Escritas

Lista de Poemas

ANTROPOCENO [PONTO DE MUTAÇÃO] [MANOEL SERRÃO]



Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que subtrai das piracemas a vida contra a corrente.
Que poluís rios, veios d’águas, bicas, oceanos e mares.
Que atiras à rés floresta, matas ciliares e árvores.
Que ceifas aves, insectos e todos os seres criados.

Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que baforas dos canos monóxido de carbono.
Que sufoca de fumaça tóxica e metano o Ox dos ares.
Que lanças ao colo Mater: o lixo do luxo do vosso conforto.
Que selas de betume o barro e asfalto a verdejante relva.

Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que arranha-céus de concreto e aço enfeando o espaço.
Que alteras os célsius e roazes geleiras avultando os mares.
Que degradas a bioface e a Geo matéria física da Terra.
Que condenas o futuro da era natural gravada na pedra!

Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Não vês qu'tua sorte contra o tempo e a morte, será apenas lembrança tatuada na pedra lascada?
Ó Ser contra o Sol que se apaga, haverá de vir outro sol se acender?
Ó Ser contra a Lua de Jorge, haverá de vir outra lua por sorte?
Ó Ser contra as forças do Universo, tornarás mutáveis o que são imutáveis?

Ó não vês? Estúpida humana que hecatombes e reboados trovões estão por chegar?
Ó não vês? Estúpida humana, que almas pias serão escravas d'um sistema que se anuncia?
Ó não vês? Estúpida humana, que deveis do mundo cuidar, evoluir e transformar.
A dimensão coletiva do sujeito?

Sabeis! Se dela não vos tendes piedade, dela não tereis no destino, à vossa piedade no futuro!
Há um formigueiro de bocas com Oito bilhões de outros, enramando-se sobre a Terra coberta de pedra!
Sabeis! Se não sabeis! Sabeis que a vossa eternidade não irá de além da curva dos dias,
Como a soma da humanidade em partes sequer resultará num só homem [inteiro].

Ó cioso [a] Deus [A] Universo que tudo sabe, ordena, prevê, defende e repara:
É da Gaia aos humanos o desejo que desses erros, os pudessem perdoar,
E os fizessem da culpa saber que estão perdoados por cuidar.

Ó eia o Xis da questão, onde habita o Ponto de Mutação!
O presente indigente mais que imperfeito está doente...
Ó Gau! E eles não sabem que jazem?

 

 

 

 
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IDEALÍSTICO [MANOEL SERRÃO]



Não, Eu não tenho tempo se houver tempo, já não tenho pressa.
Eu não posso ir sem destino, se Eu não posso voltar sem abrigo.
Não, Eu não vou pular do avião se não houver um mar de chão. 
Mas Eu vou me jogar em São Marcos, lá no cais da Sagração.

Eu não vou beber, Eu não vou fumar.
Eu não vou calar, Eu não vou me acabar no bacará pela salvação.
Não, Eu não vou me entregar sem me deixar levar pela solução.
Não, Eu não vou passar na mão. Eu não vou passar por terríveis mal-estares na contramão!

Eu não vou viajar, mas Eu vou rumar para Ribamar, lá tem água em alto mar.
Lá de Bar em bar? Lá se tem uma quermesse dialética de afogada poética.  
Lá tem uma orgia de confrontos, para ver os modos contrários diversos d’outros.

Uns antepondo os sinais algébricos de “menos”;
Outros somando os sinais algébricos de “mais”.

Uns vendo-os como símbolos de Barthes; Outros tomando como os sintomas de Lacan;
Uns carregando-os de lamentações muros em construções;
Outros sem pão pios de fé sem pontes, mas de pires nas “mãos”.


Ó se há duas verdades, e uma não deve a outra perturbar?
Ó Eu idealistico... Eu não vou me desintoxicar!

 

 

 

 

 
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PARÂMETRO [MANOEL SERRÃO]





A estética é do perfeito.
Mas o belo é da imperfeição!
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OPPROBRIU [MANOEL SERRÃO]



A Vida sem Arte é opprobriu do Ser a Morte!
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ANTEPOSTO [MANOEL SERRÃO]





Um traidor que trai é um traidor que se aceita traído!
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AVE SEM POUSO [Manoel Serrão]




Poetas, aves sem pouso.
Versos, aves sem asas.
Poemas, aves à vista.
Poesias, aves avoante.
Poéticas, ecos adiante.

 
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LAGO AVISA TUPÃ [Manoel Serrão]



[Dedico-o ao poeta-amigo e irmão de poesia João Batista do Lago]



Ó rio gesta uterina nascente... Água das serras vertente que medra limpa.
Ó rio parido, remanso valente, serpentina rio cortante e corrente.
Ó rio calmaria silente que a verde mata ciliar eterno em seu colo o aninha, ó rio semente.
Ó flúmen rio cristalino... Diarreico que à escansão separa onde o verbo de ondulado a suave a pouco o fizera.

Há em ti um rio que enche a casa de luz como aqueles ribeiros versos do poeta;
Há em ti um rio vivente que o traga de fora para dentro d’alma.
Há em ti um rio de tudo! O chão, o mar, sagrado com os teus ossos a poeira da Terra num tempo qualquer que não conta...
Há em ti um rio onde o ralo estropiado d’um só gole bebera a penúltima sílaba tônica da tua várzea e quase o secara.

Há em ti um rio-mor, o Riomar... Ó raio Tupi o lamento! Avisa Tupã: “o alto alui sem asa e o médio veio abaixo navegar sem água”.
Há em ti um rio calhau aluvião assoreado de suas calhas; rio rimado “sujo” are no perene açodado.
Há em ti um rio barro-argiloso “poesia” das encostas desmatadas; um rio dos socorros nós...
O “mar” aquém da foz corrente que aspira à vida a se fazer voz.


Mas onde apascentas? Mas onde descansas?
Ó Rio redivivo como os verbos possíveis acuram passantes nas águas dos mares...
Rio Chuá...  Chuá...
Rio doce coração valente onde a bravura não desertou, ó “oceano d’alma sozinha”... Ó Poesia de acreditar no contrário do que a fé lhe impõe, teus canhões berram fogo.

Nunca morrerás por teres vivido. 

...

[Faz-nos saber, ó tu a quem m’alma reclama].  






 
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PHARLATÓRIO [Manoel Serrão]







Falar mal
Ou falar bem?
Mas falar um poema!
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KAMI-KAZE [Manoel Serrão]







Sem Kit e Net e “Pena”.

Sem cama pasto e lar?
Cem zeros cal e sal.
Sem cash e Cred Card,
E o status quo do Ford KA?
Ó Zeus! Ka pra nós?
Caiu um Kam-kaze no altar!
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“GALHO LADRÃO” [Manoel Serrão]





De aliado a vilão,
O “galho ladrão”,
Roubou da copa ao chão
A louca paixão.

        
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Comentários (1)

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321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.