Lista de Poemas
GESTO FRATERNO (MANOEL SERRÃO)

Às vezes basta um
Gesto fraterno pro
Mundo ficar em paz
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BABA-DE-QUIABO [A] 3X4 [Manoel Serrão]
Não me babe, Baby!
Nem me maltrate com essa baba de quiabo!
Ó nunca fui teu “quiabo” a 3X4!
Rasguei da porta retrato,
A foto e o nosso trato.
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CAIXA-ESTANTE [MANOEL SERRÃO]
Da caixa-estante...
Avoante pipa sem barbante!
A vida na zero são instantes.
* Nota: linha zero.
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ESQUECE-DOR [MANOEL SERRÃO]

O homem é mesmo um esquecedor.
De tanto merecer-dor: esqueceu-se do bem e do amor.
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SERVENTIA [Manoel Serrão]
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o fogo n’água sem [o] OX que a chama o apaga.
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o rancor cego, e a inveja põem venda nos olhos.
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o amor debela a ira, e o ódio sem razão o acaba.
A debalde não julgueis bastardias tão venais, tampouco as mil vis adularias ancestrais.
A debalde não forjeis aos consanguíneos e afins, idílios em távola festivos.
Vês, não deixeis celebrarem a injúria sussurrada aos ouvidos pelas bocas venenosas.
Vês, não deixeis impor-lhe o triste espetáculo dos carcinomas mentirosos, e o mal imanente da servidão.
Não os dês aos malditos convivas de aparências luminosas, ornados de jaeses e fantasias,
A glória de impor-lhe as vestes difamantes.
Não os dês aos pares sem igualha ancestral? Ó vês tu, tudo é caótico, apressa-te?
Não os dês como "deter" a marcha da glória! Ó quisera Deus, qualquer Deus...
Oh! como fede a inumanidade dos valores. D'us nunca mais!
Ide, sejais vós um único sujeito posto como sempre foras no tempo presente do verbo ser, uma só digna pessoa.
Ide, sejais vós único entre os diversos desiguais, e finca-te o pé por todos os dias, Deus enxerga!
Apressa-te! Um novo homem é possível! Tu, que és nobre, brilho proibido para seres d'almas menores. Vês, como a boca das trombetas o solo da terra lhes porá adubo nos pés, há um silêncio pronto a falar!
Alfim, inda cego por deixar de olhar? Ou por olhar e não ver, pulsante o coração? Aos embusteiros, serve-lhes só o olhar do "pavê" como sobremesa, e a porta como a serventia da casa! E vós, ó ditoso a todos dirás dos arreados e muares que julgam-te e condenam-te, à purga quem os são! Ó mais que mundo tão imundo os homens aqui nos dão?
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IRMÃO DO MEU TEMPO [Manoel Serrão]
[in memória do meu irmão Idalgo da Silveira Lacerda]
Pétala arrastada pelo vento,
A vida como um sopro enlanguesce.
Murcha, e seca, e consumada no irmão eterno do meu tempo: em instantes, emudece...
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RIO CAAPIAUR-Y-BE [RIO DAS CAPIVARAS EM TUPI] - RIO CAPIBARIBE DAS ÁGUAS [Manoel Serrão].
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio que abranda rudes sertões rubros secos em brasa.
Rio que abunda burgos quão silos e Orbes em safras.
Rio que afoga bilhas, e dessedenta as bocas da casa.
Rio que decanta no polígono da seca, ó berro d’água.
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio doente marcado, dorido, ó rio ferido em chagas.
Rio fosso que a morte enxota, rio que a vida enxágua.
Rio salvador, redentor, rio tutor da Zona da Mata.
Rio alma da lavra, rio que o agreste exorta, exalta.
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio serpente a cura do ente, rio que salva urgente.
Rio sangria vertente, rio alma banhado de lágrimas.
Rio semente valente, rio no cio corrente da Várzea.
Rio vazante enchente, rio, rio o milagre das raças.
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio mangue, rio doce, rio outrora imaculado e moço.
Rio lama, rio podre, rio esgoto, sujo, mal cheiroso.
Rio lixo, rio luxo, rio fruto do concreto vil porco.
Rio morto, cria nossa, gesta uterina do mau imposto.
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Rio a jorro, rio arrojo, rio arroubo, o rei maroto.
Rio rumo adentro parcel até o arrecife belo quebrar.
Rio a voz no alto, a paz no médio e da foz no baixo.
Rio da cais do porto O Apolo, Rio Capibaribe ao mar.
Rio o elo veio evo, rio mor Caapiau-y-be das águas.
Passa a ponte Apipucos, Casa Forte, Madalena passa.
Passa a ponte a Joana [Bezerra], o Derby, e Capungá.
Passa o Curado, Caxangá, o Retiro, e passa Afogados.
Passa a ponte Santana, São José, corre Santo Amaro,
Passa a Torre, passa o Poço da Panela, e Princesas.
Passa a ponte o Monteiro, Boa Vista, banha a Várzea.
Rio que vem, rio que verte, rio que vai, rio passa.
Rio extenso, rio fausto, rio infausto, rio exausto.
Rio o elo veio evo, rio mor, rio sangria que passa.
Rio que vem, rio que verte, rio que vai, rio passa.
Rio Santo que a fé é [a]cura, rio serpente que salva.
Rio amado. Rio te quero vida, rio te quero cuidado.
Rio te quero belo amado, rio te quero vivo, Ó Rio!
Rio te quero Capivaras curado! Viva Capibaribe! Viva
O rio Caapiau-y-be das águas!
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SIBÉRIA [MANOEL SERRÃO]
Numa’ hora, a recidiva vazia, a senectude em úmbrias varridas. O deveio grunhido – o gorjeio cavo - o gemido balido.
Noutrora, o Avata engessado – o rato enriado - o pio na apostasia.
A esquarteja descarne, a carniça pelos urubus devorado.
Numa’ hora, o antípoda - os "pés opostos" –, o Tzara do passado.
O idolatra – o ego-rex - o vil gregário dominado.
Noutrora, o parasitário – o cão raivoso – a fúria do verbo cavo.
O esmalte raso – o tapete sujo - a lama das patas.
Ó por vós, alimpai-vos, pois, do ranço fétido dos teus infernos.
Ó por vós, alimpai-vos, pois, dos suicídios salvos dos teus ordálios.
Acaso, ousas tu aos “Bons” quão aos “Maus” lhes dás a vida pela morte?
Havereis vós em vão incréu no Bem quando no Mau credes sê-lo o Bem, nunca o teu Mau tão eterno?
És tu pois? És tu, arrosto, vós que grassa do bom senso e do uso adequado da razão?
Ó trazeis, pois, aqui –, o bom senso e o uso adequado da razão?
Ó trazeis, pois, aqui -, o sã do divã que ao insano com abafos sonegaras.
Ó trazeis, pois, aqui, ó efebo, o vosso berro conforme o próprio?
Bem, o sabes, um mal em si cabe, o mau inato às vós entre apelos e vai os quão univitelinos se assemelham!
Havereis vós de entreterdes com o argênteo sob as cumeeiras do divino tornando-se invisível.
Bem, o sabes, ó vândalo das janelas quebradas; flagelo emaranhado de arquétipos eternos; resina de fino jaez: as outras invejas rir-se-iam de vós que amou por ofício.
Ó vais entre vaios, como cálice de penitência que tu'alma leva à boca, não lembrais mais?
Inda couraça armadura inata que te legaram, sem glória, e fé, ó homúnculo, que o infausto te seja leve.
Unge-te ungido de sândalo, ave "emplumada" sem cor, asa viajora partida pelas bocas mais pobres do destino, transida de frio, arrebatada, serás vós pelo suão.
Ó não vais? Se não vais? Vão-se as neves, e a sorte está lançada! Envia-te às plagas mais inóspitas da tua Sibéria.
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O SIFR ZERO [Manoel Serrão]
Uns para os comuns, outros para os nenhuns.Uns para os incomuns, outros para os alguns.
Uns para os triângulos, outros para os retângulos.
Uns para os oblíquos, outros para os planos...
As equivalências de um quadrado no rito das continuidades...
Ó a expressa essência da superfície imutável, o mosaico!
E ei-los: o Sifr zero; o vazio; o nada; e, o ninguém!
O inexprimível “Rembrandt” na sua vaguidade.
O puído Persa mutilado sem valor; o ente dês cavo desconectado vítima d’outro engano.
Assim, segue a liberta do mito e do mago celebrado com medo de cair no ser cavo.
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BANHADO [Manoel Serrão]
Às vezes
Encharco por fora.
Outras
Lamas por dentro.
Há dias que inundo,
E molho o mundo.
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Comentários (1)
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321alnd
2019-03-06
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
Perfil
Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.
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