CERTO “HOMEM ERRANTE” [AO SOBRINHO DO CAPITÃO (MANOEL SERRÃO)


Antes de virares a página: um dia para lembrares de que és responsável por todas as tuas escolhas; e que o desafio de vossa evolução, é um sinal eterno do teu tempo finito, presente e que urge no agora.

Antes de virares a página: um dia para lembrares de que és responsável por todas os teus mentidos e por todas as tuas verdades, que haverás de encontrá-lo na tua inglória derradeira ou na tua glória altiva.

Antes de virares a página: um dia para lembrares de que és responsável por todas as portas fechadas resultantes dos teus erros de outrora; ó porque adernais sobre almas pequenas, medonhas e porcas? Ó porque não te amas? Qual o porquê do teu antegozo, antes do gozo da vida?

Ó filho do Pai sem coração! Ó cria da Mãe do parto desmamado! Não vês! Não vês que te morreu no pai! Ó teu pai que te morreu nunca fora teu! Não vês que te morreu na mãe! Ó tua mãe que te morreu nunca fora tua! Não vês que te levou do coração! O teu coração nunca viveu!

Não vês que a mãe que te amou por dote, fora a mãe que te amou por sangue, é a mãe que Deus te dera por sorte? Ó que sorte! Que sorte! Qu’inda a sorte te criou e o amou pela mãe do pai que te incriou? Que os teus consanguíneos te amam em comunhão entre cuidados e devoções? Ó quão triste! Quão triste o teu fado de engano malcriado, enganando-se a si próprio vida afora. Oh! Homem infausto! Acaso imaginais que conduz e sóis vos condutor do tempo sem a ferrugem que corrói o ferro?  Não os vês que muito tempo não dura o mentido que te errou e adoeceu na vida? Que o teu coração de gelo seco e Baco errante te morreu não te farás poeira? Ó vês! A tua cegueira de "ateu" que te cegou, nunca viveu? Porque morrestes antes de acordares? Ó despertai! Despertai!... Sabeis! Sabeis que muitos nascem, envelhecem e morrem sem chegar ao porto de destino. Que muitos não sabem sequer de onde veem ou para onde vão ou porque no tempo presente aqui estão. Ó sabeis! Amara-te a mãe que te cuidou e zelou, quão os teus consanguíneos que vos apaixonou, perquerindo os teus sonhos, e sem distinção, nunca te faltaram às mãos... Mas continueis cegos construindo castelos de areia sobre os mesmos erros! Ó dize-nos: Quem tocou-lhe a primeira nota de uma ária funebre? Quem te morreu na roda gira? Homem Errante!
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