SERVENTIA [Manoel Serrão]




Vós sabeis do óbvio tanto quanto o fogo n’água sem [o] OX que a chama o apaga.
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o rancor cego, e a inveja põem venda nos olhos.
Vós sabeis do óbvio tanto quanto o amor debela a ira, e o ódio sem razão o acaba.


A debalde não julgueis bastardias tão venais, tampouco as mil vis adularias ancestrais.
A debalde não forjeis aos consanguíneos e afins, idílios em távola festivos.


Vês, não deixeis celebrarem a injúria sussurrada aos ouvidos pelas bocas venenosas.
Vês, não deixeis impor-lhe o triste espetáculo dos carcinomas mentirosos, e o mal imanente da servidão.


Não os dês aos malditos convivas de aparências luminosas, ornados de jaeses e fantasias,
A glória de impor-lhe as vestes difamantes.
Não os dês aos pares sem igualha ancestral? Ó vês tu, tudo é caótico, apressa-te?
Não os dês como "deter" a marcha da glória! Ó quisera Deus, qualquer Deus...
Oh! como fede a inumanidade dos valores. D'us nunca mais!


Ide, sejais vós um único sujeito posto como sempre foras no tempo presente do verbo ser, uma só digna pessoa.
Ide, sejais vós único entre os diversos desiguais, e finca-te o pé por todos os dias, Deus enxerga!
Apressa-te! Um novo homem é possível! Tu, que és nobre, brilho proibido para seres d'almas menores. Vês, como a boca das trombetas o solo da terra lhes porá adubo nos pés, há um silêncio pronto a falar!


Alfim, inda cego por deixar de olhar? Ou por olhar e não ver, pulsante o coração? Aos embusteiros, serve-lhes só o olhar do "pavê" como sobremesa, e a porta como a serventia da casa! E vós, ó ditoso a todos dirás dos arreados e muares que julgam-te e condenam-te, à purga quem os são! Ó mais que mundo tão imundo os homens aqui nos dão?
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