Escritas

Lista de Poemas

AS TRÊS MARIAS DE ORION [MANOEL SERRÃO]



Porção de um todo; a parte.
Valor, que tem e importa; arte.
Essa é a parte, do nosso trato, aguarde!

Daqui a dez milhões de anos,
Lá do céu profundo sem fim,
Ou do fraterno universo-denso afim?
E daqui de ti, por sorte, ôrra! Ôrra!
Voltar para me vê grã-poejo-ouro? Então, serei O Deus no colo das Três Marias de Orion.
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IMPERFEIÇÃO A DOIS [MANOEL SERRÃO]





Liberto-me da mentira da verdade, Ou
 liberto-me da verdade da mentira!
Agora aqui rogo por amor à verdade, e o dito por horror a mentira...
Ó que se faça sim, assim, só verdade, presença em mim sem mentira.
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INFECUNDIDADE [MANOEL SERRÃO]

Ancestralidade por debaixo dos braços,
Como os guarda-chuvas dos nossos avós...
Olhos, outros, olhos tristes e cegos;
Olhos novos  sãos olhos nobres alegres;
Olhos novos vãs em corpos jovens de espíritos velhos.
Olhos cor de rosa em bocas católicas;
Olhos negros de óculos na testa;
Olhos azedos de perfumes nas roupas.
Olhos secos sem alma nos olhos;
Olhos e mais olhos nos olhos, e vejo infecundados mundos novos imundos dos tempos velhos.

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CERTO “HOMEM ERRANTE” [AO SOBRINHO DO CAPITÃO (MANOEL SERRÃO)


Antes de virares a página: um dia para lembrares de que és responsável por todas as tuas escolhas; e que o desafio de vossa evolução, é um sinal eterno do teu tempo finito, presente e que urge no agora.

Antes de virares a página: um dia para lembrares de que és responsável por todas os teus mentidos e por todas as tuas verdades, que haverás de encontrá-lo na tua inglória derradeira ou na tua glória altiva.

Antes de virares a página: um dia para lembrares de que és responsável por todas as portas fechadas resultantes dos teus erros de outrora; ó porque adernais sobre almas pequenas, medonhas e porcas? Ó porque não te amas? Qual o porquê do teu antegozo, antes do gozo da vida?

Ó filho do Pai sem coração! Ó cria da Mãe do parto desmamado! Não vês! Não vês que te morreu no pai! Ó teu pai que te morreu nunca fora teu! Não vês que te morreu na mãe! Ó tua mãe que te morreu nunca fora tua! Não vês que te levou do coração! O teu coração nunca viveu!

Não vês que a mãe que te amou por dote, fora a mãe que te amou por sangue, é a mãe que Deus te dera por sorte? Ó que sorte! Que sorte! Qu’inda a sorte te criou e o amou pela mãe do pai que te incriou? Que os teus consanguíneos te amam em comunhão entre cuidados e devoções? Ó quão triste! Quão triste o teu fado de engano malcriado, enganando-se a si próprio vida afora. Oh! Homem infausto! Acaso imaginais que conduz e sóis vos condutor do tempo sem a ferrugem que corrói o ferro?  Não os vês que muito tempo não dura o mentido que te errou e adoeceu na vida? Que o teu coração de gelo seco e Baco errante te morreu não te farás poeira? Ó vês! A tua cegueira de "ateu" que te cegou, nunca viveu? Porque morrestes antes de acordares? Ó despertai! Despertai!... Sabeis! Sabeis que muitos nascem, envelhecem e morrem sem chegar ao porto de destino. Que muitos não sabem sequer de onde veem ou para onde vão ou porque no tempo presente aqui estão. Ó sabeis! Amara-te a mãe que te cuidou e zelou, quão os teus consanguíneos que vos apaixonou, perquerindo os teus sonhos, e sem distinção, nunca te faltaram às mãos... Mas continueis cegos construindo castelos de areia sobre os mesmos erros! Ó dize-nos: Quem tocou-lhe a primeira nota de uma ária funebre? Quem te morreu na roda gira? Homem Errante!
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MODERNIDADE LÍQUIDA [MANOEL SERRÃO]







Versão indefinida do efêmero consumo?
A Modernidade Líquida...

Ora sacia-se no ego instável do homo hedonista,
Ora duela insana no me-achismo de sua apoteose líquida.

Dedico-o ao sociólogo e filósofo polonês, professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia Zygmunt Bauman.
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PANTOMIMA [MANOEL SERRÃO]





Misturar verdades com mentiras,

Ou meias verdades, com meias mentiras?
Não passam de mentiras inteiras, e meias verdades!
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MUNDO COM NÃO [MANOEL SERRÃO]


Aqui acorda em paz o meu amor por ti. Agora estou aqui, no Mundo e não ouso dizer-te muito mais do que eu não sou e sei no Mundo. Do que eu sou e sei, não sei! Do que fiz, fi-lo por ti com todo o meu louvor. Fi-lo porque nada no Mundo é proibido, quando a lei maior do Mundo é o amor. Quando se significa a vida. Pois o sentido da vida vive na mente. O significado da vida é o que você faz, cria e ama.

Erijo-me, então, com os meus sonhos, sonhando “anjo” acordado, para um mundo dual albergado de sinônimos e antônimos. Proíbo-me de Ter e ponho-me a par de Ser e se crer no que não vê e É. O Mundo irreal onde o não acontecido se nega acontecer! O Mundo que se põe no ser individualista, hedonista e consumista, Não! Sendo só isso o que seus olhos veem? Mundo, mundo da ordem do visível ou invisível. Mundo, mundo diversos e universos multiuniversos diferentes entre os olhos e o olhar para o mundo de plena fruição, ora vibrante, ora mundo efêmero da vaidade entre o orgulho e a ostentação, Não!
Um Mundo com Não e em Parte Alguma! Mas aqui acorda em paz o meu amor por ti.
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O IMPONDERÁVEL [MANOEL SERRÃO]



Eu o homem. 
Eu o homem Zeus.
Eu o homem malcriado no mundo bem-criado que me criei.
Criei-me Mal, e cri-me Bem; Criei-me Bem; e Cri-me Mal.
Cri-me certo; cri-me errado; cri-me bem, mas mal-educado.
Eu, somente, eu quem pode perdoar-me no homem que sou e me criei.
Ó logo Eu! Eu o que poderia ser Eu aos olhos de Deus? Sendo o homem? Nada, adeus!

Mas se Deus, descendo à Terra, não me vê no homem; Deus me olha e vê;
Mas se Deus, descendo à Terra, não me escuta no homem; Deus me ouve e escuta;
Mas se Deus, descendo à Terra, não me quer no homem; Deus me ama e me quer crer homem!
Vês este “vazio” sobre nossas cabeças? É Deus!

Se Deus existe, o homem nada é, ainda que seja Santo.
Então, que valha a pena ser o Deus Universo, e o Homem onde quer, ser Deus!
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SA’SIs [MANOEL SERRÃO]




Saci: do tupi Sa'si serelepe sem querer?

Sacia o mito no rito sem crer se benzer.
Jaci aflito e Ari com medo deram o grito! 
Puseram-se nos pés pra vencer do mito. 
Mas o Pererê, só tem um pé pra vencer!
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CONGRUÊNCIA [MANOEL SERRÃO]






Fora! Tenho pressa.

Ad valorem o verso!
Não vê que o tempo é pouco para o que me resta?
O verbo aos 60 já me tesa!
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Comentários (1)

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321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.