Lista de Poemas

EROS AIDS [MANOEL SERRÃO]





Ícones ímãs de Eros.

Deuses do belo e da perfeição!
No millésime do século XXI?
Sexo é sinônimo de AIDS,
HIV de contágio.

E nesse fetiche paranoica,
O erotismo clean da libido viril,
Fica por conta de Vênus:
A Musa camisinha do orgasmo total.

Ó vade retro AIDS!
CuidAIDS! Ara que o espantAIDS.

 
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SERVENTIA [Manoel Serrão]




Vós sabeis do óbvio tanto quanto o fogo n’água sem [o] OX que a chama o apaga.
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o rancor cego, e a inveja põem venda nos olhos.
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o amor debela a ira, e o ódio sem razão o acaba.


A debalde não julgueis bastardias tão venais, tampouco as mil vis adularias ancestrais.
A debalde não forjeis aos consanguíneos e afins, idílios em távola festivos.


Vês, não deixeis celebrarem a injúria sussurrada aos ouvidos pelas bocas venenosas.
Vês, não deixeis impor-lhe o triste espetáculo dos carcinomas mentirosos, e o mal imanente da servidão.


Não os dês aos malditos convivas de aparências luminosas, ornados de jaeses e fantasias,
A glória de impor-lhe as vestes difamantes.
Não os dês aos pares sem igualha ancestral? Ó vês tu, tudo é caótico, apressa-te?
Não os dês como "deter" a marcha da glória! Ó quisera Deus, qualquer Deus...
Oh! como fede a inumanidade dos valores. D'us nunca mais!


Ide, sejais vós um único sujeito posto como sempre foras no tempo presente do verbo ser, uma só digna pessoa.
Ide, sejais vós único entre os diversos desiguais, e finca-te o pé por todos os dias, Deus enxerga!
Apressa-te! Um novo homem é possível! Tu, que és nobre, brilho proibido para seres d'almas menores. Vês, como a boca das trombetas o solo da terra lhes porá adubo nos pés, há um silêncio pronto a falar!


Alfim, inda cego por deixar de olhar? Ou por olhar e não ver, pulsante o coração? Aos embusteiros, serve-lhes só o olhar do "pavê" como sobremesa, e a porta como a serventia da casa! E vós, ó ditoso a todos dirás dos arreados e muares que julgam-te e condenam-te, à purga quem os são! Ó mais que mundo tão imundo os homens aqui nos dão?
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ESQUECE-DOR [MANOEL SERRÃO]





O homem é mesmo um esquecedor.

De tanto merecer-dor: esqueceu-se do bem e do amor.

 
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DUCHA CORONA [Manoel Serrão]





Reboados os trovões.
Relampejam raios.
Derreiam trombas d’águas...  
E eis que despenca de quatro,
A paixão das nuvens pesadas. 

Ao passo que serenada a tormenta, 
Goteja, opila, pinga, gota a gota,
Esvazia-se da "corona" em banho-maria
A febre terçã do amor.

Ó quase podia jurar!
Só não a dizia, sabia.
Desliza hacia pela boca do ralo...
O teu coração que amaria, nunca aprendera amar!
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AOS PÓSTEROS [MANOEL SERRÃO]




Nenhures os de somenos soltos, 
Tampouco estranhos de ecos vão. 
Aos pósteros, só loas e lis de aromas doces...
Ad eternos pelo etéreo, meus sonhos em versos soarão! 
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IRMÃO DO MEU TEMPO [Manoel Serrão]






[in memória do meu irmão Idalgo da Silveira Lacerda]


Pétala arrastada pelo vento,
A vida como um sopro enlanguesce.
Murcha, e seca, e consumada no irmão eterno do meu tempo: em instantes, emudece...

 
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PROVERBINHO [Manoel Serrão]








Ser pedra é fácil, o difícil é ser caminho percorrido!
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R.E.C.O.M.P.E.N.S.A [MANOEL SERRÃO]





Procura-se
Vivo um amor perdido...
R.E.C.O.M.P.E.N.S.A
R$ 10 [DEZ] milhões de amores REAIS para a vida.
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SOL-TO [MANOEL SERRÃO]



Canto em Sol,
Canto [O] Sol-to!
Canto à gosto.
Canto grato em Dó, Ré, Mi maior...

Canto o Sol-dado de A-gosto.

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PARTILHADO [MANOEL SERRÃO]






Quem conta um conto, aumenta um ponto.

Distorcidas as verdades? E o partilhado que não se propague.
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Comentários (1)

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321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.