Lista de Poemas

À Kine

Òh! Astros boreais! - D’onde vem esta mulher?
-
Saltei por sob os montes da América… Oh, Deus…
E fomos n’um voo dantesco - Costas d’América Central.
Voamos longe! Quase que pelos suspiros dos céus.
Puseste-me aos altos ares!… um largo imenso e astral!
… Vibrante!… Trepidante! - lábios meus com os teus.

Òh! Montanhas de Guatemala!…
-
Que pelos vulcões d’Atitlán quero rugir meus sonhos,
e por todo o lago o meu sussurro chegar!
E quero, minh’amada, avistar teus olhos risonhos
e pelas rochas de Pavones, te namorar.
… Adeus! Adeus! aos meus passados tristonhos.

Òh! Cintilantes luzes cadentes!…
-
Os suores s’excitam!… a se beijarem entre peles desnudas,
como as águas que namoram as pedras de Costa Rica…
Eu fui louvar os teus beijos em noites longas e profundas!
E quand’estrelas apagam no’spaço, é alvorada p’ra vida.
… È o levante?!… parece mar, mas é uma pele com ternuras.

Òh! Àguas d’oceano infinito!… és tua mulher!
-
Já vivemos os prazeres e os gozos de uma inteira noite!
Assim como deliramos n’uma imensa eclipse da lua…
Sinto os suspiros d’estas lembranças n’uma só estrofe,
E inda lembro a sombra tua a passar… delicada e nua.
… Gritemos Avante!… aos amores vividos antes da morte.

Òh!… As luzes vieram p’ra ‘luminar tuas pupilas!…
-
As vezes castanhos, as vezes verdes… outras azuis.
Teus olhos são como galáxias cuspindo cores p’ra o universo!
E são em noites de Cogumelos, como em Santa Cruz,
Que o verde cintila pelas beiradas de meu mundo inverso…
… Quand’os Azuis, Castanhos… viram orquestra de luz

Òh!… Às flores, florestas… Òh!… aos oceanos, mares!…
-
Brilhastes as manhãs com os sorrisos luzentes de tua boca,
Criastes os arrebóis exuberantes das tardes minhas!…
E dançastes os meus desejos… quando beijaste-me sem roupa.
Mas lembro-me as noites que te vestes como as rainhas…
... Desfilante! Assim como a borboleta que dança livre e solta!

Òh!… Às auroras universais!… Òh!… Às alvoradas boreais!
-
Suspiramos os prazeres do empíreo!… vivemos um amor sim.
Sou inspirado pelos monumentos fantásticos e celestiais!…
Tu és a colibri musa, que s’apaixona pelas terras d’onde vim,
e caio em teu leito como as águas em cachoeiras colossais…
… Despistes o teu corpo como a nudez d’um mar sem fim.
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Ruiva!

Ruiva!… teus fios dão-me vontades
         Saudades
Dos tempos de trançar…
Lembras na sala quando n’eles trancei
         Estirei
E nao quis mais soltar?…
Tu ficaste ruiva como um arrebol
         Sol
Com muita sede de raiar…

É n’uma sala simples com as belas
        Velas
Que o amor vem surgir,
Sao d’estes teus castanhos olhos
        Rostos
O esplendor luzir…
E é viver sem voce que para norte
        Morte
Quero além sumir!…

Eu aqui como uma criança, choro e te vejo
        Bocejo
Querendo no teu colo dormir…
Eu sinto tantas saudades do teu lábio macio
        Sorrio
Vejo eles e p’ra lá quero fugir…
Tu vives os céus que desenham a alvorada
        Dourada
Igual a pele que cintila em ti.

Ruiva!… teus loiros traços de morena
        Pequena
Brilham inté na noite de luar…
Ah quao paradisíaco era em teu seio
       Leito
Entre os carinhos se deitar.
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À Donna

Desde os beijos da tarde na praia,
Quando presos estávamos n'esta Baía,
Foi de lá que senti onde a lua estava...
E de lá que meu fogo acendia e saía!

Agradeço aos suspiros colossais,
Agradeço aos abraços com tanta vida!
Agradeço... e sinto que quero mais.
Agradeço muito!... mas que tu decida.

Este tempo foi rugido para nós!
Qu'entre duas luas cheias gozamos,
E para os céus amamos a sós!...
Mar que transpareceu - Nadamos.

As longas noites, numa casa branca...
Assistíamos e ríamos constante!
E as vezes a chuva canta na varanda...
Soprando uma brisa ressonante.

Estes olhos teus... um sorriso cintilante!
Um à brilhar a via láctea! outr'os oceanos!
E que meus poros arrepiam! É gigante!..
A dor que em mim… só me restam prantos…

Fúnebre e egocêntrico um mundo este!...
Vejo defronte meus olhos que aqui tenho...
O sorriso qu'eu tinha e que tu me ‘deste,
Suicidou-se pela tristeza d’onde venho.

. . . Atravessarei planetas! o infinito por ti,
Quando o tempo sente seu último agora,
Quando a humanidade ruge o fim!
Vou longe por ti… até as bordas d’Aurora…

Mas estarei em meu passo delicado.
Um caminho cheio de luz és o meu desejo,
Enquanto estou a ver as estrelas deitado,
E lembrar a Lua luzente, e aquele teu beijo

Fostes uma paixão que ainda sinto!…
Fostes desejos que ainda desejo,
Fostes a mulher que eu ainda brindo,
Fostes a história que vi e ainda vejo.

Nos fins do Norte, entre fins do Sul,
O meu pranto escorre uma imensidão!…
Até os céus, amplo, gigante e azul,
Vindo da terra, do fundo - escuridão

Mas que o mundo de nós não colapse!
Que eu direi, entre murmúrios, um dizer;
- “Oh versos depressivos! Se afaste!”
Eu fui engolido… não sinto mais prazer…

Tento buscar os sentidos dos escritos,
Que, só sinto a minh’alma triste,
Rugindo o desespero!… ouço mil gritos.
O que há comigo?… me feriste?

Já estou no fim da sublime orquestra.
Já disse como amo-te… Oh Deus, adeus!
’Starei na escuridão do teatro d’opera
E chorar est’amor entre os sorrisos meus

Bebo a melancolia d’minhas lágrimas,
E viverei a fantasia - qu’és felicidade!
Minha alma só viveu paixões trágicas
E é morta aos poucos… pela saudade.

Sinto que vou-me embora… estou pra ir!
Os horizontes querem que eu vá… eu vou.
Eu nasci e vivi pra te amar e sempre sorrir!…
Mas não… aqui ficarei… tu já me deixou…

É uma dor que transcende os teus sussurros,
Que fico a escutar em meus sonhos…
É saudade qu’escorre em ruído d’murmúrios,
Que desce pelos meus poros tristonhos.

Adeus!… aos horizontes, á minh’amada. . .
Eu não tenho mais vida, mais amores, mais estrelas.
Eu vivo sonhos, oceanos… as maravilhas imperfeitas…
Adeus!… aos céus altos, á noite calada. . .
Nós bebemos o vinho na tenda e suprimos dor!
… Pois, acabou… tu fostes embora, eu vivi amor…
Adeus!… ao anjo qu’encontrei n’esta estrada
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Hoje

Hoje… longe d’estes teus abraços,
Vivo solidão - assistindo os pensamentos.
Antes vadiei, esquecendo existencia do amor
E vivi - cego - voado n’aqueles momentos.

Eu amei… eu dei p’ra uma mulher - amor!
Respirei por tempos, anos os perfumes d’ela
Pois, gastei forças, sorrisos e senti dor!…
Desisti, ó deus… desisti da Cinderela.

Dando-se um açoite p’ra muito distante,
O amor foi-se embora da esperança…
Então, por diante, vivi tragédias…
As poesias nao faziam mais diferença.

Eu fui jogado na proa da inconsciência!
Andando em vastas friezas…
Quis viver, foi-me assim impossível…
- Eu só suspirei altezas.

O mundo agarrou-me com sujeira e fedor
E senti sumir de minh’alma a gentileza.
Consciencia? Adeus. A carne tomou-me conta,
E apagou-se do meu coração a nobreza.

Esqueci o romance, cuspi os sentimentos!…
Nada rugiria além mais alto… não não
Apenas um outro amor… tao forte como
… mas cade coragem? Assim que’as coisas são.

Eu gritei mulheres!… fui expor-me másculo! -
Os amigos obrigam o ridículo do homem.
E lá estive - explodindo egos - o palhaço.
Esgotei-me de risos!… mas as piadas somem.

————

Fui impuro por anos no além mundo…
As tochas d’alma se apagaram no olhar.
Eu suspirava sujeira… apenas sujeira…
Mas, e se novamente um dia eu tentar?

E nem passaram tao longe estes pens’mentos…
Então açoitarei p’ra os sopros do amor!…
Para se meu coração teria uma chance
De um dia talvez vir a amar outra flor.

Deixei-me ir… recebi a chave d’esperança.
Meu coração procurava luz… um além mar…
Meu coração avistava cores… sorria!
Meu coração queria… talvez… amar?

Senti algo além de meus pulmões…
Senti… eu senti um bater em meu peito.
Foi-me estranho, ó deus… eu não sei…
Pressentimento?… talvez… deus já tinha feito.

————

N’um dia de sol… os raios tinem ao meio.
No Mamede imperial de nossos corações!…
Avistei uma flor… a mais bela das princesas…
Tenis preto, Nike! Calça cinza de lindos rasgões!

Eu suspirei um… perfume?! Entre os ares…
Meus pensamentos nao acreditavam!
A sala enchia-se de paixões!… nós dois.
Meu Deus… meus olhos p’ra ela flutuavam!

Seria um anjo a visitar minha visão?!
Era a princesa procurando sua coroa
Eras tu, óh minh’amada… soubeste de mim!
E ainda hoje esta visão aqui s’escoa…

Saímos do Mamede e perguntastes do Busão…
Joguei-me p’ra Deus e o mau p’ra o estopim!
O dia cantou história, os ventos soaram
E teus olhos brilharam tímidos p’ra mim

Passaram dias até a primeira poesia…
“A Triste Despedida” á vossa paixão.
D’ali p’ra avante os luares da madrugada
Foram as luzes de vossa excitação!

Entrei n’outro mundo, por esta era…
Tu fostes a minha crença, minha guerra.
Fostes o perfume entre as flores belas
E o desejo imenso, que forrou a minha terra.

————

Estás a distancia d’um oceano!…
A dor desmorona todo o meu sincero riso…
Mas por que?… tu eras o meu amor!
Tu eras a minha paixão… o meu sorriso.

… parecem déc’das, séc’los sem o teu tocar.
Hoje… ainda sinto o sabor de teus beijos.
Tudo que p’ra mim tu fostes, és o infinito!
Tu serás sempre o topo de meus desejos!
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Senhoras e senhores

Senhoras e Senhores…
Evaporarei - morto! - nas horrendas tragédias da paixão…
As desgraças do destino chovem datas em meu coração.
Minh’arte! Meus terrores…
A bela de meus sonhares canta a minha saudade,
E eu danço entre os prantos da inspirante mocidade,
Senhoras e Senhores...

Eu vivi - elétrico e trepidante - nos abraços nus dela,
Eu vivi - sonhante! - amando uma exuberante donzela…
Eu vivi - Oh amores...
Quais as minhas felicidades, os meus sorrisos?!…
Só resta ao triste - solidão!… Adeus, aos suspiros,
Senhoras e senhores!

Meus olhos s’estreitam p’ra as luzes lá do futuro,
O tempo deu as minhas déc’das para o impuro.
Nem s’quer as rosas…
Nem as rosas seduzem os olhos d’enxergar, de viver!
Nem os céus!… me inspiram p’ra assistir e escrever,
Senhoras e senhores.

Eu sorri imenso e cintilante a vida n’estes tempos…
Amei e vivi os sentimentos divinos sem lamentos…
Só paixao, só amores...
E que rodem p’ra o futuro!… e eu para sempre a amarei,
Lembrando d’uma linda mulher que intenso namorei…
Senhoras e senhores…

Digam tudo a ela… nao sei se terei vida!… não sei.
Os tempos fúnebres dirão até lá se eu ainda suspirarei.
Digam… sem medo, sem flores...
Que vivo o cadáver da tristeza, na lúgubre passarela…
Que me arde a saudade!… mas digam que eu amo ela,
Senhoras e senhores…
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À Manuella

Eu vi uma rosa soltar perfumes no mar…
Flutua a tábua nas águas cintilantes,
Frente a ponta das falésias… e amar! -
O oceano dos teus olhos brilhantes.
Eu vi n’outro dia, nas manhãs da praia,
Luzindo sutileza nas ondas muito bela,
Uma mulher que na cidade se espraia
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.

E que na noite quando visitei tua casa,
Estava confuso aqui dentro, não sei...
Mas eu quis tanto um beijo teu na sala
Subir as escadas, deitar na cama, talvez...
E amar-te por noites, luzais cadente!
Suspirar os astros! Viver da grã estrela,
E beijar-te até que estejas dormente
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.

Pelas prosas nas bordas da madrugada
Eu vi horizontes, a imensa simplicidade
Com o Nauê - luz crescente - Alvorada
E como tu és natureza, mãe de verdade.
Então dormes tão idílica, meu bem
Pois amanhã nasce uma manhã bela,
E sois outra que em outras não têm
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.

Pois escuta, querida, tu fostes intensa
Que n'aquela manhã... na tarde chuvosa,
Uma mulher entreabriu-se imensa
E senti, dentro d'ela, o quão és formosa.
Vivi, oh céus, paixão!... e quero falar;
'Entreguei-me nos abraços d'aquela!
Mas eu não sinto merecer ou navegar
Em vagantes sorrisos, linda Manuella."

Eu sonhei por noites os beijos teus
Que viver contigo parece uma fantasia,
E que o tempo saltou as regras de Deus
Fora de mim, exuberante nostalgia.
Teus cabelos dão vontades de tocar
Sentir teus lábios, esta boca singela,
Tomar o teu amor, levar-te para o mar
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.

E queria tanto contigo uma noite dormir
Ver a via láctea mais uma vez em teu lar,
Deitar na prancha, entre oceanos sumir
E brindar mais um vinho, depois te beijar.
Viver os sonhos de uma inteira vida contigo
Viajar entre os tempos de uma estrela,
E vim conhecer outro mundo aqui comigo
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.

Só digo: ‘Adeus! Eu preciso embora ir’
Que decidir não é uma boa hora…
Só peço-te perdão, por tão rápido partir
Pois ela me chama, a luz de minha aurora.
Perdão!… por bagunçar aí dentro em ti
Tu fostes meu amor, minh’amada bela,
Tu fostes paixão! Mulher que fundo senti
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.
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À Noa


I
Escuta… que meus sonhos vivem longe…
Crio histórias nas bordas da madrugada.
Amor!… onde estais e onde t’esconde?
Sou paixão, quer’amar!… e tu? Sois amada?
Lembro dos olhos, boca… a beleza defronte
Lembro a tua voz, como soas… a tua risada…

Desde as maresias qu’escoam a voar pela praia…
Eu te vi bela… n’uns sorrisos cintilantes…
O teu cabelo que, ao longe, perfume se espraia!
E visas o mar… com os teus olhos brilhantes…
Querida, vens aos braços meus e em mim resvala!
Que te beijarei, darei amor, gozos delirantes.

E as rosas do infinito cheiremos… amar!…
É a galáxia fantástica em teu coração…
Que da lonjura que vives eu vou surtar
E só me resta espera, murmúrios… solidão.
Sinto um beijo nas noites de sonhar…
Sinto que no futuro amaremos!… emoção.

Oh as noites minhas que tanto sonhei!…
As vezes sonhos, as vezes, suspiros…
Ao ver as estrelas, da porta p’ra fora voei
Pensando em soltar aos astros rugidos!
E que lá até a longa madrugada durei,
Sorrindo as imaginações… daqui, unidos.

Tu és o anjo que exubera o meu paraíso…
Quando sobem as sensíveis luzes d’alvorada,
E colapsa os céus como este teu sorriso…
Tu brilha em meus horizontes tão dourada!…
Que cega as auroras e ouço em meu ouvido,
Deuses a dizerem - ‘Que linda a tua amada…’

Em meus sonhos respirais névoas d’esper’nça!…
Onde durmo, abraçado pelos ares do litoral,
Sou poeira!… e quero no teu cabelo fazer trança.
As vezes quando nasce a luz imensa boreal,
Imagino como se fosse raios de lembrança…
Eu estava a prosar e tu em biquini tropical!…

Oh como linda tu és entre estes cacheados fios!…
’Stou louco p’ra afogar-me fundo em tua boca!…
E falecer-me de amor!… como as garoas nos rios.
Desejar!… sou vestido entre beijos, sem roupa.
Oh aos tempos! Chuvas tristes!… espero estios…
Sonhar!… é viver os empíreos, amar, deixar-te louca.


II   
Era tu, era a sublime Noa… pelas areias cor de vela,
Brilhando mais que as águas puras da praia bela,
E dei-te tanto o meu sorriso que inda mais sorriria.
Vinhas a caminhar pelas bordas do mar… a rosa cintila.
Distraída, recebendo brisas... tu viras p'ra mim tão linda...
E em sonhos contigo estaria…

Estou em calafrios e o meu riso não tem mais fim
O meu corpo está trêmulo, sinto algo dentro de mim...
Mas voltarei!... falei, prometi aos céus que voltaria.
Clamando aos céus t’encontrar mais uma vez,
Trazer-te á caminhar aqui pela praia, talvez…
E em sonhos contigo estaria...

Eu vi uma moça vagando pelas areias... só e elegante
Parecia mais a melodia de uma orquestra sonhante.
Paro, sento frente ao mar, onde p'ra sempre viveria.
Ela, em prantos, suspira o sal dos mares do Norte,
E o vento fresco, fazeis sorrir, deixando-a mais forte
E em sonhos contigo estaria...

Falar com as estrelas, mas bem perto em tua boca,
Tocar e cheirar o teu cabelo, como uma rosa solta…
Isto és bem o que em sonhos eu tanto queria!...
Atirando os meus desejos aos oceanos defronte,
E clamando coragem!… Oh pens’mentos confronte!
E em sonhos contigo estaria...

Eu imaginei, que n’aquela tarde de ocaso celeste,
Se tu irias embora e se um beijo tu me deste,
Eu já terminaria a minha vida!... feliz eu morreria.
Voltei então a te procurar, nervoso entre as maresias,
Porque tu já és o lume que voa por minhas ventanias…
E em sonhos contigo estaria...

Estejas em um bom lugar, que sois minh’amada,
E um beijo inda hei de te beijar, n’esta boca rosada…
E um carinho hei de te dar, inté sempre te amaria.
Celebrarei este sentimento de tanta vida!… sem dor,
Que tu és querida!… tu és meu bem, tu és meu amor.
E em sonhos contigo estaria...


III
Bela amada… dói-me o peito sem a pele cheirosa
Que tanto quis tocar… que tanto aqui desejo…
Quero que voltes mais intensa, luzente formosa…
Que por noites, dias e séc’los sonho com teu beijo!
E que aos tempos orei!
E ainda respiro… eu sei…

Ah como sentir eu quero a tua boca, dar um beijo…
Arrepiar-me enquanto flutuo em delírios contigo…
Felizar em teu riso… entristecer perto em teu leito
Quero cheirar flores, dar-te poesias… vem comigo.
Ah… tu és amada, meu lindo sonhar!
Morrer!… digo aos errantes, ‘Amar’.

Querida, sinto saudades… eu sinto, eu sou…
Peço que venha, que em toda a minh’alma sente dor
E dá-me esperança!… aos horizontes eu vou.
Quando em meus poros, nada sinto, apenas amor,
Ouço, entre os ares, murmúrios…
Meu coração só faz barulhos.

Não sei d’onde vem o fogo que arde em mim assim…
Beijei-te tao intenso em meus desejos aqui tao fundo,
Que penso, clamo, chamo, apaixono por ti, enfim!…
Quero amar-te, querida… és tudo n’este inteiro mundo.
Sou poeta para t’escrever;
‘Eu irei voar para te ver!’

Talvez… sou os ventos do norte a soprar os teus cabelos…
Talvez… talvez sou mar!… que chora pelo teu corpo,
Suspirando apenas lembranças - tendo, por ti, anelos,
Entre estes fios soltos a balançar em teu formoso rosto.
Talvez… talvez tu és verão!
Sinto no meu peito… paixão.


IV
Oh vem, p’ra os braços meus, Noa!… tu és flor! - liberdade!
Qu’estou entre murmúrios, solitário no pélago da esperança,
Onde fúnebres garoas vem a cair sobre os becos da cidade.
Oh vem!… quero dar-te o meu riso, convidar-te á uma dança
Enterrando os pés fundo nas areias, e te amar - profundidade.

Oh vem, Noa… eu sou poeira!… mas darei um inteiro mundo,
Mostrando-te mais e mais as falésias da linda Praia da Pipa,
E viver paixão! - prazeres e gozos do empíreo, intenso e fundo!
Oh vem, querida… meu riso não tem mais luz sem ti n’esta vida,
Eu busco rosas do infinito, p’ra amar e viver para sempre junto.
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Navegando, Rumo Luares Da Deusa

Naveguei... rumo a lua, atirando as velas!
N'um mar de rosas, plácido e perfumado.
Senti correr minha balça em ondas belas,
Imigrando um arco íris doudo dourado!...

Eram como os fios a corrente puxar-me,
Eram como olhos uma lua deslumbrante!
Doidos cometas saltam a "estrelar-me",
N'este mundo meu - de delírio gigante!

És n'um arco íris a noite qu'estou a sonhar,
Viajando n'uma balça pelas cristalinas águas...
N'esta que assisti um rosto, sorrindo cá.

Vi ela, flutu'ndo nos mares e nunca pousa,
De fios cristales, olhos luados de fábulas...
E percebo qu'este sonho vive uma Deusa.
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