IDEALÍSTICO [MANOEL SERRÃO]
Eu não posso ir sem destino, se Eu não posso voltar sem abrigo.
Não, Eu não vou pular do avião se não houver um mar de chão.
Mas Eu vou me jogar em São Marcos, lá no cais da Sagração.
Eu não vou beber, Eu não vou fumar.
Eu não vou calar, Eu não vou me acabar no bacará pela salvação.
Não, Eu não vou me entregar sem me deixar levar pela solução.
Não, Eu não vou passar na mão. Eu não vou passar por terríveis mal-estares na contramão!
Eu não vou viajar, mas Eu vou rumar para Ribamar, lá tem água em alto mar.
Lá de Bar em bar? Lá se tem uma quermesse dialética de afogada poética.
Lá tem uma orgia de confrontos, para ver os modos contrários diversos d’outros.
Uns antepondo os sinais algébricos de “menos”;
Outros somando os sinais algébricos de “mais”.
Uns vendo-os como símbolos de Barthes; Outros tomando como os sintomas de Lacan;
Uns carregando-os de lamentações muros em construções;
Outros sem pão pios de fé sem pontes, mas de pires nas “mãos”.
Ó se há duas verdades, e uma não deve a outra perturbar?
Ó Eu idealistico... Eu não vou me desintoxicar!