete sujo - a lama das patas.

Ó por vós, alimpai-vos, pois, do ranço fétido dos teus infernos. 
Ó por vós, alimpai-vos, pois, dos suicídios salvos dos teus ordálios.
Acaso, ousas tu aos “Bons” quão aos “Maus” lhes dás a vida pela morte?
Havereis vós em vão incréu no Bem quando no Mau credes sê-lo o Bem, nunca o teu Mau tão eterno? 

És tu pois? És tu, arrosto, vós que grassa do bom senso e do uso adequado da razão? 
Ó trazeis, pois, aqui –, o bom senso e o uso adequado da razão? 
Ó trazeis, pois, aqui -, o sã do divã que ao insano com abafos sonegaras. 
Ó trazeis, pois, aqui, ó efebo, o vosso berro conforme o próprio?

Bem, o sabes, um mal em si cabe, o mau inato às vós entre apelos e vai os quão univitelinos se assemelham!
Havereis vós de entreterdes com o argênteo sob as cumeeiras do divino tornando-se invisível.

Bem, o sabes, ó vândalo das janelas quebradas; flagelo emaranhado de arquétipos eternos; resina de fino jaez: as outras invejas rir-se-iam de vós que amou por ofício.
Ó vais entre vaios, como cálice de penitência que tu'alma leva à boca, não lembrais mais? 
Inda couraça armadura inata que te legaram, sem glória, e fé, ó homúnculo, que o infausto te seja leve. 
Unge-te ungido de sândalo, ave "emplumada" sem cor, asa viajora partida pelas bocas mais pobres do destino, transida de frio, arrebatada, serás vós pelo suão.
Ó não vais? Se não vais? Vão-se as neves, e a sorte está lançada! Envia-te às plagas mais inóspitas da tua Sibéria.

 

 

 

 

 
































👁️ 344

O SIFR ZERO [Manoel Serrão]


Uns para os comuns, outros para os nenhuns.
Uns para os incomuns, outros para os alguns.
Uns para os triângulos, outros para os retângulos.
Uns para os oblíquos, outros para os planos...
As equivalências de um quadrado no rito das continuidades...
Ó a expressa essência da superfície imutável, o mosaico!

E ei-los: o Sifr zero; o vazio; o nada; e, o ninguém!
O inexprimível “Rembrandt” na sua vaguidade.
O puído Persa mutilado sem valor; o ente dês cavo desconectado vítima d’outro engano.
Assim, segue a liberta do mito e do mago celebrado com medo de cair no ser cavo.
👁️ 262

BANHADO [Manoel Serrão]




Às vezes

Encharco por fora.
Outras
Lamas por dentro.
Há dias que inundo,
E molho o mundo.

 
👁️ 241

Comentários (1)

Iniciar sessão ToPostComment
321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.